26 de maio de 2008

Infalibilidade babal

É uma experiência incrível ver as imúmeras igrejas na Itália. E mesmo ver que um panteão de deuses pagãos acabou se tornando uma igreja católica em Roma.
A Basílica de São Pedro, lugar onde o Papa faz suas pregações, não tinha muitas coisas que lembrassem Jesus, pelo que me recordo. Eu contei uns 2 crucifixos e a imagem de Jesus na Pietà de Michelangelo. Entretanto, há lá muitas referências aos papas, aos santos, etc.
Tudo lindo: o Renascimento, as obras de mestres das artes, coisa de primeira mesmo.

Mas me ficou um sentimento terrível de vazio.
Pra mim, a evidência da falência da religião está marcada no cristianismo institucional.
É sempre um fracasso quando as pessoas começam a pensar ser possível misturar Deus com qualquer coisa, enfiar santos no Panteão, trocar Atenas por Maria, Vênus por Madalena, o diabo por Jesus...
A Basílica de São Pedro é um grande monumento aos papas, basta ir lá e ver.
E me espanta o poder do Vaticano! Quanta grandeza, quanta riqueza e quanta falta de proximidade com Jesus!
Naturalmente, eu nunca poderia dizer sobre da vida pessoal e a intimidade com Deus de bispos, padres, papas... Mas a Igreja Católica Apostólica Romana, da maneira como ela se apresenta a nós com o papismo, é o maior descrédito à idéia de que Deus nos ama, tem um plano pra nós e quer viver conosco.
Que Deus? O mesmo que tem por representante o infalível pontífice que carrega um cetro de ouro e é eleito por homens? O deus que é menos importante que sua mãe, Maria? Ou talvez o deus que fez selar os acordos políticos interessantes a governos terrenos em Roma, na Idade Média, no Sacro Império, por mão de seus abnegados servos? Ou o deus da Inquisição, das Cruzadas, do Catequismo indígena? Ou seria o deus que apertou as mãos de Mussolini, legitimando o fascismo?
Um deus muito distante da vida das pessoas comuns que passam seus apertos diários, que têm contas a pagar, problemas de relacionamentos (minha mão levantada, pertenço a este grupo), os que choram, os que não têm onde cair mortos, os mansos, os tolos, os desajeitados, os burros, os pobres, os mais pobres, os miseráveis de vida e espírito.

A versão deste deus que temos hoje é de alguém que está com os ricos e com os governantes, que faz o mundo girar em torno de seus interesses temporais, afinal, não é eterno, nem tem compaixão, mas faz balançar um cajado de ouro, por mão de um velhinho cujos domínios ultrapassam fronteiras e cuja mão está encolhida.
A igreja católica papista (faço questão de dizer "papista", para diferenciar alguém que creia na verdade de Cristo, mas seja católico, o que não é impossibilidade; de alguém que veja no papa o vigário de Deus) excede o sistema religioso doente contra o qual Jesus era.
Ao lado do império norte-americano, o papado tem uma influência muito grande sobre a vida das pessoas, pois é e representação da religião de Jesus para os "leigos" (como se alguém em sã consciência pudesse se dizer um não leigo no Reino). A diferença deste último é que ele corrói o sentimento religioso mais sincero e profundo, ao mesmo tempo em que oculta a verdade da graça salvadora de Jesus, pelas meias-verdades que enuncia.
Na verdade a religião institucional, seja qual for, aprisiona o Deus vivo como se fosse um objeto de pouco valor, de importância muito subjetiva e vaga pra vida diária, algo menos valioso que comida, bebida e, naturalmente, ouro e prata.
Volta-se ao tempo em que se dizia: "Quem jurar pelo altar, isso é nada; mas quem jurar pelo ouro do altar, fica obrigado pelo que jurou." Jesus condenava este tipo de conduta.
Impressiona ver que a igreja atual esteja tão presa à irrealidade de suas doutrinas, mais que à realidade do evangelho. E isso não é privilégio dos católicos...
De um modo geral, a igreja institucional transforma a realidade do Deus vivo nas formas de homens vazios.
A real igreja, triunfante, vitoriosa, bela e noiva de Cristo, sem a pedantaria do egocentrismo neo-evangélico, ou da arrogância papal, há sempre que se manifestar, ainda mais urgentemente hoje.
Trazendo as palavras de Paulo pros dias atuais: "A criação aguarda ardentemente a manifestação dos filhos de Deus."(Romanos 8,v. 19)

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Vil Homem Simples


"E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai."(João 1,v. 14)
Sempre existiu algo intangível na Palavra. Mas isso já foi quebrado.