22 de agosto de 2008

O homem macho heterossexual

Fui bem avisado e estou certo de que estou possivelmente mexendo em casa de marimbondos em escrever o que se desenrolará nas linhas a seguir. Entretanto, eu diria que, no desafio por uma aproximação realista do que penso e por valorizar coisas como família, educação e saúde mental, faz-se imperativo lançar algumas palavras sobre sexismo, machismo e feminismo aqui.
Uma das coisas que sempre me incomodou muito na vida é o fato de que o homem moderno seja um homem acuado e meio sem graça, às vezes.
Não digo aqui do ser humano como espécie, mas mais especificamente do ser humano do sexo masculino heterossexual. O homem macho heterossexual.
Na verdade, a própria expressão "homem macho heterossexual" parece trazer uma carga de maldade ou de intolerância no que diz respeito ao conceito de ser humano moderno, sem haver uma razão muito clara pra isso, pois ela já afirma em si uma opção sexual bem definida, além de constatar uma condição e atribuição naturais.
"Homem" é alguém que pertence à espécie humana, "macho" é alguém que é do sexo masculino e "heterossexual" é alguém que tem atração ou comportamento sexual em relação a um indivíduo de sexo diferente.
Mas nem é bem a palavra "heterossexual" que assusta.
A palavra "macho" é que causa frenesi.
Acho que esta palavra hoje, quando enunciada, já traz uma carga histórica desproporcional.
A palavra "macho" evoca as imagens de um grosso, um troglodita mal educado, cheio de cabelos no peito e dotado de um intelecto talvez só invejado por uma ameba, que, quando acaba de arrotar depois de ter bebido umas cervejas, dá um tapa na bunda da mulher em casa e diz: "Mulher, traz aí outra gelada!"
Eu acho muito interessante que o pensamento ocidental acerca do homem macho heterossexual não seja como o cavalheiro, como o pai de família, como um santo, ou mesmo como Jesus, mas sim como um ser cujas qualidades são um pouco desprezíveis.
Certamente há quem vá dizer que trazer Jesus pra dentro da história pode provocar algum tipo de incômodo, mas veremos isso mais adiante.
Na verdade, há 3 movimentos no mundo que, meio sem querer e com outros objetivos em mente, acabaram sabotando o nosso personagem: o movimento feminista, o movimento homossexual e a figura do galã hollywoodiano.
O primeiro, muito justamente, surgiu como a participação da mulher ativamente na sociedade, com os papéis que lhe cabiam, na igualdade de direitos com o homem, dizendo que ninguém é melhor que ninguém. Posição muitíssimo acertada.
Só um tolo não concordaria com o movimento feminista, no que diz respeito ao voto, às condições de salário em igualdade para um cargo ocupado por pessoas de sexos diferentes, à licença maternidade, à participação da mulher na política, enfim, nos aspectos da vida que interferem com a vida da própria mulher como ser humano.
Que a justiça seja sempre feita e que a mulher usufrua de direitos humanos iguais os quais sempre deveriam lhe ser dados, em que a sociedade tem uma grande parcela de dívida com muitas de nossas mães, avós, bisavós e toda sorte de mulheres que nos geraram, tenham elas sido boas ou não.
Entretanto, concordar com a queima de sutiãs em praça pública, com a abdicação de que a mulher tenha de cuidar dos filhos que gerou em seu ventre com o devido cuidado materno, com a opção pelo aborto por vontade própria ou com qualquer postura que a coloque acima de seus deveres como mulher e mãe, é algo pouco inteligente. Ninguém deve ser submetido a uma tripla jornada de trabalho (filhos, trabalhos domésticos e carreira), mas ninguém deve se esquivar das responsabilidades das escolhas na vida, ou mesmo de aspectos naturais que nos constituem.
E olha que disso, eu mesmo tento correr muito.
Ninguém deve sustentar a postura de que a mulher seja inferior ao homem, pois isso é anti-humano e anti-cristão. Mas tão burro quanto isso é afirmar qualquer superioridade da mulher, como alguns grupos feministas fazem, em especial do feminismo radical, do feminismo cultural, do feminismo essencialista, do feminismo lesbiano, ou do feminismo desconstrutivista. Sim, existem muitas correntes, que se perdem e que nem sempre asseveram ou reivindicam direitos iguais, como a luta tão bela por educação igualitária que reivindicava Mary Wollstonecraft, embora ela fosse muito extrema pro meu gosto em falar de casamento.
Eu diria que olharmo-nos como iguais é uma via, mas olharmo-nos como completamente iguais é, na verdade, não olhar nada.
Devemos ver nossas diferenças, nossas aptidões naturais e nossas diferentes capacidades como coisas a serem unidas, em vez de postas à prova da igualdade. A prova da igualdade entre homem e mulher, macho e fêmea, graças a Deus, nunca haverá. Um homem nunca será igual a uma mulher, por mais que tente se parecer com uma e o contrário também nunca ocorrerá. Basta ver as olimpíadas e ver quem é mais forte e rápido, se é homem ou mulher. Ou basta ver quem é que entende mais de dar conta de diferentes coisas ao mesmo tempo: o homem perde nisso disparado.
Enfim, eu nunca gostaria de ver meu pai de saias e me dizendo o quanto ele não simpatiza com uma personagem de sua novela favorita, enquanto minha mãe urina em pé e me diz como devo evitar a masturbação.
Somos diferentes, e glória a Deus por isso!
Faz parte da natureza em que estamos inseridos, da natureza em que fomos gerados. Não é algo socialmente construído, penso eu.
As diferenças nos nossos corpos, pênis e vagina, são meros lembretes de quem somos em nossa identidade mais interior; do lugar que devemos ocupar na natureza e, portanto, na sociedade. Não há nada de melhor em um ou outro e os 2 só são bons mesmo quando são os 2 unidos. É a coisa de se completar, de partilhar, de unir e ver mais coisa boa se instalar na vida. Deus criou Adão e Eva. Ele não criou 2 "Adões", nem duas "Evas". E tampouco 1 Adão e 2 Evas.
Enfim, não é muito uma questão de matemática, mas acho que o ponto óbvio que quero dizer fica claro: homem e mulher só se completam porque são diferentes e só são diferentes, pois assim podem se completar em algo maior que eles mesmos.

Eu sou um leigo neste assunto, e não sei nada de psicologia.
Mas eu andei conversando com gente mais instruída e parece que existe um consenso de que o homossexualismo é uma perversão sexual.
Não quero vociferar palavras loucas, nem xingamentos, nem ofender ninguém com isso. Creio que muita gente está sempre pronta a afastar homossexuais de perto de si por falta de amor e por pensar na pessoa em algo que seja inferior a uma pessoa. Acho que muitos homossexuais sofrem todo dia por arrogância e falta de amor e não gostaria de ser parte disso.
Minha intenção não é esta, em absoluto. É só o que eu ouvi dizer e cheguei a ler pouca coisa do assunto.
Uma perversão quer dizer que é um uso desviado do normal, uma alteração de uma função normal.
Bem, agora nos resta definir o que é normal. Normal é algo que serve de regra, de modelo.
Eu não sei qual é o sentido exato dado ao homossexualismo na psicologia, mas a mim, me parece que este comportamento envolve problemas grandes na transformação do indivíduo ao longo de sua vida.
Problemas maiores que eu mesmo compreendo.
Pelas definições acima, eu diria que é algo que não deve ser tomado como regra, nem como modelo.
O ponto que quero trazer com o homossexualismo para dentro da discussão, é que existe um movimento que ultrapassa as barreiras das escolhas pessoais do sexo e transporta um comportamento de exceção, anormal, para dentro da vida de todas as pessoas, quer elas queiram, quer não, como algo a ser aceito como normal e um modelo.
Além das passeatas e paradas gays (que cumprem um objetivo muito difuso e pouco positivo de um modo geral), da liberdade sexual que pode levar a uma libertinagem deliberada e da geração de um mercado e filosofia de vida que giram em torno deste tipo de comportamento, as conseqüências chegaram à já sensível estrutura familiar e ao próprio conceito de homem.
O homem moderno deve ser alguém que não tem direito a discordar do homossexualismo, pra que seja alguém politicamente correto e, portanto, aceito como alguém de relevância para diálogos que falem sobre sexo.
Diria que, individualmente, cada um deve mesmo ter a liberdade de fazer o que quiser com a vida, mesmo que outra pessoa (como eu, por exemplo) discorde de seus comportamentos e não os entenda.
Creio, entretanto, que nenhum grupo deve ter poder sobre outro na imposição de idéias e numa reorganização de estruturas basilares da sociedade tal como a família representa. Projetos de Lei como o PL 122, reivindicações de que casais homossexuais detenham guarda de crianças e pedir que as pessoas se calem diante daquilo que pensam, ao meu ver, recendem mais à tirania que à liberdade de escolha.
Um grupo escolhe e cala todos os outros. Este é um tipo de postura que nunca esteve certa, mas que vem crescendo muito e perigosamente.

Por fim, como homem que sou, devo deixar de lado o complexo de Adão e parar de apontar o dedo e enxergar a minha parcela de culpa nesta imagem, talvez como o pior e mais sutil dos elementos: os próprios homens.
Tirando os idiotas que dizem frases como "bicha tem que morrer", "lugar de mulher é na cozinha", que não valem nem como objeto de crítica, ficamos, na outra ponta da mesa, com a imagem do galã moderno.
Ele não tem compromisso com ninguém, quer viver incessantes paixões durante toda a sua vida, vai pra cama com todas as mulheres interessantes que encontrar no seu caminho, e, embora seja muito educado com elas, não as leva a sério e as despede quando não lhe interessam mais. É um adolescente grande, no pior sentido disto, um plaboy inconseqüente com ele mesmo e, pior ainda, com os outros.
A imagem do galã, eu diria ser uma imagem terrível, por extremamente sedutora e sutil que ela é.
Ela atrai tanto mulheres quanto homens.
As mulheres se vêem atraídas pela possibilidade da valorização eterna, pois têm certeza de que vão fisgá-lo de uma vez por todas. Ledo engano. Basta ver qualquer um dos filmes do James Bond, ou ver os ideais construídos num Elvis, num James Dean, ou "tipões" (pra usar uma palavra do mesmo tempo destes 2 últimos) do mesmo gênero.
E vale dizer que guitarras, carraços, armas, espionagem e missões secretas tendo como objetivo o bem da humanidade são um pano de fundo que torna nosso galã irresistível.
Até pra mim! Até eu que sou mais bobo queria ser assim! O cara tem o que quiser.
É um canalha e ainda por cima é aplaudido, mesmo na canalhice!
Perto desse cara, o homem de família não passa de um babaca bem intencionado.
O pai de família que paga as contas, troca fraldas do filho, trabalha regularmente, ensina o dever de casa, trata a esposa como uma mulher de respeito e, pior, é fiel a ela, enfim, este cara, simplesmente não tem glamour nenhum. O mesmo de uma dona de casa, de uma mãe de família, enfim, o mesmo para a mulher.
Este homem não tem o vento no cabelo, nem o cigarrinho no canto da boca, nem aparece nas propagandas da TV.
Na verdade, eu acho que se alguém viu qualquer um dos BBB não ficaria surpreso em encontrar algum camarada de fala macia, bons músculos e querendo desesperadamente fazer sexo com uma mulher extremamente atraente da mesma casa. Bem, não sou telespectador regular deste programa, mas imagino que seja isso o que se passe, numa base diária de sobrecarga de hormônios.
Nós torcemos por este cara. Pra que ele pegue mesmo a mulher. Pegue-a e mais a amiga.
E, se der, de preferência juntas. E que pegue todo mundo!
Pois assim, ele também não faz juízo nenhum sobre o homossexualismo, embora seja bem verdade que ele não saia com homens homossexuais e não esteja nem um pouco interessado neles.
Os próprios homens construíram uma imagem meio nojenta do homem macho heterossexual.
E se esconderam atrás de desculpas do que trouxeram os outros 2 movimentos que citei acima.
O homem moderno, como o antigo, gosta da sacanagem.
O homem moderno gosta de ver duas mulheres se insinuando sexualmente para que o estimulem, gosta de se excitar com qualquer pedaço de publicidade que exiba as formas de mulher. Ele é um lambão, que se guia pelo pênis e que está em pleno acordo com o seu corpo, mesmo no topo de sua irresponsabilidade.
Ele malha, toma bomba, cuida do corpo excessivamente, lê livros espiritualóides de terceira linha, não pensa em casamento quase nunca, mas na carreira, de um modo também excessivo, como se ela lhe fosse trazer um sentido de realização fora e além de sua própria existência, como se fosse um sacerdócio, mas para que a usufrua no tempo presente, tendo dinheiro e gastando com o que quiser, sem que ninguém lhe torre a paciência com bobagens sobre valores ou caráter, afinal ele não rouba e anda dentro da linha do que a sociedade lhe exige.
Ele está em todo lugar: igreja e bordel convivem com este mesmo sujeito.

Então, temos aqui 3 movimentos, que fazem, ao meu ver, do homem macho heterossexual um estorvo hoje na sociedade. As pessoas exageradas dos 3 grupos (e é delas que este texto naturalmente trata), que têm uma relevância muito grande para os impactos de movimentos comportamentais na sociedade, estas pessoas colocam o homem macho heterossexual como um indesejado até para si mesmo.

Nisso, eu penso em Jesus.
Jesus era homem por espécie, um macho por gênero, e, embora a Bíblia não me dê margem nenhuma para a especulação de um relacionamento sexual que ele tenha desenvolvido, vemos que ele aprovava por completo a opção heterossexual como a via correta de relacionamento amoroso, romântico e sexual.
Ele vai a um casamento, discorre sobre o divórcio e fala o que é o melhor pra nós neste assunto, como em todos os outros.
Bíblia o apresenta como um homem temperado, prudente, corajoso e justo, não dado aos pensamentos frívolos e picantes, alguém que conversava com as mulheres e com os homens, contava estórias de como um pai perfeito deve tratar um filho pródigo, e esteve até na defesa de uma igualdade de condições entre prostitutas e religiosos, dizendo que estes 2 na verdade são "farinha do mesmo saco" humano.
Diante dele, é impossível manter uma postura sexista, machista, feminista, homossexual ou de qualquer partidarismo mesquinho que inventemos.
Mas eu vejo em Cristo a afirmação de que o homem macho heterossexual deve ser mais firme e de um papel relevante numa sociedade louca, que esquece papéis e atropela coisas boas e naturais.
Sobretudo, em Cristo, eu vejo um homem terno. Um homem de ternura incomparável.
Nele, eu vejo o comportamento de caráter a ser imitado, seguido e passado de gerações em gerações.
Eu realmente creio que o discípulo homem de Cristo deve ser um homem macho heterossexual e que deve usufruir da bênção de um papel indispensável na sustentação de muita coisa que há na sociedade, mas que deve extirpar de si a parte torpe do seu ser e querer.
Deve liderar sua casa, amar sua mulher, cuidar de seus filhos, não sobrecarregar ninguém, ajudar e promover o crescimento do reino de Deus, como alguém que serve, que ama os seus.

2 comentários:

Débora von Held disse...

Para um grande texto, um grande comentário. Eu sempre digo que sou contra a igualdade entre homens e mulheres. Resumindo meu pensamento, acho q depois de estudar e trabalhar com direitos iguais, não quero mais muita coisa além de respeito. Mulheres se aposentam antes, na verdade 10 anos antes, não sei a razão exata, mas sei que isso é um cavalheirismo da sociedade, um dos poucos que restou. Além de não entrar para o exercito e algumas outras regalias, se posso considerar assim, creio que o maior dom feminino seja o dom materno. Graças a isso, temos o ouvido mais "aguçado" para tons mais agudos que os homens, temos a capacidade de lidar com varias coisas ao mesmo tempo e ainda assim conseguimos nos igualar ao que antes não nos era possivel. Hoje vemos as diferenças de todos os seres humanos, temos o orgulho de ser unicos. Pelo menos eu tenho. E devemos ser únicos em nossa forma pré-determinada biologicamente. Certas coisas na vida não se pode escolher, e Deus não é o culpado disto. Somos seres feitos por Ele, mas o que fazemos disto já é nossa escolha. Hoje levantar-se para uma gestante virou obrigação e não mais cavalheirismo. Por isso a diferença em nossas escolhas, não só sexuais, mas como seres e humanos. Homens tem de se levantar, era uma escolha, tornou-se cavalheirismo e virará uma lenda. Hoje eu me levanto porque na sociedade a gentilesa tornou-se o cavalheirismo da modernidade. Os homens foram deixados para tras não só por eles, mas por uma boa parte da sociedade, mas o cavalheirismo ainda é necessario e a biologia está aí para mostrar isso.

O Reina disse...

Eu li o texto, VHS, eu li.

Vil Homem Simples


"E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai."(João 1,v. 14)
Sempre existiu algo intangível na Palavra. Mas isso já foi quebrado.