19 de fevereiro de 2008

"A História me absolverá"


Embora tenha ocorrido neste século, acho que o dia de hoje marca o fim da era revolucionária do século XX.
Em suas próprias palavras, eu diria que, sim, a História absolveu Fidel Castro em sua renúncia.
Um bom apanhado da história do revolucionário.

18 de fevereiro de 2008

Contraste de Tempos


"[...] os portões das jaulas de animais ferozes abrem-se de repente. Para fora salta uma multidão de leões, ursos, tigres, panteras e javalis, provocados a um excitamento louco pelo medo, pela fome e pela tortura; atiçados de maneira a se despedaçarem uns aos outros perante o público. Mas o espetáculo ainda não acabou. Depois disto, um desgraçado qualquer, vestido como Múscio Scaevola, queima sua mão na chama sem um grito de dor; outro, imitando Hércules, trepa à sua pira funerária e se reduz a cinzas; outro, à maneira de Laureolo, é dependurado numa cruz e devorado pelas feras, ainda outro miserável é queimado na túnica molesta, uma camisa embebida de alcatrão; finalmente um infeliz é amarrado a um pau e estropiado por um urso faminto; alguns são cobertos com peles de animais bravios e caçados por cães de fila.
Para cúmulo, surgem os gritos ferozes de 'Cristãos às feras!'. Então, um velho, ou uma gentil donzela, permanece imóvel ante o rugido de leões da Líbia que devoram a vítima para gláudio da multidão."
Este cenário, descrito por Benjamin Scott em As Catacumbas de Roma, revela o estado de espírito pagão do Império Romano no que diz respeito à diversão da época de César Augusto.
Esta é uma das muitas exposições que o autor faz em seu livro sobre a carnificina empregada para saciar as diferentes esferas sociais, todas reunidas na observação da destruição de pobres coitados desfavorecidos pelo regime do império.
Da época do imperador Antonino (por volta de 160 d.C.), as pedras romanas clamam o seguinte:
"Alexandre morto não está, mas ele vive acima das estrelas, e seu corpo descansa neste túmulo.
Terminou a sua vida sob o imperador Antonino,
que prevendo grande benefício dos seus serviços,
pagou o bem com o mal, porque, quando estava de joelhos
e prestes a adorar ao verdadeiro Deus, foi levado à execução.
Oh, que triste tempo! No qual, entre ritos e orações sagradas,
mesmo em cavernas, não estamos seguros!
O que pode haver de mais desgraçado do que tal morte,
quando não podem ser enterrados pelos seus amigos e parentes
mas brilham no céu?
Quase não tem vivido quem tem vivido em tempos cristãos."(Benjamin Scott, As Catacumbas de Roma, CPAD, 27ª edição, 2006)

Perseguição aos cristãos não é coisa nova. Sempre houve, sempre haverá, enquanto os cristãos forem cristãos. Jesus diz que isto é motivo de alegria.
Sutil ou manifesta, ela faz parte saudável da vida do crente, por mais louco que isto pareça.
Entretanto, os escândalos também geram perseguições, mas de uma outra natureza, que não tem nada a ver com o que é devido a Cristo, mas ao que é de "César".
Lembro-me de alguns, no pequeno curso de minha vida, podendo brevemente citar a igreja Universal, a Renascer e minha própria igreja.
Posso mesmo olhar para minha fraca carne e ver que, no que depender de mim, este mundo está perdido.
Mas o ponto que quero defender aqui é a diferença de perspectiva diante da vida dos antigos cristãos e dos cristãos de hoje.
Enquanto em tempos passados cristãos comuns eram relegados a fazerem seus cultos em catacumbas, e cavernas, às escondidas, vivendo em um ambiente nada favorável, com poucas condições econômicas, num regime em que poderiam ser expostos à morte facilmente; hoje, o crente tem que ser cabeça e não cauda, ouvir os sermões sobre todas as bençãos que virão caso ele "faça muito barulho para o Senhor", comprar as Bíblias anunciadas em programas televisivos e todos os artigos de consumo do mercado evangélico existente.
Não tenho nada contra a cultura evangélica como um todo, mas há detalhes que não têm nenhum vínculo com o evangelho de Jesus, ou com Sua graça salvadora.
O empenho pessoal por bençãos, a vitória absoluta e inequívoca sobre as finanças, e, em especial, as articulações políticas que giram em torno de nossas igrejas são, grosseiramente, parte mais torpe do discurso oportunista de líderes pouco interessados no evangelho da graça. É o discurso de poder que lança o homem aos grilhões de sacerdócios ineficazes e que apagam o único sacerdócio suficiente, o de Cristo, conforme explica tão bem o livro de Hebreus.
O evangelho da graça é que me garante quaisquer bençãos.
Gosto de pensar que os cristãos dos primeiros séculos percebiam que eram alvos de tão grande amor, que a busca desenfreada por sua morte pelo Estado, pelo paganismo, pelo diabo era uma honra, frente a um mundo caído, já morto em si.
Sem querer, talvez, deixaram um legado espiritual inestimável, que nos alcança, adverte e encoraja.
Este é o poder do evangelho em sua matiz mais incrível, para mim: Deus apresenta Sua força na nossa fraqueza.

17 de fevereiro de 2008

O tamanho do homem


Segundo o filósofo Protágoras, "o homem é a medida de todas as coisas, das que são, enquanto são, e das coisas que não são, enquanto não são."
Embora belo e convincente, o adágio antropocêntrico faz do homem o imperioso ser que rege suas próprias leis e posturas sociais, podendo, contudo, não se submeter a elas quando lhe convém. Em outras palavras, temos um excelente sofisma nas mãos.
Entretanto, proponho uma leitura mais literal do dito.

Saindo da Terra, atravessando o Sistema Solar, para sair da Via Láctea e, por fim, chegar em algum lugar que seria o "fim do Universo" (entre aspas por mera vontade de imaginar que haja um fim no Universo); teremos algum lugar longe. Olhando as distâncias percorridas para chegar a este lugar imaginário, veríamos um número de quilômetros com incontáveis zeros à direita.
Tomando a direção oposta, ou seja, indo para o "outro fim o Universo", teríamos mais ou menos o mesmo número.
Agora que fizemos nosso raciocínio em dimensões finitas, suponhamos que estes lugares acima descritos estejam no infinito. Bem, fica óbvio que as distâncias percorridas serão infinitas agora.

Voltemos de nossa jornada, para a Terra.
Nosso conhecimento da matéria, embora muito limitado na completude das obras de Deus, nos fez chegar a resultados impressionantes, havendo-se verificado a realidade das moléculas, dos átomos, dos elétrons, dos quanta... mas se nos esforçarmos, poderemos, da mesma maneira como nas galáxias, diminuir ao infinito e chegar ao infinitezimalmente não atingível, de tão pequeno (a não ser pela arrogância humana).

Há, portanto, em termos de unidade de medida do espaço (mm, m, km,...), números grandes, números maiores que os grandes, números infinitamente grandes, ao mesmo tempo em que há números pequenos, números menores que os pequenos, números infinitamente pequenos.
No meio disso, temos o homem.

Existe melhor medida que o homem para isso?
Puramente por sua percepção, ele é quem faz notar a extravagância de uma criação tão diversa, infinita e bela.
Entretanto, como no dito de Protágoras, a medida é subjetiva e altamente humana.
É maravilhoso ver que Deus fez o homem à Sua imagem.
Entretanto, admitamos: no além infinito de nossas vidas finitas, no que é maior que o infinito e menor que o infinito, é muita bondade dizer que sejamos alguma coisa digna de nota.
Nas palavras de Davi:
"Que é o homem mortal, para que dele Te lembres? Ou o filho do homem, para que o visites?
Contudo o fizeste pouco menor do que Deus e de glória e honra o coroaste."(Salmos 8)
Nossa vaidade e pretensão, diante da realidade, não fazem o menor sentido.
A graça é que nos coroa.

Vil Homem Simples


"E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai."(João 1,v. 14)
Sempre existiu algo intangível na Palavra. Mas isso já foi quebrado.