30 de agosto de 2008

Resumindo

Faz quase 6 meses que desci do avião em Frankfurt e vim para Mannheim.
Daqui a 18 dias, se Deus quiser, vou descer do avião no Rio de Janeiro e vou para Nova Friburgo.
Pra começar a contar desde o início é até meio difícil, pois como todo bom caldo, a conversa só engrossa e fica melhor depois de um tempo em que a sopa já foi esfriando. No extremo calor ninguém sente o gosto, mas só sabe que está tomando alimento.
Assim são as experiências da minha vida: eu as percebo depois de um tempo.
Mas vamos tentar resumir.
Eu cheguei aqui na excitação normal de todos os que saem de casa pra novas jornadas. Não sabia ao certo o que me esperava. Só sabia que haveria um projeto que eu faria e que deveria aprender o alemão.
O projeto, eu diria que foi bom e na verdade menos complicado que eu esperava. O alemão, eu diria que é uma língua bem mais complicada que o meu projeto.
Mas aqui eu percebi algumas coisas da linguagem, de como nos comunicamos, de suas funções no dia-a-dia.
Nem tudo que a gente fala faz sentido pra todo mundo. A gente tem que encontrar meios de se expressar que sejam práticos a princípio. A poesia e a arte só vêm bem depois.
Mas, mesmo assim, fui a museus aqui em Mannheim. Lembro que logo no incício, houve um evento chamado "Lange Nacht der Museen", em que os museus ficaram abertos à noite para a visitação. Foi neste dia em que conheci melhor alguns brasileiros aqui, os quais ficaram muito meus amigos. Diria com muita alegria de companheiros de Döner, de viagens, felicidades e dificuldades.
Aliás, logo no começo fizemos uma viagem muito legal para a Itália. Diria que de um jeito muito pouco provável. Viajamos uns 3500 km pela Itália, conhecendo um bocado de lugares, num carraço, numa Mercedes Benz Classe C, para o seguro da qual nós não teríamos nem um ceitil, caso ocorresse algo. E, em se tratando de Nápoles, Roma e Florença, isso seria de se esperar.
Aqui eu descobri um podrão de qualidade inigualável: o Döner.
É um sanduíche feito pelos turcos e vendido em tudo quanto é canto aqui na Alemanha.
Bem, caso alguém venha a Mannheim, eu recomendaria fortemente ir ao City Döner, em frente à estação de trem. Um delícia e preços baratos. Neste tempo aqui eu fui um cliente assíduo.
Falando em comida, sempre um bom assunto, em Munique eu comi uma salsicha muito boa, a "Weiße Wurst" típica da Baviera. Com uma mostarda agridoce de mel, aquilo é uma delícia.
Mas, cá entre nós, comida, definitivamente, não é um ponto alto na Europa, eu diria. Não para um brasileiro, ou pra quem já comeu na casa da minhã avó.
Em Munique visitamos o Olympia Park, onde foi o atentado terrorista de 1972; a Hofbräuhaus, onde tomei 1 litro de cerveja num daqueles canecões (Maß) e ouvimos musiquinhas típicas da cultura da cerveja.
Ah, foi antes de encher o caneco que nós fomos a Dachau. Conto isto mais ou menos num outro texto aqui. Chocante.
Nesta mesma viagem, fomos ao castelo Neuschwanstein do rei Luís II. Muito bonito, mas o cara era muito afetado. Pra quem sonha com castelos e contos de fadas, este é o lugar ideal. Aliás, por si só, o lugar já vale a visita, graças à beleza dos Alpes. Fomos também rapidamente a Salzburgo, Áustria, cidade do grande Mozart.
Nestas viagens, geralmente íamos em grupo. Um bom grupo de brasileiros que se juntava pra desbravar outra terra, fosse qual fosse.
Quase me esqueço de dizer, mas a primeira viagem que fizemos foi a Estrasburgo, na França, com um grupo misturado de sulamericanos: uma chilena, uma venezuelana, um colombiano e 4 brazucas.
Vimos uma catedral muito linda lá, a Notre Dame e foi uma loucura pra pedir a comida no restaurante, já que ninguém se entendia.
Quanto a viagens, eu diria que aprendi algumas coisas.
A primeira é que o grupo com quem você viaja é muitíssimo importante. Por sorte, meus companheiros foram muito bons, sempre, não tenho de que reclamar. Tivemos boas conversas, bons comentários sobre as coisas que víamos, e diria que não havia arrogância diante do que conhecíamos juntos. Todos queríamos experimentar as boas oportunidades de viajar.
Dito isto, diria que a melhor viagem foi à Grécia e Inglaterra. Um grupo muito legal e os lugares muitíssimo bons.
Bem, era a Grécia, né...
No primeiro dia desta viagem fomos a Milão, de onde sairíamos para Atenas, e visitamos a cidade. À noite, por sorte pegamos um show da Rihanna numa das ruas principais lá, em frente à estação de trem.
Foi ótimo! Um show de graça, da MTV, em Milão... Uma superprodução.
Nós dormimos em hotéis separados e, por isso, eu fiquei sozinho.
Fui sozinho pro meu hotel e, com medo de perder o avião que partiria muito cedo no dia seguinte pra Atenas, arrumei tudo e já fui pra estação de trem logo de madrugada.
Como demorou para que os outros chegassem e eu estava com sono, coloquei minha mochila no chão, numa escadinha em frente a uma vitrine e deitei ali minha cabeça.
Depois de um tempinho eu acordei. Ainda não tinha dado o tempo. Voltei a dormir.
Sim, eu dormi na rua.
Aliás, pelo olhar das pessoas que passavam, acho que eu não era algo bonito de se olhar em meu sono matinal.
Bem, por sorte, o tempo passou, meus companheiros de viagem chegaram e fomos ao aeroporto.
Chegamos em Atenas e passeamos bastante e vimos a troca de guarda mais engraçada em frente ao Parlamento.
Bem, na Grécia se fala grego mesmo. Eu bem que tentei aprender alguma coisinha. Tentei saber de uma menina se a palavra "água" era "hidro" e pra minha decepção, não era. É "neró". Bem, este evento rendeu algumas risadas, pois pensaram que eu estava passando uma cantada na menina, mas quando viram que eu perguntava sobre "hydrogen", "hydro", fizeram questão de me tirar dali, pois estava queimando meu filme com a greginha.
Fomos à ilha de Santorini.
Olha, eu já tinha visto coisas belas na minha vida, mas este lugar entra como um dos mais bonitos do mundo com facilidade.
Fomos para lá em grande estilo, num navio. Chegando lá, arranjamos carro e rodamos a ilha.
Tudo bom demais. Demais mesmo. Demais demais demais. Olha, se puder, vá à Grécia, especialmente pois lá as coisas estavam mais baratas que no resto dos lugares que visitamos.
Me ensinaram a utilizar o banheiro de modo apropriado ("Piazão, dica quente: vou te ensinar a cagar!") e passamos um calor impressionante. Eu até tentei dizer "omorfo koritsi" pra algumas passantes em frente à Acrópole, que deram umas risadinhas.
Depois do calor grego, fomos à Inglaterra, diretamente a Londres.
Excelente. Cidade belíssima, charmosíssima e caríssima, mas certamente encantadora.
Nos perdemos algumas vezes e comemos em McDonald's, pra variar.
E tive a oportunidade ímpar de assistir ao "Monty Pithon and the Holy Grail" ao vivo em espetáculo. Muito bom e engraçado.
Bem, quem leu até agora deve estar falando: mas este moleque é um filhinho de papai mesmo, né? Viajou a Europa toda e com que dinheiro?
Em minha defesa, eu agradeceria ao governo alemão e ao instituto Albert und Anneliese Konanz pelas bolsas que me deram pra estudar, que também entraram na conta das viagens, com muito gosto.
Mas é claro que família ajuda nisso também.
Aliás, meu avô veio à Europa pra um congresso de teologia e depois foi visitar um amigo na Espanha.
E eu, naturalmente, não pude deixar de aproveitar a oportunidade.
Parti de um dia pro outro pra Sevilha. De lá viajei com meu avô e seu amigo para Lisboa.
A experiência de falar o Português com um português é pra mim um pouco emocionante. Ainda mais na terrinha.
Fiz um tour relâmpago por Sintra, Caiscais e pelo centro de Lisboa, muito bem acompanhado por uma família local amiga de meu avô.
Depois fomos a Madrid, onde entrei no Museo del Prado e vi outras pérolas da arquitetura espanhola.
Voltei a Sevilha e visitei seu centro e a inesquecível Plaza de España. E, é claro, sempre que dava eu tentava meu Portunhol.
Conheci gente muito especial na Espanha e em Portugal. Gente muito amiga, cristã e engraçada.
Não só lá conheci gente boa.
Em Berlim também, fiquei na casa de uma brasileira casada com um alemão. Foi ótimo.
Aliás, devo mencionar algo que esqueci de dizer: os free-tours.
Se você vier à Europa procure um free-tour, pois eles são a melhor pedida para uma visita interessante na cidade.
Os de Munique, Berlim e Londres eu garanto que têm uma qualidade fenomenal. Creio que há também em Paris e Amsterdã. São mesmo de graça, mais eu recomendaria seriamente a dar uma gorjeta ao fim do tour, pois o pessoal trabalha nisso. Ousada a idéia, eu achei.
Mais uma viagem que fiz foi para Luxemburgo, mas nem tenho o que dizer de lá. Bem, eu diria no máximo que o idioma local é uma bagunça.
Tirando as viagens, eu diria que foi uma experiência bem diversa, em todas as dimensões do meu ser: alma espírito e corpo.
Eu emagreci, depois engordei e agora não sei exatemente como estou. Vejo que tem uma barriga aqui em baixo que não me é estranha.
Houve dias de muita melancolia, tristeza e saudade. Na verdade, houve dias quase intoleráveis.
Mas isso é meio normal na minha vida.
Houve dias fantásticos, de trabalho, vida, amizade e diversão.
Conheci gente especial e gente nem tão especial. A gente percebe os primeiros por causa dos outros.
Eu servi num casamento e ganhei 50,- € ao fim da noite.
Cantei numa festinha de uma turma de faculdade com uma amiga latina umas musiquinhas.
Cantei até "É o Amoooooooooooorrrrr!" do Zezé di Camargo e Luciano.
Eu comprei aqui um TV escangalhada no mercado das pulgas e tentei voltar lá pra reclamar, mas a mulher não estava mais.
Comprei uma bicicleta por 4,50 € numa cidade aqui perto, Weinheim, e me perdi lá, deibaixo de uma chuvada danada.
Pena que a bicicleta tinha um prazo de validade muito curto e só consegui andar nelas uns 3 meses.
Ia quase toda semana a Heidelberg, uma cidade muito próxima de Mannheim.
Lá eu me reuni com uns irmãos latino-americanos e acabei até pregando na igreja num domingo.
Bem, tem mais muita coisa pra contar, mas acho que isto terá de ser feito com um copo de café na mão e ouvindo minha voz.
Resumindo: foi ex-ce-len-te!
Muito obrigado por tudo o que vivi contigo aqui, meu Deus.


22 de agosto de 2008

O homem macho heterossexual

Fui bem avisado e estou certo de que estou possivelmente mexendo em casa de marimbondos em escrever o que se desenrolará nas linhas a seguir. Entretanto, eu diria que, no desafio por uma aproximação realista do que penso e por valorizar coisas como família, educação e saúde mental, faz-se imperativo lançar algumas palavras sobre sexismo, machismo e feminismo aqui.
Uma das coisas que sempre me incomodou muito na vida é o fato de que o homem moderno seja um homem acuado e meio sem graça, às vezes.
Não digo aqui do ser humano como espécie, mas mais especificamente do ser humano do sexo masculino heterossexual. O homem macho heterossexual.
Na verdade, a própria expressão "homem macho heterossexual" parece trazer uma carga de maldade ou de intolerância no que diz respeito ao conceito de ser humano moderno, sem haver uma razão muito clara pra isso, pois ela já afirma em si uma opção sexual bem definida, além de constatar uma condição e atribuição naturais.
"Homem" é alguém que pertence à espécie humana, "macho" é alguém que é do sexo masculino e "heterossexual" é alguém que tem atração ou comportamento sexual em relação a um indivíduo de sexo diferente.
Mas nem é bem a palavra "heterossexual" que assusta.
A palavra "macho" é que causa frenesi.
Acho que esta palavra hoje, quando enunciada, já traz uma carga histórica desproporcional.
A palavra "macho" evoca as imagens de um grosso, um troglodita mal educado, cheio de cabelos no peito e dotado de um intelecto talvez só invejado por uma ameba, que, quando acaba de arrotar depois de ter bebido umas cervejas, dá um tapa na bunda da mulher em casa e diz: "Mulher, traz aí outra gelada!"
Eu acho muito interessante que o pensamento ocidental acerca do homem macho heterossexual não seja como o cavalheiro, como o pai de família, como um santo, ou mesmo como Jesus, mas sim como um ser cujas qualidades são um pouco desprezíveis.
Certamente há quem vá dizer que trazer Jesus pra dentro da história pode provocar algum tipo de incômodo, mas veremos isso mais adiante.
Na verdade, há 3 movimentos no mundo que, meio sem querer e com outros objetivos em mente, acabaram sabotando o nosso personagem: o movimento feminista, o movimento homossexual e a figura do galã hollywoodiano.
O primeiro, muito justamente, surgiu como a participação da mulher ativamente na sociedade, com os papéis que lhe cabiam, na igualdade de direitos com o homem, dizendo que ninguém é melhor que ninguém. Posição muitíssimo acertada.
Só um tolo não concordaria com o movimento feminista, no que diz respeito ao voto, às condições de salário em igualdade para um cargo ocupado por pessoas de sexos diferentes, à licença maternidade, à participação da mulher na política, enfim, nos aspectos da vida que interferem com a vida da própria mulher como ser humano.
Que a justiça seja sempre feita e que a mulher usufrua de direitos humanos iguais os quais sempre deveriam lhe ser dados, em que a sociedade tem uma grande parcela de dívida com muitas de nossas mães, avós, bisavós e toda sorte de mulheres que nos geraram, tenham elas sido boas ou não.
Entretanto, concordar com a queima de sutiãs em praça pública, com a abdicação de que a mulher tenha de cuidar dos filhos que gerou em seu ventre com o devido cuidado materno, com a opção pelo aborto por vontade própria ou com qualquer postura que a coloque acima de seus deveres como mulher e mãe, é algo pouco inteligente. Ninguém deve ser submetido a uma tripla jornada de trabalho (filhos, trabalhos domésticos e carreira), mas ninguém deve se esquivar das responsabilidades das escolhas na vida, ou mesmo de aspectos naturais que nos constituem.
E olha que disso, eu mesmo tento correr muito.
Ninguém deve sustentar a postura de que a mulher seja inferior ao homem, pois isso é anti-humano e anti-cristão. Mas tão burro quanto isso é afirmar qualquer superioridade da mulher, como alguns grupos feministas fazem, em especial do feminismo radical, do feminismo cultural, do feminismo essencialista, do feminismo lesbiano, ou do feminismo desconstrutivista. Sim, existem muitas correntes, que se perdem e que nem sempre asseveram ou reivindicam direitos iguais, como a luta tão bela por educação igualitária que reivindicava Mary Wollstonecraft, embora ela fosse muito extrema pro meu gosto em falar de casamento.
Eu diria que olharmo-nos como iguais é uma via, mas olharmo-nos como completamente iguais é, na verdade, não olhar nada.
Devemos ver nossas diferenças, nossas aptidões naturais e nossas diferentes capacidades como coisas a serem unidas, em vez de postas à prova da igualdade. A prova da igualdade entre homem e mulher, macho e fêmea, graças a Deus, nunca haverá. Um homem nunca será igual a uma mulher, por mais que tente se parecer com uma e o contrário também nunca ocorrerá. Basta ver as olimpíadas e ver quem é mais forte e rápido, se é homem ou mulher. Ou basta ver quem é que entende mais de dar conta de diferentes coisas ao mesmo tempo: o homem perde nisso disparado.
Enfim, eu nunca gostaria de ver meu pai de saias e me dizendo o quanto ele não simpatiza com uma personagem de sua novela favorita, enquanto minha mãe urina em pé e me diz como devo evitar a masturbação.
Somos diferentes, e glória a Deus por isso!
Faz parte da natureza em que estamos inseridos, da natureza em que fomos gerados. Não é algo socialmente construído, penso eu.
As diferenças nos nossos corpos, pênis e vagina, são meros lembretes de quem somos em nossa identidade mais interior; do lugar que devemos ocupar na natureza e, portanto, na sociedade. Não há nada de melhor em um ou outro e os 2 só são bons mesmo quando são os 2 unidos. É a coisa de se completar, de partilhar, de unir e ver mais coisa boa se instalar na vida. Deus criou Adão e Eva. Ele não criou 2 "Adões", nem duas "Evas". E tampouco 1 Adão e 2 Evas.
Enfim, não é muito uma questão de matemática, mas acho que o ponto óbvio que quero dizer fica claro: homem e mulher só se completam porque são diferentes e só são diferentes, pois assim podem se completar em algo maior que eles mesmos.

Eu sou um leigo neste assunto, e não sei nada de psicologia.
Mas eu andei conversando com gente mais instruída e parece que existe um consenso de que o homossexualismo é uma perversão sexual.
Não quero vociferar palavras loucas, nem xingamentos, nem ofender ninguém com isso. Creio que muita gente está sempre pronta a afastar homossexuais de perto de si por falta de amor e por pensar na pessoa em algo que seja inferior a uma pessoa. Acho que muitos homossexuais sofrem todo dia por arrogância e falta de amor e não gostaria de ser parte disso.
Minha intenção não é esta, em absoluto. É só o que eu ouvi dizer e cheguei a ler pouca coisa do assunto.
Uma perversão quer dizer que é um uso desviado do normal, uma alteração de uma função normal.
Bem, agora nos resta definir o que é normal. Normal é algo que serve de regra, de modelo.
Eu não sei qual é o sentido exato dado ao homossexualismo na psicologia, mas a mim, me parece que este comportamento envolve problemas grandes na transformação do indivíduo ao longo de sua vida.
Problemas maiores que eu mesmo compreendo.
Pelas definições acima, eu diria que é algo que não deve ser tomado como regra, nem como modelo.
O ponto que quero trazer com o homossexualismo para dentro da discussão, é que existe um movimento que ultrapassa as barreiras das escolhas pessoais do sexo e transporta um comportamento de exceção, anormal, para dentro da vida de todas as pessoas, quer elas queiram, quer não, como algo a ser aceito como normal e um modelo.
Além das passeatas e paradas gays (que cumprem um objetivo muito difuso e pouco positivo de um modo geral), da liberdade sexual que pode levar a uma libertinagem deliberada e da geração de um mercado e filosofia de vida que giram em torno deste tipo de comportamento, as conseqüências chegaram à já sensível estrutura familiar e ao próprio conceito de homem.
O homem moderno deve ser alguém que não tem direito a discordar do homossexualismo, pra que seja alguém politicamente correto e, portanto, aceito como alguém de relevância para diálogos que falem sobre sexo.
Diria que, individualmente, cada um deve mesmo ter a liberdade de fazer o que quiser com a vida, mesmo que outra pessoa (como eu, por exemplo) discorde de seus comportamentos e não os entenda.
Creio, entretanto, que nenhum grupo deve ter poder sobre outro na imposição de idéias e numa reorganização de estruturas basilares da sociedade tal como a família representa. Projetos de Lei como o PL 122, reivindicações de que casais homossexuais detenham guarda de crianças e pedir que as pessoas se calem diante daquilo que pensam, ao meu ver, recendem mais à tirania que à liberdade de escolha.
Um grupo escolhe e cala todos os outros. Este é um tipo de postura que nunca esteve certa, mas que vem crescendo muito e perigosamente.

Por fim, como homem que sou, devo deixar de lado o complexo de Adão e parar de apontar o dedo e enxergar a minha parcela de culpa nesta imagem, talvez como o pior e mais sutil dos elementos: os próprios homens.
Tirando os idiotas que dizem frases como "bicha tem que morrer", "lugar de mulher é na cozinha", que não valem nem como objeto de crítica, ficamos, na outra ponta da mesa, com a imagem do galã moderno.
Ele não tem compromisso com ninguém, quer viver incessantes paixões durante toda a sua vida, vai pra cama com todas as mulheres interessantes que encontrar no seu caminho, e, embora seja muito educado com elas, não as leva a sério e as despede quando não lhe interessam mais. É um adolescente grande, no pior sentido disto, um plaboy inconseqüente com ele mesmo e, pior ainda, com os outros.
A imagem do galã, eu diria ser uma imagem terrível, por extremamente sedutora e sutil que ela é.
Ela atrai tanto mulheres quanto homens.
As mulheres se vêem atraídas pela possibilidade da valorização eterna, pois têm certeza de que vão fisgá-lo de uma vez por todas. Ledo engano. Basta ver qualquer um dos filmes do James Bond, ou ver os ideais construídos num Elvis, num James Dean, ou "tipões" (pra usar uma palavra do mesmo tempo destes 2 últimos) do mesmo gênero.
E vale dizer que guitarras, carraços, armas, espionagem e missões secretas tendo como objetivo o bem da humanidade são um pano de fundo que torna nosso galã irresistível.
Até pra mim! Até eu que sou mais bobo queria ser assim! O cara tem o que quiser.
É um canalha e ainda por cima é aplaudido, mesmo na canalhice!
Perto desse cara, o homem de família não passa de um babaca bem intencionado.
O pai de família que paga as contas, troca fraldas do filho, trabalha regularmente, ensina o dever de casa, trata a esposa como uma mulher de respeito e, pior, é fiel a ela, enfim, este cara, simplesmente não tem glamour nenhum. O mesmo de uma dona de casa, de uma mãe de família, enfim, o mesmo para a mulher.
Este homem não tem o vento no cabelo, nem o cigarrinho no canto da boca, nem aparece nas propagandas da TV.
Na verdade, eu acho que se alguém viu qualquer um dos BBB não ficaria surpreso em encontrar algum camarada de fala macia, bons músculos e querendo desesperadamente fazer sexo com uma mulher extremamente atraente da mesma casa. Bem, não sou telespectador regular deste programa, mas imagino que seja isso o que se passe, numa base diária de sobrecarga de hormônios.
Nós torcemos por este cara. Pra que ele pegue mesmo a mulher. Pegue-a e mais a amiga.
E, se der, de preferência juntas. E que pegue todo mundo!
Pois assim, ele também não faz juízo nenhum sobre o homossexualismo, embora seja bem verdade que ele não saia com homens homossexuais e não esteja nem um pouco interessado neles.
Os próprios homens construíram uma imagem meio nojenta do homem macho heterossexual.
E se esconderam atrás de desculpas do que trouxeram os outros 2 movimentos que citei acima.
O homem moderno, como o antigo, gosta da sacanagem.
O homem moderno gosta de ver duas mulheres se insinuando sexualmente para que o estimulem, gosta de se excitar com qualquer pedaço de publicidade que exiba as formas de mulher. Ele é um lambão, que se guia pelo pênis e que está em pleno acordo com o seu corpo, mesmo no topo de sua irresponsabilidade.
Ele malha, toma bomba, cuida do corpo excessivamente, lê livros espiritualóides de terceira linha, não pensa em casamento quase nunca, mas na carreira, de um modo também excessivo, como se ela lhe fosse trazer um sentido de realização fora e além de sua própria existência, como se fosse um sacerdócio, mas para que a usufrua no tempo presente, tendo dinheiro e gastando com o que quiser, sem que ninguém lhe torre a paciência com bobagens sobre valores ou caráter, afinal ele não rouba e anda dentro da linha do que a sociedade lhe exige.
Ele está em todo lugar: igreja e bordel convivem com este mesmo sujeito.

Então, temos aqui 3 movimentos, que fazem, ao meu ver, do homem macho heterossexual um estorvo hoje na sociedade. As pessoas exageradas dos 3 grupos (e é delas que este texto naturalmente trata), que têm uma relevância muito grande para os impactos de movimentos comportamentais na sociedade, estas pessoas colocam o homem macho heterossexual como um indesejado até para si mesmo.

Nisso, eu penso em Jesus.
Jesus era homem por espécie, um macho por gênero, e, embora a Bíblia não me dê margem nenhuma para a especulação de um relacionamento sexual que ele tenha desenvolvido, vemos que ele aprovava por completo a opção heterossexual como a via correta de relacionamento amoroso, romântico e sexual.
Ele vai a um casamento, discorre sobre o divórcio e fala o que é o melhor pra nós neste assunto, como em todos os outros.
Bíblia o apresenta como um homem temperado, prudente, corajoso e justo, não dado aos pensamentos frívolos e picantes, alguém que conversava com as mulheres e com os homens, contava estórias de como um pai perfeito deve tratar um filho pródigo, e esteve até na defesa de uma igualdade de condições entre prostitutas e religiosos, dizendo que estes 2 na verdade são "farinha do mesmo saco" humano.
Diante dele, é impossível manter uma postura sexista, machista, feminista, homossexual ou de qualquer partidarismo mesquinho que inventemos.
Mas eu vejo em Cristo a afirmação de que o homem macho heterossexual deve ser mais firme e de um papel relevante numa sociedade louca, que esquece papéis e atropela coisas boas e naturais.
Sobretudo, em Cristo, eu vejo um homem terno. Um homem de ternura incomparável.
Nele, eu vejo o comportamento de caráter a ser imitado, seguido e passado de gerações em gerações.
Eu realmente creio que o discípulo homem de Cristo deve ser um homem macho heterossexual e que deve usufruir da bênção de um papel indispensável na sustentação de muita coisa que há na sociedade, mas que deve extirpar de si a parte torpe do seu ser e querer.
Deve liderar sua casa, amar sua mulher, cuidar de seus filhos, não sobrecarregar ninguém, ajudar e promover o crescimento do reino de Deus, como alguém que serve, que ama os seus.

14 de agosto de 2008

Neologismo

Eu estou reapaixonado.
Ela é uma menina linda, e que sempre me teve: já, ainda e até.
Teve-me mesmo na confusão, na negação, na divisão e vazio.
Tem o meu coração, mais que eu queria, menos que eu quero, quanto mais desejo!
Menina linda ela, já disse?
Pois é, mesmo longe a sinto doce e admirável, mais que imaginava e que mereço.
Estou reapaixonado. Estou feliz!

12 de agosto de 2008

Homenagem a Deus

Acho que depois de alguma reflexão, além de alguns conhecimentos técnico-científicos eu poderia citar 3 coisas que aprendi com o curso de engenharia química.
A primeira é que descobrir, modelar e investigar a natureza não é uma tarefa nada fácil. Cada porta que abrimos no conhecimento revela umas outras 5 portas adiante, numa atividade que nunca se acaba. Basta ver que nosso olhar para o universo compreende ao mesmo tempo quarks e estrelas gigantes, ondas e partículas que são a mesma coisa, a velocidade da luz e o lento movimento das placas tectônicas, enfim, coisas em diferentes dimensões de percepção. Tudo estudado ao longo de anos e anos, na evolução do pensamento científico pelos melhores cérebros. E as portas que abrimos no passado, depois de um tempo, nem temos certeza se de fato as abrimos. Com isso, eu diria que podemos extrair, no mínimo, uma lição de humildade diante de nossa impotência da compreensão de tudo.
Bem, eu digo isso, pois eu não entendo nem a minha própria cabeça bagunçada, que dizer então do cosmo tão bem ordenado, das árvores, dos céus, da terra, dos animais e dos próprios homens?
A segunda coisa que aprendi é que, mesmo na dificuldade de descobrir a natureza, as respostas são reveladas à luz da razão, e podemos, com nossos instrumentos, lançar mão de teorias que aproximam bem a realidade e a nossa maneira de compreendê-la. Fazemos as mais variadas hipóteses e teorias! E as teorias são as chaves das portas.
Uma boa chave consegue abrir uma porta. Uma chave ruim funciona no máximo como abridor de garrafas, em que bebemos nossas ilusões e fingimos que sabemos de alguma coisa. Por algum tempo, é claro. Pois a razão é uma manifestação sempre persistente e não tolera aproximações delirantes para sempre.
A terceira coisa que eu aprendi é que, por mais que abramos as portas com nossas chaves, nós não somos o carpinteiro que fez as portas, nem o construtor do prédio que as colocou lá.
As portas estiveram lá desde sempre. E antes delas, alguém com muita razão as fez para serem realmente abertas.
O que eu vejo na abertura de nossas portas, de nossas mentes, no descobrir da beleza do cosmo é um convite.
Um convite maravilhoso, que muitíssimo nos atrai, mesmo que nem entendamos ainda sua atração. Um convite, que, como todo bom convite, não é uma disputa intelectual, pois certamente perderíamos; mas é um convite a que homem e mulher pensantes participem na descoberta do Deus que criou todas as coisas que há no mundo e sem o qual nada haveria.
A esse Deus pessoal, eu agradeço por esta cerimônia que encerra uma etapa e abre outras muitas portas, pelos anos de aprendizado, companheirismo e sustento, pela própria vida e pelo grande convite de conhecê-lO.
Senhor Deus, seremos sempre gratos.


- Texto escrito por ocasião da e lido na cerimônia de formatura da turma de Engenharia Química do primeiro semestre de 2008 da UFF.

Vil Homem Simples


"E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai."(João 1,v. 14)
Sempre existiu algo intangível na Palavra. Mas isso já foi quebrado.