19 de junho de 2010

O Evangelho dos Autômatos III - Maravilhosa graça

A última coisa que abordei foi a depravação total, ponto mais ou menos pacífico da teologia calvinista e da arminiana. Bem, pelo menos em termos. Meu ponto de vista está bastante ao lado do de Arminius e, como apresentado, do de Ricoeur: Adão não foi o único homem com capacidade de escolha. Somos, todos nós, Adão e Eva.

O pecado é original em cada homem e mulher como entidade inescapável, ou melhor, como a inauguração cotidiana de uma condição nunca antes vista na imagem de Deus, ao invés de uma cronologia simples e rasa do primeiro homem.

Pensar que apenas Adão e Eva tiveram alguma escolha e que, após esses dois, toda a humanidade foi destinada a pecar independentemente de sua própria vontade, parece-me uma resposta muito superficial, vaga, incoerente e incompleta. Desculpem-me a sinceridade, mas isso cheira a “leite”.

Antes de falar sobre tal depravação (e voltarei para ela ainda um pouco aqui), fiz questão de começar esta série de textos pela condição necessária do raciocínio determinista, em vez de uma condição suficiente e, com a alegoria de uma noite de boa pizza, brinquei com o conceito esquizofrênico da expiação limitada.

Devo dizer isso mais uma vez: não tenho medo de falar mal do calvinismo, pois ele se presta, por si mesmo, a uma caricatura malvada, uma face incontestavelmente cruel de Deus. Nem Calvino, ao que indica, cria na expiação limitada. E, assim, o calvinismo talvez seja um primeiro passo para a compreensão do divino, do absoluto, do transcendente, mas certamente não pode ser o último, pois amordaça o amor em nome da soberania. Mais parece uma teologia com princípios de Política Internacional, em vez de uma teologia baseada no Deus do amor e da bondade. Esse prisma de leitura, pra mim, a não ser de forma oportuna demais, não serve.

O monergismo, ao tempo da Reforma, é aceitável, diante do quadro que se tinha então: uma igreja arbitrária, superpoderosa, mesquinha e sacerdotal que ditava as regras sobre quem ia e quem não ia pro céu.

O purgatório, a compra e venda de indulgências, os autoflagelos, um ser humano postado como substituto de Cristo, etc. tudo isso serviu como pano de fundo para uma teologia que, em verdadeiro grito de liberdade, confrontou a autoridade da ICAR, colocando o dedo na cara: quem é você, instituição, pra dizer o que o Deus do universo pode ou não pode fazer?

Quem é o papa pra dizer quem é e quem não é salvo? Quem salva é Deus! O homem não mete o bedelho nisso.

Pena, pena mesmo é ver que nossos amados reformadores também repetiram uma lógica de pequena inquisição, de anti-semitismo, segregação e limpeza moral, à moda da ICAR, em nome de sua Reforma. Reforma que, no final das contas, eu, como evangélico, embora reconheça erros, acho que foi o melhor acontecimento do ocidente.

Voltando e avançando no assunto, surge o ponto central do calvinismo: o determinismo. O resto é “penduricalho” filosófico.

Sem medo de errar, podemos colocar o calvinismo no mesmo lugar do determinismo e, como a ocasião vai pedir, pintar uma cruz na embalagem pra dizer que é o mesmo determinismo de sempre, mas, agora, cristão.

Entretanto, para entender o porquê do determinismo, expresso na eleição incondicional, temos de entender o mecanismo, a engrenagem que opera a salvação de tamanha força inevitável; a engrenagem do pensamento cristão que opera o pensamento exclusivista como uma conclusão à parte: a graça irresistível.

Diante do conceito da depravação total do calvinismo, a graça irresistível só pode ser entendida sob a forma de uma violação da vontade humana.

Isso deve ocorrer, pois a depravação é total, ou seja, o homem não tem nenhum meio de olhar para alguma coisa boa (como a salvação) e querê-la. É impossível. A depravação total deixa de ser apenas um estado de cegueira: é cegueira, surdez, demência, podridão, lama, lama e mais lama. O homem é um quase porco, deixou de ser homem. Nesse tipo de raciocínio, do homem pro diabo é um pulo.

E, para salvar alguém assim, somente um nocaute espiritual vai ser suficiente.

Ou estou enganado? Vejamos...

Se o homem tiver alguma centelha de desejo por ser salvo, isso significa que ele tem em si uma pontinha de dignidade que o retira de sua condição de depravação por algum momento, nem que seja por um momentinho de legalismo. Daí, ele deixa de ser um ser totalmente depravado, de onde se conclui que a depravação não é total (mesmo que ocorra por 99% da existência humana).

Portanto, para que haja coerência com uma depravação total, com o pecado original de Adão e qualquer outro tipo de raciocínio circular sem relação saudável com a realidade, somente uma graça irresistível para salvar o homem. Mas veja, mesmo que essa graça seja irresistível, ela pode ser irresistível e nunca entrar na vida dos homens.

Na verdade, a vida de depravação de todos os homens, que mesmo após a conversão deixam de ser, antes de qualquer outra coisa, depravados em partes de suas vontades justamente por abrirem mão de alguns desejos; enfim, a vida de depravação poderia olhar para uma graça inalcançável, mas nunca desejá-la, pois desejá-la seria transgredir a depravação.

Mas vamos além, olhar a irresistível graça.

Eu a creio irresistível, mas com a devida liberdade poética que o termo “irresistível” carrega consigo.

Irresistível como o mar, numa tarde de muito calor. Irresistível como água num deserto. Irresistível como os olhares da minha noiva.

Eu os desejo. Desejo, porque são coisas boas, são mesmo irresistíveis. O homem deseja a salvação, justamente pelo fato de ver que há uma saída da situação deplorável de seus outros desejos, uma saída da depravação para a condição de harmonia com o Pai das luzes.

E se não deseja, é porque não entendeu direito o que significa ser salvo. Ou, igualmente real, porque não quer ser salvo, não vê necessidade nisso, enxerga sua existência como a única que há e a única em que pode colocar suas mãos, ou digna de seus investimentos de tempo e intelecto.

Ele desvia o olhar para outra mulher, menos bela, mas mais possível. Em vez do mar, a piscina do condomínio. Em vez da água, acusa de miragem o que vê.

É questão, a meu ver, de vontade e não da castração da vontade.

A graça irresistível, tomada como um conceito calvinista, transforma a beleza de algo irresistivelmente terno, harmônico e amoroso, em algo que tem que ser imposto para conseguir seu efeito. É um estupro metafísico.

Quando somada ao princípio da depravação total, a graça irresistível torna algo que tem valor e potência inerentes e inegáveis (a graça), em algo que, destituído de tais virtudes, tem de se fazer valer pela força e por pequena violência.

Arrasta o homem de sua condição inicial à força para a nova condição de salvo.

Não permite a reflexão dos filhos pródigos, o arrependimento sincero, o enxergar de si consciente. Não permite um salto de fé.

Penso que devemos ir além: qual a extensão da graça irresistível?

Eu a creria se ela tocasse todas as pessoas.

Não parece ser o caso. Bem, não para o calvinismo, de qualquer forma. Faço questão aqui de não entrar na polêmica do inferno, pois essa gente que não é tocada pela graça irresistível vai toda para o inferno. Na verdade, seria melhor dizer que, de seres humanos, os não eleitos não têm muito. Podem muito bem ser vistos como um punhado de compostos orgânicos, um emaranhado trabalhoso de células, fluidos e incompreensões, sem qualquer propósito, que só faz atrapalhar a vida de gente que é gente mesmo. Eleita, escolhida, irresistivelmente agraciada.

Interessante mesmo é pensar: que critério Deus utilizou? Quero dizer, será que foi uma escolha aleatória? Do tipo “uni, duni, tê” ? Ou será que ele viu alguma coisa melhor em alguma porção de depravação que em outra? Se viu, é porque há os menos depravados, naturalmente melhores. Ou o raciocínio é o contrário: quanto maior a depravação, melhor a escolha?

Nenhuma dessas duas opções faz sentido, pois inclui um critério diante de algo que não necessita de critérios.

A graça irresistível, fica presa, se a eleição for incondicional. E a eleição fica presa se a graça for resistível. Esse é o paradoxo que machuca os cristãos sinceros em nossos raciocínios. Mas a saída é pensar mesmo que Deus é amor e nem sua graça, nem sua eleição estão presas.

A graça é maravilhosa, não violenta. A graça é maravilhosa, justamente por um pecador reconhecer isso com prontidão, de sua eficácia. “Maravilhosa”, “imensurável e sem fim”, “grandiosa”, “suficiente para mim”, diria o belíssimo hino.

Infelizmente, o calvinismo faz a suposição que considero a pior, pois alija a graça, querendo-lhe dar pujança.

Por outro lado, talvez seja frutuoso pensar na graça irresistível em sua profundidade nos crentes. A graça “terminou o serviço” ali na salvação? Ou continua tocando o crente, desculpe, o eleito, por toda a sua vida, não só indicando que caminho tomar, mas fazendo que ele ande por esse caminho, de forma igualmente irresistível?

Ou seja, o eleito faz tudo o que Deus quer? Sempre?

Caso não seja assim, por que a resistência?

Isso não me faz sentido. Melhor seria redefinir as coisas, em vez de forçar as marchas erradas para defender o vento, ou uma imagem de um deus que não se parece com Deus.

Mas a graça irresistível, como um empurrão contra a vontade, é apenas uma premissa, uma base para algo mais amplo, o suporte para a castração da liberdade. E tenho vontade de escrever isso em outro texto. De forma irresistível.

12 comentários:

Vania Brandão disse...

Olá André, como vão as coisas irmãozinho?

Li seu novo artigo; mas continuo gostando mais do primeiro. Porque a sua idéia de Pizza, foi divertida. Mas desta vez você parece ter esquecido seu bom humor em algum lugar. E escreveu um discurso cheio de escárnio.

André, toda a criação está em constante mudança e evolução. Mas Deus é Imutável. Como também é Soberano, com base neste atributo, Ele mesmo se revela ao homem, por isso Deus é Luz. Sim Deus é Amor, é Santo, Puro e Justo... E Jamais um atributo anula outro. Porque Deus é onipotente; Ele pode fazer qualquer coisa que lhe agrade, mas suas ações estarão sempre de acordo com o resto de seu caráter.
Se eu disser para você que o arminianismo faz Deus parecer fraco; complacente; e dependente da palavra final do homem. Você como bom arminiano; me dirá que estou enganada; Ele continua sendo Soberano, Justo e Onipotente. Então o "estupro metafísico" não parte da soteriologia, e sim de quem está expressando a opinião sobre ela.

A graça de Deus é teocêntrica. O objetivo final é que resulte em ação de graças a Deus. Em outras palavras, a graça de Deus termina finalmente em Deus, não no homem. Começa nEle e finalmente termina nEle. IICo 9:10-15.

Eu poderia lhe disser que o Arminianismo, está preso ao humanismo, ao pragmatismo, e até ao pluralismo. Mas qual humanismo? De Augusto Comte ou de Sartre? O pragmatismo de William James? O que homens que estão sempre, entre a heresia, e o ateísmo sabem sobre Deus? A filosofia faz parte de nós; ainda que não se saiba dar nome aos "ismos"; essas doutrinas foram desenvolvidas a partir da observação do homem. Mas como comparar o cotidiano da criatura com a do Criador? O determinismo de sempre; que trata de causas e efeitos, e da preservação da natureza do homem. Como pode ser aplicado ao Deus Soberano?
O determinismo teológico ou divino. É o ensino que o Deus pessoal da bíblia tem inteligente e imutavelmente pré determinado todos os eventos, incluindo todas as ações, decisões e pensamentos humanos, pela predeterminação tanto dos fins, como dos meios para esses fins. "Pois Deus está sempre agindo em vocês para que obedeçam à vontade dele, tanto no pensamento como nas ações." Fp.2:13

Preciso sair agora depois agente continua. Um abraço.

André von Held Soares disse...

Olá, Vânia.

Eu lamento que não tenha gostado tanto desse quanto do outro texto. Talvez o outro tenha ficado melhor mesmo.
Paciência, vejamos se o próximo vai melhor.

Acho que uma coisa precisa ficar mais clara: eu, a rigor, nem me considero arminiano. Acho que sou um pouco mais aberto que isso. Sem sombra de dúvida, se só há arminianismo e calvinismo, estou com o primeiro, como já escrevi antes. O que tenho certeza é de que não creio como o calvinismo e o acho uma explosão de falta de amor com os mais oprimidos, da maneira como ele é enunciado.

Vem cá, já que você gosta tanto do "determinismo divino" (escolheu mal o termo, hem?) diga-me, você crê que o último mendigo que você viu na rua estava lá porque Deus pré-determinou isso? Ou você não tem visto mendigos? O suicida tira sua vida por conta do mandado de Deus, seu criador?

Vem cá, o pecado, Deus pre-determinou? Calvino cria assim e os calvinistas vomitam esse lixo até hoje. Você acredita que Deus te manda pecar, de forma irresistível? Você não acredita mais no livre-arbítrio, como está escrito em outro comentário aqui, então, eu pergunto, seu pecado não é vontade sua, é de Deus?

O holocausto nazista, a escravidão dos africanos, o morticínio de índios, as grandes guerras, as tragédias com a chuva em Alagoas, foram estes alguns dos planos de Deus para suas criaturas? Planos desde antes da fundação do mundo?

Existe uma diferença básica entre algo estar determinado (eu saber a posição de uma bola e, por isso, a posição está determinada) e algo decretado como na pre-determinação (eu jogar a bola numa determinada direção).
Ficar repetindo que Deus determinou todas as coisas, não resolve, Vânia.
Quero respostas honestas: você crê que a miséria humana é pre-determinada por Deus? Deus tem prazer nisso? Se não tem, por que determinou?

Se você acha que essas perguntas são fáceis demais, todas com respondidas com um vibrante "sim, sim, Deus determinou tudo isso!", acho que precisa rever a vida e o amor pelo próximo. Em quais palavras de Jesus acreditar? Nas que ele diz que devemos amar a Deus sobre todas as coisas e, de forma semelhante, o próximo como a nós mesmos, ou as que colocaram na boca dele? Se o próprio Deus me manda amar, como coisa fundamental, como é que Ele não ama? Ele ama mais ainda!
E amar mais ainda, certamente, não significa determinar que um mendigo viva na rua.

Depois a gente continua.
Um abraço e a paz!

Vania Brandão disse...

Olá André, é bom conversar com você de novo.

Um dia destes, por acaso; entrei no blog de um teólogo presbiteriano, que defende o supralapsarismo, é verdade; há aqueles que defendem essa tese, ainda hoje. Não é o meu caso. Deus não é Zeus; não está sentado em seu trono brincando com a vida dos homens em seu "tabuleiro".

Eu tenho; por enquanto, somente três amigos calvinistas. Um deles se chama André, é seu xará. Os outros todos ou são arminianos, ou católicos. Meus irmãos, não demonstram essa dificuldade de compreender a soberania de Deus. Veja, ontem participei de minha última reunião de obreiros. Os irmãos ficaram preocupados porque não levei um nome para me substituir na tesouraria da igreja. Eles queriam sair de lá com um nome certo. O Pr. disse o seguinte: Irmãos o Senhor é soberano sobre nós, esta obra é Dele, e eu não tenho dúvidas que Ele já preparou esta pessoa, eu tenho dois nomes em minha mente. Ele vai confirmar o seu escolhido. Nós somos apenas seus servos, o servo apenas obedece. O pr. poderia ter dito que Deus determina; nós apenas obedecemos, você não acha?
Sábado foi ao velório do filho de um irmão muito amado. O moço com 20 anos sofreu um acidente de carro. E não resistiu. Ele pediu a palavra ao pr. da Igreja e orou dizendo; que entendia que Deus é soberano, que Ele determina a hora da morte; e que jamais perguntaria a Deus o porque de seu filho não ter escapado. (Os amigos dele, que estavam no carro somente se feriram)

Deus é benigno, o mal é a ausência do bem. Ou a ausência de Deus. Não foi Ele quem criou o pecado. O homem, em posse de seu livre arbítrio, desejou ser como Deus, conforme Lúcifer os instruiu. O pecado perverteu a criação de Deus. Eu sei que é simples de minha parte, mas as situações que você perguntou se não me abalam são conseqüências do pecado; e sim me entristecem, eu amo o próximo; nunca vou saber quem são os eleitos; ou vou amar somente os eleitos, Jesus amou a todos; curou e alimentou a todos; mas não salvou a todos; somente aos que o Pai lhe deu. O homem natural não sofre por causa das coisas espirituais. Deus endureceu os seus corações. conf. Rm 9:18 Eles estão anestesiado. Explosão de falta de amor seria se Deus, desse a todos os homens, que foram preteridos tal consciência. As pessoas que conheço, que até aqui não tiveram um encontro real com Cristo; demonstram tranqüilidade em relação a vida eterna. Geralmente dizem que Deus é amor. E nunca fizeram nada, que lhes fechasse a porta do céu. Eu também pensei assim por muito tempo. Me converti com 20 anos. Dizia aos "crentes" nunca roubei ou matei, ou bati em meus pais; e sei que Jesus morreu na cruz. Já vi esse filme na semana santa. É claro que vou para o céu.

Quanto aos que vão para o inferno, nunca me ensinaram o contrário. Até porque a doutrina da morte eterna, é o outro lado da doutrina da vida eterna. A unica diferença é que antes eu achava que poderia evitar que alguém fosse para o inferno; hoje sei que não é possível.

Quanto a graça de Deus. Se a Graça fosse irresistível e a eleição condicional. A chamada fosse através de sinergia como ensinava Pelágio. Então a verdade estaria no universalismo. E todos nós poderíamos parar de resistir ao mar; a água fresca e ao sexo oposto. Porque no fim, após uma breve sentença todos realmente entrariam no céu. Esse conceito realmente é justo e amoroso. Mas é bíblico? É verdadeiro? Eu acho melhor agente estudar um pouco mais sobre antro-morfismo!

Como é feita a escolha de Deus? Não faço idéia. A unica certeza é que em mim, se hoje não há virtude que justifique; imagine antes. Quando eu estava no charco de lodo. Você pensou em "Une dune te" eu pensei em "mal me quer bem me quer". (risos)

Votos de saúde e paz. Um abraço.

André von Held Soares disse...

Olá, Vânia!
Bom você sempre voltar.
Mas serei muito breve: não é possível haver livre-arbítrio e predeterminação ao mesmo tempo.
Não sei porque você insiste nisso.

Minha irmã, vou falar em amor isso: você está indo e voltando com essa história.

Por outro lado, tem como ter livre-arbítrio e presciência.
Pode ficar como Spurgeon, que dizia que são linhas paralelas que nunca se cruzam e coexistem, mas acho que isso só é apelar para o mistério.
O problema é que o calvinismo, em vez de resolver o problema fundamental da teologia, o problema do mal e do pecado, traz pra dentro de si um deus vilão e herói. Eu fico só com o Deus herói.

Deus permite e mesmo acolhe a morte de seus queridos, mas amou a todos e, creio eu, gostaria muitíssimo de ter todos ao Seu lado não por força Sua, mas pela vontade de estar junto dEle.

Um abraço e fique em paz.
Vou orar por você, independentemente dessa nossa pequena querela.

Vania Brandão disse...

Olá André.

Desta vez amadinho, foi você quem se confundiu, eu nunca escrevi que Adão não tinha livre-arbítrio ANTES da queda.

Ore sim, por mim e minha pequena família, você e os seus estão em meu coração.

No mais: ...a vida é mesmo assim; dia e noite, não e sim...

Um abraço. Sola Gratia!

André von Held Soares disse...

Prezada Vânia,

"O homem, em posse de seu livre arbítrio, desejou ser como Deus, conforme Lúcifer os instruiu."

Por "homem" e pelo plural no pronome "os" eu achei que você se referisse a qualquer homem, não só a Adão.
Como escrevi anteriormente, não partilho da interpretação do pecado original como exclusivo de Adão, ou do primeiro homem.
Se não me engano, Gottwald faz uma abordagem interessante sobre a terminologia de Adão, como vermelho, de uma terra vermelha, adamah, que ficava ao norte de Israel. Mas, provavelmente, estaremos em pólos opostos neste tipo de discussão que definitivamente não cabe aqui.

Um abraço e a paz pra ti, minha irmã.

Marcio Alves disse...

Olá André, beleza?

Através de seu comentário em meu blog, tive a curiosidade de conhecer também sua sala do pensamento.

Olha rapaz de cara tenho que lhe dizer que você escreve umas coisas bem interessantes por aqui.

Será que posso te dar duas dicas no que tange a escrever textos? Não quero que se sinta ofendido de maneira nenhuma, mas apenas contribuir com seu – muito bom – blog.

Primeiro; escravas textos menores, se o que tiver para dizeres for muita coisa e não poderes sintetizar, transforme seu texto em varias postagens, pois textos muito longos, apesar da alta qualidade, cansa os leitores.

Segundo, escrevas dando espaço entre um parágrafo e outro, como estou fazendo neste meu comentário, pois facilita e muito a leitura, além de deixar ela mais gostosa.

Agora entrando no teor do texto, você escreve muito bem, e tem uma acurada reflexão, e é muito bem articulado nas idéias.
Você escreveu muitos pontos que dariam meses de discussões, como não tenho muito tempo disponível, vou me atentar sinteticamente em uma delas.

PECADO ORIGINAL: Gostei da sua definição, também assim como você, não concordo que o homem seja totalmente depravado, acho que na ânsia de valorizar a soberania e bondade de deus, os reformadores diminuíram demais, ao ponto de excluírem a dignidade dos seres humanos.

Mais não acredito que o pecado – como afirma Paulo, que se diga de passagem, Jesus nunca falou de Adão e Eva, e nem sobre esta doutrina Paulina de queda, o que é lamentável, pois os evangélicos interpretam Jesus e toda a bíblia através do “calvinista” Paulo – tenha entrado no mundo através de Adão e Eva, nem muito menos o mal, pois para mim, o ocorrido no Eden é apenas um mito dos judeus, assim como a caixa de pandora dos gregos, que tentam através de fabulas, explicar o mal no mundo.

Sendo assim o mito do Eden simboliza para mim, uma queda para cima em não para baixo, pois através desta “queda” os olhos dos homens se abriram e passaram a ter consciência do bem e do mal.

Então se para Calvino a queda foi total, e, se para Armino ela foi parcial, para mim não há uma queda, pois não há factualidade no conto do Eden.

Bem, vou parar por aqui, depois volto e continuamos nossa troca de idéias, pois é justamente nos debates que nos levam a uma alta reflexão.
Alias, também te espero em minha sala para também lá, discutirmos algumas idéias, mas claro, sempre respeitosa e amigavelmente.

Abraços

André von Held Soares disse...

Olá, Marcio!

Obrigado pelo seu comentário e pelas dicas. Eu mesmo já tentei diferentes modos de postagens. Com espaçamento entre os parágrafos, variação no tamanho das letras, etc. Mas acabei cansando depois de um tempo.

Mas acho que você tem razão: o espaçamento entre parágrafos pode mesmo servir bem. Farei isso no próximo texto, em sua homenagem.

Em relação à teologia, não sei se leu o outro texto, de número II, em que transcrevi parte do pensamento de Ricoeur. Eu penso de forma bastante parecida com ele.

Na verdade, eu mesmo acho que tomar os sentidos postulados por Calvino e Armínio de forma completa como foram então, sem reflexão atual, torna o debate teológico anacrônico.

Mas também não sei se a queda foi para cima. Na verdade, a queda é uma apropriação do pensamento platônico pra dentro da teologia bíblica.

Eu também acho que Gênesis precisa ser melhor interpretado do que uma cronologia rasa da entrada do pecado no mundo, quando, no início, temos o perfeito e, um segundo, depois o imperfeito.

Esta série de textos, contudo, ainda não se presta à reflexão total do que penso, mas a uma crítica do calvinismo, à moda dos 5 pontos do Sínodo de Dort.

Bem, de qualquer forma, fique à vontade.
Um abraço e a paz!

Thiago M. Paixão disse...

confesso que nao quero mais saber dessas vãs e vis teologias. faço a minha e sou feliz. rsrs. mas uma coisa eu gostaria de pontuar. não somos inculpáveis dos nossos erros, mas também não acho que temos a capacidade de não errar. acho que livre arbítrio não existe no sentido real da palavra, livre capacidade do ser humano de fazer suas escolhas. mas não tö a fim de argumentar isso. Não gosto de Calvino, mas entre ele e Arminio, ele é menos piorzinho. rsrs. É melhor a humanidade nas mãos de Deus do que nas nossas.

Abraços

André von Held Soares disse...

Salve, PX!

Que beleza, você por aqui!
Muito obrigado pelo comentário.
Bem, cada um na sua teologia, sempre valorizando a Cristo, é o que acho.
Mas, cá entre nós, Calvino, pelo pouco que li, não me desce no que diz respeito à doutrina que lhe legou fama.
Um abraço e a paz!

Luiz Asp disse...

Acho seu conceito de irresistível uma negação... rs

abração!

André von Held Soares disse...

Salve, Luiz!

Obrigado por ter vindo aqui. Faz tempo que não te vejo.

Não sei se te entendi direito: a irresistibilidade de verdade, ou pelo fato de eu estar um tanto relapso e não ter ainda um novo texto?
Caso seja essa segunda, hehe, obrigado pelo puxão de orelha.

Volte mais vezes.
Um abraço e a paz!

Vil Homem Simples


"E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai."(João 1,v. 14)
Sempre existiu algo intangível na Palavra. Mas isso já foi quebrado.