30 de agosto de 2008

Resumindo

Faz quase 6 meses que desci do avião em Frankfurt e vim para Mannheim.
Daqui a 18 dias, se Deus quiser, vou descer do avião no Rio de Janeiro e vou para Nova Friburgo.
Pra começar a contar desde o início é até meio difícil, pois como todo bom caldo, a conversa só engrossa e fica melhor depois de um tempo em que a sopa já foi esfriando. No extremo calor ninguém sente o gosto, mas só sabe que está tomando alimento.
Assim são as experiências da minha vida: eu as percebo depois de um tempo.
Mas vamos tentar resumir.
Eu cheguei aqui na excitação normal de todos os que saem de casa pra novas jornadas. Não sabia ao certo o que me esperava. Só sabia que haveria um projeto que eu faria e que deveria aprender o alemão.
O projeto, eu diria que foi bom e na verdade menos complicado que eu esperava. O alemão, eu diria que é uma língua bem mais complicada que o meu projeto.
Mas aqui eu percebi algumas coisas da linguagem, de como nos comunicamos, de suas funções no dia-a-dia.
Nem tudo que a gente fala faz sentido pra todo mundo. A gente tem que encontrar meios de se expressar que sejam práticos a princípio. A poesia e a arte só vêm bem depois.
Mas, mesmo assim, fui a museus aqui em Mannheim. Lembro que logo no incício, houve um evento chamado "Lange Nacht der Museen", em que os museus ficaram abertos à noite para a visitação. Foi neste dia em que conheci melhor alguns brasileiros aqui, os quais ficaram muito meus amigos. Diria com muita alegria de companheiros de Döner, de viagens, felicidades e dificuldades.
Aliás, logo no começo fizemos uma viagem muito legal para a Itália. Diria que de um jeito muito pouco provável. Viajamos uns 3500 km pela Itália, conhecendo um bocado de lugares, num carraço, numa Mercedes Benz Classe C, para o seguro da qual nós não teríamos nem um ceitil, caso ocorresse algo. E, em se tratando de Nápoles, Roma e Florença, isso seria de se esperar.
Aqui eu descobri um podrão de qualidade inigualável: o Döner.
É um sanduíche feito pelos turcos e vendido em tudo quanto é canto aqui na Alemanha.
Bem, caso alguém venha a Mannheim, eu recomendaria fortemente ir ao City Döner, em frente à estação de trem. Um delícia e preços baratos. Neste tempo aqui eu fui um cliente assíduo.
Falando em comida, sempre um bom assunto, em Munique eu comi uma salsicha muito boa, a "Weiße Wurst" típica da Baviera. Com uma mostarda agridoce de mel, aquilo é uma delícia.
Mas, cá entre nós, comida, definitivamente, não é um ponto alto na Europa, eu diria. Não para um brasileiro, ou pra quem já comeu na casa da minhã avó.
Em Munique visitamos o Olympia Park, onde foi o atentado terrorista de 1972; a Hofbräuhaus, onde tomei 1 litro de cerveja num daqueles canecões (Maß) e ouvimos musiquinhas típicas da cultura da cerveja.
Ah, foi antes de encher o caneco que nós fomos a Dachau. Conto isto mais ou menos num outro texto aqui. Chocante.
Nesta mesma viagem, fomos ao castelo Neuschwanstein do rei Luís II. Muito bonito, mas o cara era muito afetado. Pra quem sonha com castelos e contos de fadas, este é o lugar ideal. Aliás, por si só, o lugar já vale a visita, graças à beleza dos Alpes. Fomos também rapidamente a Salzburgo, Áustria, cidade do grande Mozart.
Nestas viagens, geralmente íamos em grupo. Um bom grupo de brasileiros que se juntava pra desbravar outra terra, fosse qual fosse.
Quase me esqueço de dizer, mas a primeira viagem que fizemos foi a Estrasburgo, na França, com um grupo misturado de sulamericanos: uma chilena, uma venezuelana, um colombiano e 4 brazucas.
Vimos uma catedral muito linda lá, a Notre Dame e foi uma loucura pra pedir a comida no restaurante, já que ninguém se entendia.
Quanto a viagens, eu diria que aprendi algumas coisas.
A primeira é que o grupo com quem você viaja é muitíssimo importante. Por sorte, meus companheiros foram muito bons, sempre, não tenho de que reclamar. Tivemos boas conversas, bons comentários sobre as coisas que víamos, e diria que não havia arrogância diante do que conhecíamos juntos. Todos queríamos experimentar as boas oportunidades de viajar.
Dito isto, diria que a melhor viagem foi à Grécia e Inglaterra. Um grupo muito legal e os lugares muitíssimo bons.
Bem, era a Grécia, né...
No primeiro dia desta viagem fomos a Milão, de onde sairíamos para Atenas, e visitamos a cidade. À noite, por sorte pegamos um show da Rihanna numa das ruas principais lá, em frente à estação de trem.
Foi ótimo! Um show de graça, da MTV, em Milão... Uma superprodução.
Nós dormimos em hotéis separados e, por isso, eu fiquei sozinho.
Fui sozinho pro meu hotel e, com medo de perder o avião que partiria muito cedo no dia seguinte pra Atenas, arrumei tudo e já fui pra estação de trem logo de madrugada.
Como demorou para que os outros chegassem e eu estava com sono, coloquei minha mochila no chão, numa escadinha em frente a uma vitrine e deitei ali minha cabeça.
Depois de um tempinho eu acordei. Ainda não tinha dado o tempo. Voltei a dormir.
Sim, eu dormi na rua.
Aliás, pelo olhar das pessoas que passavam, acho que eu não era algo bonito de se olhar em meu sono matinal.
Bem, por sorte, o tempo passou, meus companheiros de viagem chegaram e fomos ao aeroporto.
Chegamos em Atenas e passeamos bastante e vimos a troca de guarda mais engraçada em frente ao Parlamento.
Bem, na Grécia se fala grego mesmo. Eu bem que tentei aprender alguma coisinha. Tentei saber de uma menina se a palavra "água" era "hidro" e pra minha decepção, não era. É "neró". Bem, este evento rendeu algumas risadas, pois pensaram que eu estava passando uma cantada na menina, mas quando viram que eu perguntava sobre "hydrogen", "hydro", fizeram questão de me tirar dali, pois estava queimando meu filme com a greginha.
Fomos à ilha de Santorini.
Olha, eu já tinha visto coisas belas na minha vida, mas este lugar entra como um dos mais bonitos do mundo com facilidade.
Fomos para lá em grande estilo, num navio. Chegando lá, arranjamos carro e rodamos a ilha.
Tudo bom demais. Demais mesmo. Demais demais demais. Olha, se puder, vá à Grécia, especialmente pois lá as coisas estavam mais baratas que no resto dos lugares que visitamos.
Me ensinaram a utilizar o banheiro de modo apropriado ("Piazão, dica quente: vou te ensinar a cagar!") e passamos um calor impressionante. Eu até tentei dizer "omorfo koritsi" pra algumas passantes em frente à Acrópole, que deram umas risadinhas.
Depois do calor grego, fomos à Inglaterra, diretamente a Londres.
Excelente. Cidade belíssima, charmosíssima e caríssima, mas certamente encantadora.
Nos perdemos algumas vezes e comemos em McDonald's, pra variar.
E tive a oportunidade ímpar de assistir ao "Monty Pithon and the Holy Grail" ao vivo em espetáculo. Muito bom e engraçado.
Bem, quem leu até agora deve estar falando: mas este moleque é um filhinho de papai mesmo, né? Viajou a Europa toda e com que dinheiro?
Em minha defesa, eu agradeceria ao governo alemão e ao instituto Albert und Anneliese Konanz pelas bolsas que me deram pra estudar, que também entraram na conta das viagens, com muito gosto.
Mas é claro que família ajuda nisso também.
Aliás, meu avô veio à Europa pra um congresso de teologia e depois foi visitar um amigo na Espanha.
E eu, naturalmente, não pude deixar de aproveitar a oportunidade.
Parti de um dia pro outro pra Sevilha. De lá viajei com meu avô e seu amigo para Lisboa.
A experiência de falar o Português com um português é pra mim um pouco emocionante. Ainda mais na terrinha.
Fiz um tour relâmpago por Sintra, Caiscais e pelo centro de Lisboa, muito bem acompanhado por uma família local amiga de meu avô.
Depois fomos a Madrid, onde entrei no Museo del Prado e vi outras pérolas da arquitetura espanhola.
Voltei a Sevilha e visitei seu centro e a inesquecível Plaza de España. E, é claro, sempre que dava eu tentava meu Portunhol.
Conheci gente muito especial na Espanha e em Portugal. Gente muito amiga, cristã e engraçada.
Não só lá conheci gente boa.
Em Berlim também, fiquei na casa de uma brasileira casada com um alemão. Foi ótimo.
Aliás, devo mencionar algo que esqueci de dizer: os free-tours.
Se você vier à Europa procure um free-tour, pois eles são a melhor pedida para uma visita interessante na cidade.
Os de Munique, Berlim e Londres eu garanto que têm uma qualidade fenomenal. Creio que há também em Paris e Amsterdã. São mesmo de graça, mais eu recomendaria seriamente a dar uma gorjeta ao fim do tour, pois o pessoal trabalha nisso. Ousada a idéia, eu achei.
Mais uma viagem que fiz foi para Luxemburgo, mas nem tenho o que dizer de lá. Bem, eu diria no máximo que o idioma local é uma bagunça.
Tirando as viagens, eu diria que foi uma experiência bem diversa, em todas as dimensões do meu ser: alma espírito e corpo.
Eu emagreci, depois engordei e agora não sei exatemente como estou. Vejo que tem uma barriga aqui em baixo que não me é estranha.
Houve dias de muita melancolia, tristeza e saudade. Na verdade, houve dias quase intoleráveis.
Mas isso é meio normal na minha vida.
Houve dias fantásticos, de trabalho, vida, amizade e diversão.
Conheci gente especial e gente nem tão especial. A gente percebe os primeiros por causa dos outros.
Eu servi num casamento e ganhei 50,- € ao fim da noite.
Cantei numa festinha de uma turma de faculdade com uma amiga latina umas musiquinhas.
Cantei até "É o Amoooooooooooorrrrr!" do Zezé di Camargo e Luciano.
Eu comprei aqui um TV escangalhada no mercado das pulgas e tentei voltar lá pra reclamar, mas a mulher não estava mais.
Comprei uma bicicleta por 4,50 € numa cidade aqui perto, Weinheim, e me perdi lá, deibaixo de uma chuvada danada.
Pena que a bicicleta tinha um prazo de validade muito curto e só consegui andar nelas uns 3 meses.
Ia quase toda semana a Heidelberg, uma cidade muito próxima de Mannheim.
Lá eu me reuni com uns irmãos latino-americanos e acabei até pregando na igreja num domingo.
Bem, tem mais muita coisa pra contar, mas acho que isto terá de ser feito com um copo de café na mão e ouvindo minha voz.
Resumindo: foi ex-ce-len-te!
Muito obrigado por tudo o que vivi contigo aqui, meu Deus.


10 comentários:

Carol (ESI) disse...

Uau!!! Me pergunte primeiro como eu vim parar no teu blog... o linkzinho no e-mail do Cacciola foi o caminho. Como eu não resisto à oportunidade de saber como andam os velhos amigos, vim dar uma espiadinha.

Poxa André, fiquei literalmente arrepiada com teu post sobre essa viagem. Que maravilha, viu? Que viagem gostosa que você deve estar passando. E como você escreve super bem, dá pra imaginar os caminhos que anda fazendo.

Quando você fala da Grécia dá até uma pontinha de inveja, rs. Mas logo você chaga na Plaza de España e aí dá pra dizer aquele orgulhoso "eu estive lá!". Europa é tudo de bom. Viajar é tudo de ótimo! E esse teu post serviu pra eu colocar a Grécia definitivamente no topo da lista da próxima viagem. Todos que eu conheço que já foram voltam encantados =)

Pelo que eu entendi são seus últimos dias de viagem... aproveite!!!

Saudades de ti, garotinho.

Beijão! Carol

Gil disse...

Resolvi ler esse post de trás pra frente. Foi interessante...
Que bom que o tempo aí foi bom... Melhor ainda que tá acabando... hehe.
Nos vemos em breve, se Deus quiser.
Abraços!

. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Renner disse...

Rapaz, que saudades de ti. Sem querer, comecei a fazer o mesmo que o Gil, mas desisti e fui pro começo mesmo. Fez mais sentido, hehe. Café e 48 horas de papo contínuo... aguardando ansioso. A patroa vai entender.

Mi.. disse...

Uauu!!

que interessante vida essa sua...

legal ler isso tudo!!
é quase um livro..
=)

Bjs e ótimo retorno!

Manczak disse...

Grande mestre, o Döner não tem a mesma graça. Já tenho saudades de te visitar na casa 3 ap 212. Po cara quero volta pro Brasil também, é muito triste ficar aqui e ver os outros irem embora. Saudades, abraço.

Gustavo Pereira disse...

cara, q legal. tantas coisas...
disse q leria - blog novo, assunto interessante... hehe...
abração

Manczak disse...

Po esse blog tá devagar em meu amigo?
Quando vai nos agraciar com mais um texto rico e cativante denovo?
Grande abraco meu amigo

Leo disse...

E ae Andre!!! que beleza de post, que beleza de viagem!!! tb naum sei bem ao certo como vim parar aki, mas sei que li esse texto e tb me emocionei com suas sabias palavras... Esse é o tipo de viagem que nunca se esquece... mas vc tb é o tipo de amigo que mesmo longe, nos lembramos por toda a vida, seja pelo seu carisma, pela sua luz interior ou ate mesmo pelo seu jeito unico de solar um blues numa guitarra ou numa viola velha... (lembrei agora do dia em que te conheci e vc quebrou meu violao... rs)

Bem, o que estou querendo dizer é: Excelente meu amigo!!! Tudo de bom pra vc que merece isso e muito mais!!! Volta logo pra gente fazer um som daqueles!!!

Um grande abraço, Leonardo Valdanini

Débora von Held disse...

André, eu nuca ouvi chiquititas, nunca ouvi xuxa e muito menos sandy e junior. E a culpa é sua, pq não me deu tempo para escolher não ouvir jonny lang, aerosmith e afins; e agora vc vem me dizer que não só ouve e canta rihana, como se apresenta em publico (redundancia!) cantando xitãozinho e xororó. Ainda bem que voltou pq se ficasse um ano não sei o que seria de vc e nem de mim

Vil Homem Simples


"E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai."(João 1,v. 14)
Sempre existiu algo intangível na Palavra. Mas isso já foi quebrado.