17 de fevereiro de 2008

O tamanho do homem


Segundo o filósofo Protágoras, "o homem é a medida de todas as coisas, das que são, enquanto são, e das coisas que não são, enquanto não são."
Embora belo e convincente, o adágio antropocêntrico faz do homem o imperioso ser que rege suas próprias leis e posturas sociais, podendo, contudo, não se submeter a elas quando lhe convém. Em outras palavras, temos um excelente sofisma nas mãos.
Entretanto, proponho uma leitura mais literal do dito.

Saindo da Terra, atravessando o Sistema Solar, para sair da Via Láctea e, por fim, chegar em algum lugar que seria o "fim do Universo" (entre aspas por mera vontade de imaginar que haja um fim no Universo); teremos algum lugar longe. Olhando as distâncias percorridas para chegar a este lugar imaginário, veríamos um número de quilômetros com incontáveis zeros à direita.
Tomando a direção oposta, ou seja, indo para o "outro fim o Universo", teríamos mais ou menos o mesmo número.
Agora que fizemos nosso raciocínio em dimensões finitas, suponhamos que estes lugares acima descritos estejam no infinito. Bem, fica óbvio que as distâncias percorridas serão infinitas agora.

Voltemos de nossa jornada, para a Terra.
Nosso conhecimento da matéria, embora muito limitado na completude das obras de Deus, nos fez chegar a resultados impressionantes, havendo-se verificado a realidade das moléculas, dos átomos, dos elétrons, dos quanta... mas se nos esforçarmos, poderemos, da mesma maneira como nas galáxias, diminuir ao infinito e chegar ao infinitezimalmente não atingível, de tão pequeno (a não ser pela arrogância humana).

Há, portanto, em termos de unidade de medida do espaço (mm, m, km,...), números grandes, números maiores que os grandes, números infinitamente grandes, ao mesmo tempo em que há números pequenos, números menores que os pequenos, números infinitamente pequenos.
No meio disso, temos o homem.

Existe melhor medida que o homem para isso?
Puramente por sua percepção, ele é quem faz notar a extravagância de uma criação tão diversa, infinita e bela.
Entretanto, como no dito de Protágoras, a medida é subjetiva e altamente humana.
É maravilhoso ver que Deus fez o homem à Sua imagem.
Entretanto, admitamos: no além infinito de nossas vidas finitas, no que é maior que o infinito e menor que o infinito, é muita bondade dizer que sejamos alguma coisa digna de nota.
Nas palavras de Davi:
"Que é o homem mortal, para que dele Te lembres? Ou o filho do homem, para que o visites?
Contudo o fizeste pouco menor do que Deus e de glória e honra o coroaste."(Salmos 8)
Nossa vaidade e pretensão, diante da realidade, não fazem o menor sentido.
A graça é que nos coroa.

Um comentário:

Agamagra Blackray disse...
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Vil Homem Simples


"E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai."(João 1,v. 14)
Sempre existiu algo intangível na Palavra. Mas isso já foi quebrado.