7 de janeiro de 2009

Tempo e tempos


O tempo é uma entidade, ou uma grandeza, para não causar estranheza anti-científica, muito interessante.
Não é de se admirar que, na mitologia grega, Cronos, deus do tempo, comesse seus filhos.
Esta é uma das estórias mais ricas de sabedoria que eu já ouvi.
Cronos é filho do céu (Urano) e da terra (Gê ou Gaia) e castra seu pai, usurpando-lhe o poder como deus soberano no Olimpo.
Entretanto, uma profecia dizia que ele seria derrotado por um de seus filhos. Por isso, Cronos come seus filhos assim que eles nascem, mas sua mulher e irmã, Réia (uma titã associada à fertilidade) consegue esconder de sua fome o caçula, Zeus, que, por fim, realiza a profecia, força seu pai a vomitar seus irmãos deuses e torna-se o maior dos deuses do Olimpo.
Ok, vamos deixar a Teogonia um pouco de lado...
O tempo, classicamente, é um inimigo: castra o pai, come os filhos e é mandado embora.
O interessante da estória é que ela apresenta certa vulnerabilidade, inexistente na realidade, do tempo: ele pode ser forçado, pode ser vencido, pode ser derrotado.
Zeus consegue vencê-lo depois que cresce e torna-se adulto. Ele encara o pai, enfrenta-o.
Entretanto, digamos que há aqui uma igualdade de condições, pois ambos são seres da mesma categoria: deuses inexistentes. Nenhum deles vai reclamar da estória, ou se sentir mais lesado que o outro.
Cavando um metro mais abaixo, convidaria a examinarmos o que diz o Pregador a respeito do tempo:
"O que é, já foi; e o que há de ser, também já foi; e Deus pede conta do que passou.
Vi mais debaixo do sol que no lugar do juízo havia impiedade, e no lugar da justiça havia iniqüidade." (Eclesiastes 3 vs. 15 e 16, Almeida Corrigida e Revisada Fiel).
O "nosso" tempo, realmente, está infectado pela impiedade e pela injustiça e estas coisas só fazem voltar a acontecer, desde sempre, desde que há homem.
Mas Deus se fez um igual a nós e lutou contra o nosso tempo, contra o nosso século, contra o sistema que parece opressivo e mortal.
Cresceu e viu coisas crescerem. Viu seu corpo se desenvolver, seus raciocínios progredirem e viu seus irmãos também crescerem. Inseriu-se no tempo, na irreversibilidade que conhecemos e na pequenez que somos.
E foi atropelado também pelo que nossa natureza conhece bem e luta com todas as forças, como a indicação maior do tempo: a morte.
Há um Deus no céu, que desceu à terra, lutou como homem e forçará o tempo a entregar seus filhos na hora certa.
Há um Deus no céu, que gerou o próprio tempo e o tem em si, o tempo e tempos, tempos eternos, novos e de novos ares.

3 comentários:

Liege Lopes disse...

Uma coisa eu sei sobre o tempo: podemos perdê-lo ou gastá-lo.
Que beleza contar os meus dias (tempo) em tão boa companhia!
Beijos!

Renner disse...

Um texto curto?!! Por acaso anda sem tempo?? Esse tal de Pregador disse que há tempo pra todo propósito sobre a terra. Que tal um tempinho pra um café dia desses?

Gil disse...

Fazia tempo que não vinha por aqui... Bela reflexão, meu caro amigo!
Abraços!

Vil Homem Simples


"E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai."(João 1,v. 14)
Sempre existiu algo intangível na Palavra. Mas isso já foi quebrado.