19 de janeiro de 2010

L'élégance du concept


Gilles Deleuze defende a noção de uma história não cronológica, muito mais descrita por linhas conceituais que "cercam" e tratam das circunstâncias, do que desenhada por um trilho certo à frente, evolutivo e progressivo. Este tipo de pensamento é observado quando se sobe aos Mil platôs de Deleuze e Guattari e, dali, são miradas as linhas e os contornos dos eventos, dos acontecimentos, como formas de uma geometria interconectada.
Isso seria bem descrito como uma topografia, ou melhor, uma cartografia de eventos, situados no tempo. O espaço histórico, em oposição, e com um certo prejuízo, em relação ao tempo. Um crescimento rizomático e, por consequência, orgânico e fractal (caótico, talvez) dos conceitos interrelacionados. Uma história geográfica.
Em um conceito bem mais concreto, mas não menos delicioso, o pensamento de Milton Santos sugere um contra-ponto necessário aos filósofos franceses: "território é a acumulação desigual de tempos."
Se em uma mão temos os mapas da história, na outra o relógio da geografia não deixa de marcar os progressos e delimitações de um espaço concreto, fluido no tempo.
Impossível deixar de viajar por tão tentadora trilha de imagens, caminhos e paisagens, criada na elegância, com ambas as mãos cheias de mapas e bússolas temporais e com um relógio espacial no punho.

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Vil Homem Simples


"E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai."(João 1,v. 14)
Sempre existiu algo intangível na Palavra. Mas isso já foi quebrado.