21 de abril de 2008

Um pequeno lamento

Como é impossível realizar a tarefa de escrever sobre todas as idéias que me vieram desde a última vez em que escrevi algo digno de leitura aqui, devo selecionar o que dizer, e pelo menos falar que mais me vem à mente, como coisa óbvia e necessária, a relação entre as diferenças entre Brasil e Alemanha e certo lamento que posso levantar, graças à má gestão de muito no Brasil.
Por onde começar é algo sempre difícil de escolher...
Mas uma das coisas que me marca profundamente é a diferença entre nosso dinheiro e o daqui: o nosso não vale muito, embora o Plano Real tenha sido uma boa na época, ninguém discorda muito.
Há coisas aqui que, caso se pense em ganhar em Euros, são muitíssimo baratas, em especial coisas eletrônicas e utilidades de casa.
E comida também, na Alemanha, não é tão caro como eu esperava. Especialmente comida industrializada é muito barata.
Por exemplo, o chocolate aqui (onde não há nem um pé de cacau sequer plantado) é constrangedoramente barato.
A estrutura do transporte público alemão é algo que deixa qualquer um impressionado. Pontualidade e serviço de altíssimo padrão. Quando penso nos ônibus no Rio ou na linha do trem, vejo porque ainda não chegamos lá.
Outra coisa que naturalmente ressalto é a língua.
O Alemão é bem difícil. Bem, digamos que é bem mais difícil que o inglês. Tem uma gramática sofisticada ao mesmo tempo em que usa coisas de séculos atrás.
Isso me faz pensar na maravilha que é uma língua.
Ela traz consigo história, sociologia e educação em si mesma.
Mas não está encerrada em si mesma, pois se presta ao objetivo da comunicação.
Nunca estive tão convencido de que a língua é a expressão maior de uma cultura.
E é impressionante que o alemão seja falado por tão pouca gente (se compararmos ao Português ou ao Espanhol) e mesmo assim, a cultura que o domina seja tão forte.
A Alemanha é um país pouco menor que o Mato Grosso, com bem menos recursos naturais, mas mesmo assim é bem mais rica. É tão triste contrapor os dois países assim que acho melhor até parar.
Mas aqui fica muito evidente que existe muita coisa errada na administração pública no Brasil, uma vez que o povo trabalha bastante lá. Aliás, eu diria que o povo brasileiro trabalha mais do que o povo alemão, em geral.
E ganha muitíssimo menos também.
Como pode isso, é uma questão interessante.
Talvez pelo fato de que quem faz mais dinheiro no Brasil sejam os bancos, que acabam não produzindo nenhuma riqueza efetivamente?
Há também uma corrupção que não só é o maior problema moral brasileiro, como também um problema econômico, que atrapalha tudo.
Não usei da justiça daqui, e nem quero ter que mexer com ela (eu sou o imigrante da história e sempre sobra pra ele), mas é muito duro ver os processos só andarem pra frente se há interesses comerciais envolvidos, quando não há nenhuma proteção ao cidadão por parte do Estado.
É terrível ver que o Estado não protege, não educa, não cura... simplesmente não liga pra população brasileira, pras pessoas.
Na verdade o que impressiona o viajante terceiro-mundista, como eu, quando encontra a Alemanha é o seguinte: o governo governa.
O que era pra ser a realidade do governo, quando ele existe, acaba sendo o incrível num país tão acostumado a ser mal servido por seus dirigentes.

2 comentários:

Ale Chazin disse...

Caríssimo!
Não deixe de nos informar das maravilhas das suas andanças pela Europa. Beijo grande do Brasil!!!

Gil disse...

Pro seu bem, e pro nosso, sugiro uma escala na África antes de voltar ao Brasil... Saudades daquele café da tarde. Grande abraço!

Vil Homem Simples


"E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai."(João 1,v. 14)
Sempre existiu algo intangível na Palavra. Mas isso já foi quebrado.