8 de abril de 2010

Tempos de medo


Esta tem sido uma semana de caos. Caos, no sentido comum e vulgar do termo, mas ocorrendo de forma ordenada, ou sequencial: catástrofe natural, alimentada pela imprevidência e fragilidade do governo municipal e, por fim (ao menos por hora), bandidagem.

Escrevo isso havendo agora, há uns 10 minutos, subido de forma ligeira para casa, por conta de rumores de arrastão em toda a região de Niterói. O jornal já confirmou pelo menos no centro um movimento de arrastão, em que bandidos roubaram as lojas. Na verdade, assaltaram e, pela boataria, trocaram tiros. Vi carros policiais com sirenes altas e um carro de choque correndo por aqui.

O que me fica muito claro nesse tipo de experiência são a vulnerabilidade e os sentimentos generalizados de impotência e de incompreensão.

Não houve solidariedade da prefeitura em gastar o dinheiro previsto em cuidados básicos, como saneamento, infra-estrutura e habitação. Dá no que dá: bandidagem que cresce e mostra os dentes quando perde tudo e, possivelmente, alicia, influi e corrompe gente que nada tinha a ver com tráfico. É uma situação estruturalmente complexa que pede urgência, ou só piorará. É o fim dos tempos, todos cremos, mas nem por isso só há irreversibilidade em tudo.

Nosso prefeito de Niterói, um pulha, na hora de mostrar a cidade, o faz através dos moldes mais toscos e politiqueiros. Tomemos como exemplo rápido o “Fast Triathlon” que houve na praia de Icaraí, poucos meses atrás. A praia é infecta, a plaquinha da FEEMA não sai dali, dizendo que o local não é balneável e fazem um mega-evento com direito a cobertura da rede Globo.

Não dá pra levar a sério um governo desses, que cobra R$3,00 por 3 horas de estacionamento público (entenda-se, na rua) e ainda permite que flanelinhas deixem suas marcas artísticas nos veículos quando a pessoa se nega a pagar sua esmola. Onde está o trabalho dessa gente e o policiamento? Isso fora as multas...

Na verdade, o pior de tudo é o que foi dito no começo: e esse descaso com as populações mais pobres? Será que o povo vai ser enganado eternamente e votar nessa bandidagem que só é diferente dos bandidos do arrastão por fazerem um arrastão civilizado, com o endosso das ferramentas do Estado?

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Vil Homem Simples


"E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai."(João 1,v. 14)
Sempre existiu algo intangível na Palavra. Mas isso já foi quebrado.