1 de março de 2010

Monkey business science

Um amigo meu me mandou um e-mail com a notícia abaixo e eu lhe respondi com o e-mail que segue ainda abaixo.

Estudo liga infidelidade masculina a QI mais baixo

Psicólogo diz que homens que não traem as parceiras são mais inteligentes e 'evoluídos'.

Da BBC

Homens que traem as esposas e namoradas tendem a ter QI mais baixo e ser menos inteligentes, segundo um estudo publicado na revista especializada "Social Psychology Quarterly". De acordo com o autor do estudo, o especialista em psicologia evolutiva da London School of Economics, Satoshi Kanazawa, "homens inteligentes estão mais propensos a valorizar a exclusividade sexual do que homens menos inteligentes". Kanazawa analisou duas grandes pesquisas americanas a National Longitudinal Study of Adolescent Health e a General Social Surveys, que mediam atitudes sociais e QI de milhares de adolescentes e adultos. Ao cruzar os dados das duas pesquisas, o autor concluiu que as pessoas que acreditam na importância da fidelidade sexual para uma relação demonstraram QI mais alto. De acordo com o estudo, o ateísmo e o liberalismo político também são características de homens mais inteligentes.

Evolução

Kanazawa foi mais longe e disse que outra conclusão do estudo é que o comportamento "fiel" do homem mais inteligente seria um sinal da evolução da espécie. Sua teoria é baseada no conceito de que, ao longo da história evolucionária, os homens sempre foram "relativamente polígamos", e que isso está mudando. Para Kanazawa, assumir uma relação de exclusividade sexual teria se tornado então uma "novidade evolucionária" e pessoas mais inteligentes estariam mais inclinadas a adotar novas práticas em termos evolucionários - ou seja, a se tornar "mais evoluídas".Para o autor, isso se deve ao fato de pessoas mais inteligentes serem mais "abertas" a novas ideias e questionarem mais os dogmas. Mas segundo Kanazawa, a exclusividade sexual não significa maior QI entre as mulheres, já que elas sempre foram relativamente monogâmicas e isso não representaria uma evolução.


fonte: http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL1510016-5603,00-ESTUDO+LIGA+INFIDELIDADE+MASCULINA+A+QI+MAIS+BAIXO.html

O e-mail:

Nossa, que pesquisinha medíocre, hem?
Vale tudo pra dizer que ateu é melhor que qualquer crença, até mesmo dizer que monogamia é mais evoluída. Impressionantes as "coincidências".
Correlações estatísticas têm que ser rigorosas, ou não valem nada.
É possível correlacionar, virtualmente, quaisquer duas coisas, sabendo manipular bem os dados, sem que isso seja necessariamente verdade.
Embora eu seja monogâmico e tente meu melhor no assunto, esse é o tipo de pesquisa que franqueia um olhar secundário ao próprio valor da monogamia. Deixa de ser algo poético, amoroso e, necessariamente, com as aspirações de eternidade e de vislumbre do inefável, para virar pulsões soltas, sem explicação "mais evoluídas". Aliás, o que isso quer dizer? Uma ameba é mais evoluída que um dinossauro, pois soube se adaptar. Como fica isso com "monogâmico" e "ateu"= "mais evoluído"?
Me impressiona ver que estão querendo empurrar tudo para a evolução darwiniana, mesmo que ela seja uma teoria em franco declínio científico atualmente, mesmo por gente que nunca professou fé institucional alguma.
Além disso, brincando nos moldes estritamente darwinianos de variação ao acaso, nada se pode inferir no que diz respeito a valor. Isso é mais evoluído que aquilo, simplesmente não existe, como no caso da ameba. É jogo de palavras. Com mais evoluído, quer-se dizer melhor adaptado, pois o próprio homem não pode ser visto como mais evoluído que uma mula.
E outra, quem disse que ainda Darwin está perenemente com a razão? Não passa no mais simples teste de bioquímica. É que nem a física clássica. Explicou muito até o século retrasado, mas hoje, com os conhecimentos da célula, da complexidade de engenharia nanotecnológica que em lugar nenhum do mundo se reproduz nem com a mais alta tecnologia, além do fato de nenhum experimento de nenhum tipo comprovar (nem os de síntese de aminoácidos, nem os de mutações induzidas, nem as simulações de computadores de alto processamento para acelerar as previsões - condensar os bilhões de anos que o universo realmente parece ter - em modelos que só utilizem padrões "variação ao acaso"+"seleção natural" produzem alguma coisa).
Embora haja hoje um impressionante debate sobre planejamento, design, sistemas bioquímicos complexos irredutíveis (sem possibilidade de começo por ligeiras modificações de partes), é incrível que qualquer coisa possa ser dita por um psicólogo evolucionista e ganhe destaque na mídia.
É que nem especular quantos anjos há na ponta do alfinete. Metafísica pura, com roupagem física.
O espaço pros valores é mínimo. Parece-me um calvinismo às avessas, em que quem dita as regras é, no fundo, o mistério sagrado da loteria genética. Se daqui a pouco começarem a justificar o absolutismo e todo o Antigo Regime, por ser legítimo aos olhos da seleção natural, excluídos outros fatores sócio-econômico-afetivo-políticos, eu não ficaria impressionado.
Isso me faz lembrar as antigas alegações de que os gays são mais evoluídos também (aliás, o Elton John fez uma esses dias)... Só que aí, parece que é demais. Comecemos por coisas mais fáceis de engolir.
E eu que pensava que o Morin tinha sido levado a sério no aspecto social... ou mesmo no bio-epistemológico-complexo, que tem muita enrolação, num modelo que é criado para ser entendido, sem levar em conta que a definição chave é um conceito humano - a máquina. Mesmo levando a sério o Morin, esse tipo de pesquisa é palhaçada.
Depois de falar de complexidade, tirar conclusões simplistas é um heresia.
Enfim, não sei o que você achou desta notícia, mas isso aí é enganação mal intencionada.
Um abraço,
André

Um comentário:

Renner disse...

A torto e a direito eu tenho me deparado com essa pesquisa e o alarde infantil que vejo sendo feito. Mas pra não perder a piada, tenho ouvido mesmo que o homem realmente inteligente é o que nunca é pego no adultério, hehe. Parafraseando o Gil em uma de nossas conversas: esse mundo nosso não é sério. Abração.

Vil Homem Simples


"E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai."(João 1,v. 14)
Sempre existiu algo intangível na Palavra. Mas isso já foi quebrado.