5 de maio de 2008

Ah, Senhor! Onde estávamos?



Na quinta-feira passada, Dia do Trabalho, estive no campo de concentração de Dachau, próximo de Munique.
Fiquei realmente bastante reflexivo com esta visita.
Logo na entrada está escrita a frase: "Arbeit macht frei", que eu traduziria como "O trabalho liberta". Certamente, a frase mais sádica que um Estado já pôde escrever em seus portões.
Homens que em sua maioria nunca mais viram não só a liberdade, mas quaisquer condições de dignidade humana, entraram por estes portões e morreram por conta das arbitrariedades de um regime louco.
Alguém já disse que a História do homem é a História de suas guerras e não há como duvidar disso.
E quando olhamos para a Segunda Guerra Mundial, vemos a história hedionda de nossos homens do século passado.

Mas, honestamente, esta me parece a mesma história humana de sempre.
É só escolher o nome do ditador ou do império pra encontrar o abuso da maldade.
Mas a Segunda Guerra Mundial excerce maior fascínio em nós pois o homem do século XX já achava ter superado a si mesmo e seus "instintos" primitivos.
É incrível mesmo que o homem seja a mesma coisa de sempre.
A mesma composição.
Certa vez vi um filme em que dois dos protagonistas apreciavam e analisavam a molécula de DNA humano, e um deles, maravilhado, falava da diferença entre o homem e o chimpanzé e dizia: "Menos de 1% de diferença entre o homem e o macaco, e o que isto nos dá? Mozart, Einstein, Shakespeare..."
E o outro acompanhava o raciocínio, mas numa outra ordem: "Sim, sim... Jack, "o estripador", Hitler..."

Hitler é o nome que causa o maior arrepio na espinha do mundo ocidental. Mais que o próprio diabo.
Sua saudação foi proibida na Alemanha, seu nome não é falado com nenhum orgulho, mas, pelo contrário, ele é a grande vergonha da Europa e da alma humana.
O que acho interessante é que um país inteiro apoiou uma pessoa maluca na corrida por promoção econômica através dos meios mais terríveis.
Fico considerando o que os cristãos estavam fazendo quando começaram a apoiar a guerra e seu Führer.
Meu Deus, o que aconteceu?
Obviamente, o regime nazista tem seus méritos em ter erguido o país da situação de miséria da Primeira Guerra Mundial e na crise de 29, mas acho que ninguém seria louco de concordar com o que se desevolveu na guerra. Enretanto o povo foi fundo. Que juramento pode ser maior que uma confissão de fé?
Ao exército? À pátria? A uma guerra? À falta de dignidade?
Católicos e protestantes unidos novamente para a chacina de judeus.
Acho que não é essa a idéia de igreja unida que Deus tinha em mente.
Claro que pra mim, hoje, depois de todos estes anos passados da guerra e sendo brasileiro, só me cabe a reflexão e nunca, repito, nunca o julgamento.
Penso que podemos e devemos encontrar os vestígios da resistência, sempre que possível: Bonhoeffer, Rosa Branca, etc. nos movimentos que se fizeram como linha de frente na história.

Mas o que realmente me choca é ver que os cristãos não dão muito o braço àquilo que acreditam.
Senhor, nos ajuda, por favor!
Eu não sou diferente dos cristãos do século passado que apoiaram Hitler, nem dos que fizeram as Cruzadas, nem dos que escravizaram negros na África e os mataram aos montes, nem dos que mataram os índios...
Uma história de guerras dentro do Cristianismo.
Isso ofende a própria natureza de Deus e do Seu evangelho.
Evidencia Sua graça, mas ofende muitíssimo o caráter de quem Ele é e da transformação que Ele quer fazer em nós. Mostra que tem gente que nunca se abriu de verdade ao Cristo vivo, que nunca experimentou a vida abundante do amor de Deus, mas que insiste na guerra.
Realmente, impressiona a apatia cristã. Minha, sua, nossa.
Senhor, perdoa-nos, por favor! Faz-nos outros! Faz-nos mais próximos de quem o Senhor é, de quem o Senhor deseja que sejamos, revestidos em amor.
Amor! Ah, se houvesse mais amor no cristianismo pós-moderno...
É impressionante, mas se medirmos um cristão pelo amor que ele tem pelos outros encontraremos quase ninguém no rol dos filhos de Deus.
Senhor, faz-nos outros!





4 comentários:

Liege Lopes disse...

Também estive em Dachau quando da minha primeira visita a Alemanha em 97.

Incrível como mais 10 anos depois você faz as mesmas reflexões que fiz. E não me refiro ao passado, mas a falta de expressão de amor e e principalmente verdadeiro cristianismo da Igreja hoje (porque amor, as vezes penso que alguns, mesmo não cristãos, demonstram mais do que a Igreja).

Bianca disse...

Compartilhamos a dor.
Apesar de não ter estado ae, é só conhecer um pouco de história, ou no mínimo ter sensibilidade ao passar pelas ruas da cidade, e ter certeza que tem algo muito errado mesmo! Em muitos sistemas, em muitas épocas e lugares...
Isso me dói profundamente.
É DES-humano!

Que o Senhor nos perdoe a indiferença... e que nós nos inquietemos a ponto de não suportarmos "ficar na nossa"!

bjo grande!
Que Deus nos guie!

Gil disse...

O homem no seu devido lugar... O Holocausto é a prova inconstestável da maldade intrínsica de todos nós... E Hitler não é o único responsável por esta atrocidade. Foi um crime da humanidade contra a humanidade.
Deus fora do seu devido lugar... Sua indignação é a prova incontestável do vestígio do Criador em todos nós. Mas só restou um vestígio.
Ora vem, Senhor Jesus!
[Saudades de vc, meu amigo. E particularmente triste pelas últimas notícias. Um grande abraço!]

E.M. disse...

Fala aí, diplomata!
Estou passando por aqui para deixar um abração ao amigo neo-alemão. Saudade de te chamar para sair junto com a galera.
Neste sábado a gente viajará para Macaé, só para certificar que o La Bamba realmente vai casar! hehe
Gott segne euch, VHS!
Affe

Vil Homem Simples


"E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai."(João 1,v. 14)
Sempre existiu algo intangível na Palavra. Mas isso já foi quebrado.