26 de abril de 2009

Luta de Fé

Não é fácil conviver com a diferença. Eu digo pela minha própria experiência.
É uma situação delicada amar uma pessoa e, ao mesmo tempo, no fundo, sentir uma espécie de incompatibilidade de ideias e de caminhos de vida. Dentro e fora dos nossos muros eclesiásticos, isso sempre foi difícil, nas diversas relações humanas: amizade, namoro, trabalho, etc. Ninguém vibra quando outro chega e diz que não gostou disso ou daquilo que fizemos ou pensamos, mesmo que os resultados de nossas ações sejam meros sentimentos sem muita importância prática.
Não seria isso uma espécie de oferecer a outra face? Honestamente, é muito difícil dar a outra parte do rosto, ou das nossas convicções, pra baterem. Ninguém quer.
Uma situação em que cedemos mais um lado a alguém, implica que já demos o primeiro lado. A pessoa já bateu e não vai parar ali. O evangelho, em afirmação de Jesus, em Mateus 5:39, diz o seguinte: “Eu porém vos digo que não resistais ao mal; mas se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra.”
Difícil... dar a cara pra baterem, depois de já ter tomado uma surra?
Para nós, como grupo, igreja, dar a outra face é colocar a fé no campo de discussões e ver baterem nela à exaustão. Quando termina a discussão, faz parte oferecer outra parte pra que também seja exposta. Não só dá pena, mas até um pouco de medo. “E se ela morrer?”
Por que tamanha loucura?
Eu diria que o cristão pode se dar a este luxo, pois, embora ajudem, não são doutrinas, nem dogmas, nem a História, nem milagres, nem mesmo argumentos que sustentam a nossa fé, mas o próprio Deus. Esta é a nossa aposta, nosso grande investimento e nossa firme esperança. O Deus eterno, Ele sim, e não algo que se diga sobre Ele, é quem tem o maior interesse por nossa fé e a sustenta com amor, fazendo da nossa fé ponte para que, mesmo no aparente descrédito, o amor convença quem bate, antes de qualquer outra coisa. Este é o mistério da beleza da fé: apoiar-se no próprio Deus, em relação de amor.

5 comentários:

Bianca disse...

"Eu porém vos digo que não resistais ao mal; mas se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra”...

Pra mim, relacionando esta passagem com o seu texto, a fala de Jesus pode estar ligada às nossas convicções mais profundas... Dar a outra face significa que já cedemos a primeira, mas se desistimos da nossa convicção, não teremos mais motivos para apanhar na segunda metade, porque fomos moldados, fracos, covardes ou até fortes demais. Pois os fortes-demais não sabem ouvir e nem ceder quando necessário.

Dar a outra face significa passar pelas tempestades de argumentos, posturas, revoltas, contrastes, desdéns, e mesmo que tudo voe embora no vento... nossa linha permanece ligada ao nosso Deus. E certamente Ele nos bastará. O Amor sempre encontra um caminho...

[O Seminário começou a fazer efeito, André? haha... brincadeira.]

beijos!
=]

Miguel Del Castillo disse...

rapaz, bom que você tá de volta no mundo blogueiro, hehe.

obrigado por me lembrar desse desafio.

um abração!

PS: eu ia comentar sobre o seminário, mas já que a Bianca se aventurou.. haha
PS2: meu blog tá cheio de coisa nova. não sei se viu. hehe. até!

patrícia disse...

difícil mesmo se submeter ao outro de maneira tão insistentemente vulnerável. difícil esperar até que o amor triunfe sobre a violência de quem bate e convença. isso me faz pensar o quanto nossa humanidade é sobrehumana em Deus, a ponto de sermos capazes de obedecer a esse mandamento sabiamente louco. e loucamente lindo.

texto boniiiito! :*

Gil disse...

Ah, André, gostei disso! Nunca nem tinha pensado a esse respeito. Estou mais sábio neste momento. E que a vida ponha essa sabedoria à prova. Que medo!

O Reina disse...

Sinto-me feliz por ter conversado com você antes de ler. Li contextualizado.

Também nunca havia pensado nisso e normalmente saio mais sábio depois de uma prosa com você ou sua.

Abraços

Vil Homem Simples


"E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai."(João 1,v. 14)
Sempre existiu algo intangível na Palavra. Mas isso já foi quebrado.