27 de novembro de 2008

Pérola


"E é bíblico: a união faz a força!"

- Senador Mão Santa, do Piauí, em seu discurso "teológico" em plenário, no dia 26 de novembro de 2008

24 de novembro de 2008

Caminhando

Caminhando, começando, caminhando! Correndo! Caminhando... passeando... Caminhando? Parando? Caminhando: caminhando.

15 de novembro de 2008

Hora de Crítica


O Dicionário Etimologógico Online, de Língua Inglesa (Online Etymology Dictionary), indica que a palavra "crise" (crisis, em Inglês) vem da palavra grega krisis, como utilizada na medicina por Hipócrates, para se referir ao "ponto de mudança numa doença", ou para se referir a "julgamento", como objeto de Literatura. A esta palavra, crise, seu entendimento como "julgamento" vem da palavra grega krinein, que o mesmo dicionário define como "separar, decidir, julgar".
Valeria a pena imaginar a cena de um médico em Atenas que, surpreendido por uma melhora na saúde de seu paciente, sai pela rua e grita a plenos pulmões: "Krisis!"
Embora não tão convincente como o sonoro "Eureka!" de Arquimedes, nosso médico exprimiria algo saudável e, talvez, definisse assim um conceito diferente para a palavra do que o que nos ficou legado.
Aparentemente, o ponto de mudança em uma doença passou a ser mais freqüente no aspecto negativo que no positivo. Bem, as pessoas continuam morrendo nos hospitais até hoje e acho que este seja um bom indício de que o sentido de crise na medicina tenha se perpetuado numa mudança que, em vez de um pico positivo de saúde, seja mais evidenciada nos picos negativos, de modo às vezes irreversível. Às vezes...
Mas tem outra palavra interessante que está relacionada à crise, desde que ela existe, que é a palavra "crítica".
"Crítica" também é uma palavra de origem grega e vem de kritikos, que quer dizer de alguém "apto a fazer um julgamento", que é uma derivação de krinein.
Finalmente, no Português, o adjetivo "crítico" (como em "ponto crítico") tem uma origem direta da palavra "crise" e, conforme conseguiram montar (ou tomar emprestado de outras línguas) o conceito de "crítica" também emerge da "crise".
Com isso, minimamente, o que se deve propor em um período de crise é a crítica. É o que naturalmente surge dela.
Portanto, embora eu fale como leigo completo em economia, acho que posso fazer o convite à exploração da atual crise financeira que está afetando o nosso mundo neo-liberal, como uma reação gerada na própria natureza da crise.
Se é possível crer na imprensa mundial, vamos ao que parece ser razoável:
Desde 2001, o mundo do capital foi abalado mais do que pelo "susto" do terrorismo, pois as baixas no capital com o 11 de setembro foram sofridas graças aos bolsos dos cidadãos do império do consumo, que deixaram de comprar tanto, pois muitas empresas ficaram instáveis e a economia ficou fragilizada. Com isso, bancos tiveram a política de oferecer juros mais baixos para qualquer um que quisesse empréstimo, para movimentar a economia. Mesmo para quem não tinha bons históricos com pagamentos. E os prazos de pagamento foram afrouxados.
Achava-se que este cenário de programa do Silvio Santos "quem quer dinheiro?" fosse a solução para reaquecer a economia, pois toda a economia norte-americana (e quase de todo o mundo) está baseada no consumo e especulação. Se as pessoas não consomem, não se gera riqueza.
Com os empréstimos, as pessoas foram se empolgando em melhorar de vida.
Compraram casas e outros bens mais caros, financiados a suaves prestações a serem pagas quando houver dinheiro.
Como as pessoas começaram a comprar casas, a oferta por elas aumentou. Logo, em 2006, o preço dos imóveis caiu. Imóveis caros e luxuosos eram conseguidos por gente que não poderia bancá-los. Naturalmente o setor de imóveis não conseguiu se manter e precisou de uma estratégia: refinanciou os imóveis, elevando seus preços.
Ao mesmo tempo, os juros subiram, pois de algum jeito alguém tem que pagar a conta, mesmo que em parcelas suaves.
Com o aumento dos juros, aumentou também a inadimplência.
E o mercado de imóveis começou a ruir. E junto dele vem o efeito dominó de quebradeira.
O grande problema, pra mim, é o seguinte: não se mistura ilusão com realidade, a não ser que seja em arte e religião.
Ninguém constrói pontes com palitinhos de dente, a não ser para pequenas escalas e para intervenções artísticas. A gente precisa de concreto, cálculos de engenharia, um projeto viável, seguir normas de segurança, etc.
O mercado imobiliário é de especial delicadeza, pois as pessoas ainda moram em casas e elas são parte fundamental da vida em sociedades saudáveis. Se você pedir pra uma criança, mesmo uma que more em um apartamento ou em uma oca, desenhar uma casinha, ela vai te fazer um desenho com os telhadinhos. Peça a ela para desenhar uma ação do mercado imobiliário e espere o resultado...
Mas as ações não são nem boas, nem más, em si mesmas. Só a supervalorização delas é que é ruim.

Não é muito possível fazer que a especulação seja algo válido pra funcionar a economia real. Entretanto, esta parece ser a base da economia vigente: alguma parcela de produção e outra de especulação.
Pra mim, a especulação é algo nocivo no mundo do capital, pois ela gera instabilidade e faz que coisas que tenham um valor ou qualidade inferior se tornem superiores, e vice-versa, pelo apelo frenético de pessoas que se contorcem em bolsas de valores, se acotovelando e berrando atrás do dinheiro. Parece um "Show da Fé" ao dinheiro.
Embora cada um tenha o direito de fazer o que quiser da vida, devemos avaliar que algumas deciões pessoais afetam mais a sociedade que outras decisões.
Com a crise americana, o efeito imediato, numa sociedade de capital aberto, é uma tsunami de desemprego.
As imobiliárias e construtoras começam a afundar e demitem gente. As ações delas que circulavam no pregão caem, e assim por diante...
Mas isso não fica só nos arraiais norte-americanos: a pacata Islândia, que parecia ter um desenvolvimento sólido, com gente instruída (o povo que mais comprava livros na Europa), está passando um aperto complicadíssimo.
Além disso, a Alemanha e a Itália, 2 dos países mais desenvolvidos da Europa, estão enfrentando o que tecnicamente foi classificado de recessão, pelos pontos percentuais de suas bolsas. A Itália chegou a pedir para que as metas de emissão de carbono fossem afrouxadas, pois industriais criam que um dos contornos à crise seria produzir mais, aparentemente.

Por isso, creio que seja oportuno rever nossas perspectivas de economia e rever se ela pode ficar amparada por especulação.
Especulação é uma palavra que, fora dos meios econômicos, não é utilizada para definir nada seguro.
Voltando ao dicionário, desta vez em Língua Portuguesa mesmo:
especulação: s. f. ato de especular; estudo; investigação teórica, puramente racional; transação em que uma das partes abusa da boa-fé da outra; exploração, burla; compra em larga escala com o objetivo de as revender mais tarde com um lucro resultante da variação das cotações.
Acho que a definição deixa claro que é coisa pra gente esperta, que sabe vender o peixe. Mesmo que o peixe não tenha sido nem pescado ainda.
Por isso, não é de admirar que, das 5 empresas mais lucrativas no Brasil, 3 sejam bancos.
É hora de rever quem é que deve ter voz e que tipo de dinheiro, produtos e serviços nós queremos.
Até mesmo porque quem sofre somos nós e, além disso, já houve problema bem grande com estes mesmos conceitos em 1929.
Na verdade, a crise parece mostrar uma face da fragilidade humana, em aspecto macro.
Como o homem consegue maquear suas falhas, a ponto de não se lembrar delas, por conta de ver que as coisas, a despeito de suas falhas, funcionam, vendem e dão certo por um bom tempo.
Torço para que o controno da crise passe por uma mudança de postura em relação aos nossos valores econômicos fundamentais e que se dê na estrutura de ações conscientes em relação ao meio ambiente, ao pobre, à cooperação e a sentimentos de igualdade diante do outro.
Bem, sonhar não custa nada...

12 de novembro de 2008

O Meu Divino

De um tempo pra cá, um pouco por conta dos acertos que a vida nos pede com ela mesma, eu tenho me esforçado pra ver no que eu creio.
Como uma espécie de espelho metafísico. Entretanto, pela própria natureza do que creio, este é um espelho que funciona às avessas: vejo o que de fora atravessa o meu ser e entra em mim.
Eu poderia citar o credo apostólico, que, aliás, acho lindíssimo e contém basicamente a verdade por trás da fé cristã e, conseqüentemente, a minha.
Como disse acima, a fé que tenho vem de fora, do espaço sideral e além dele; vem do espaço invisível entre as partículas elementares onde nenhuma lente atinge, de tão pequeno; vem das palavras que não conseguimos pronunciar, mas que desejamos ansiosos; das equações que não conseguimos enxergar; da beleza que não conseguimos pintar; dos tempos que não conseguimos medir; das velocidades que sejam maiores que a da luz e dos prazeres que ultrapassam mesmo a imaginação; enfim, ela vem de tudo o que deve existir, mas que nenhum de nós nunca vai poder pegar com as próprias mãos.
A caminhada de fé me aponta também uma realidade à mão: liberdade.
Liberdade para saborear a vida, para não me prender no que percebo ser o pecado e o mal. A liberdade de enxergar as fronteiras que me cercam e que me dá a possibilidade de escolher. Ela me lança na trajetória de uma vida que experimenta a ética elevada, pautada em valores e virtudes solidificados e distinguíveis pelo meu coração e pela humanidade toda: a verdade, a justiça, a humildade e a coragem.
É uma fé que me lança no contato com o divino no espaço aberto, em condições sedutoras de desvantagem: estou nu, sou falho, eu peco, sou mau, sou tolo, soberbo, rebelde e mortal, enquanto meu contato se dá com o Deus único, santo, puro, belo, perfeito, imutável, indomável, magnificente, o próprio esplendor e o objeto último de toda a glória que há, grande e selvagem. Imortalidade é pra Ele menos que detalhe, pois não há vida fora dEle.
Se fôra um confronto, eu não estaria aqui pra descrever coisa alguma...
Não é possível que eu me esconda e não é possível que eu o despiste de quem eu sou. Não vou vencê-lo e a própria idéia de luta me parece razoavelmente insana.
Por misericórdia dirigida à minha arrogância, é um contato de amor.
Vejo que o Divino me ama e é maior que tudo o que eu possa imaginar.
Ele é os próprios conceitos: é a verdade e o amor.
Aos apelos de seu irresistível amor, eu me rendo, quedo-me diante do que é desconhecido, projetado no real mistério, no insondável, no impossível, no limite entre meus pequenos espírito, alma e corpo e a imensidade do restante do universo que Ele contém e o além, em tudo o que Ele é.
Ele entra no meu ser irreversivelmente; com o efeito de uma vacina, mas com a eficácia da arma mais letal contra a morte. E Ele não quer só que eu seja diferente: Ele me quer todo, nem um centímetro ou gole a menos. Todo o meu tempo, todo o meu esforço, todo o meu sangue, toda a minha alma, todo o meu espírito, tudo o que eu sou.
Todo 0 meu ser se curva diante dEle: o que é consciente e o que não é. E a vontade do meu ser é que eu fosse mais, para ser mais dEle. Com isso, Ele me dá mais de Si e me torna mais eu mesmo: sempre cresço e nunca sou deixado de lado, ainda quando me nego e me entrego a Ele.
Tomo outra consciência e o convite a uma nova vida, muito mais bela e aventureira.
A morte vira um detalhe, mais do que o impulso para a fé, como outrora vista.
E não acabou, não acabará jamais.
Até que seja formado em mim um homem perfeito, um homem cuja imagem o mundo não recebeu como deveria, mas que se manifestou como o único homem vivo de verdade: a própria vida verdadeira.
E este Homem Divino, o ser supremo revelado, indescritível, Ele voltará pra nós, os que se viram fracos, pobres e completamente necessitados dEle.
Creio que qualquer experiência é pequena diante de quem Ele é e creio que quando Ele voltar, muito mais seremos, muito mais veremos, muito mais viveremos.
Ele voltará. Ele o disse e não há porque não crer nEle.
Seja quando for, quero estar com minhas melhores vestes e meus melhores pensamentos e no melhor da vida que Ele me deu.

30 de agosto de 2008

Resumindo

Faz quase 6 meses que desci do avião em Frankfurt e vim para Mannheim.
Daqui a 18 dias, se Deus quiser, vou descer do avião no Rio de Janeiro e vou para Nova Friburgo.
Pra começar a contar desde o início é até meio difícil, pois como todo bom caldo, a conversa só engrossa e fica melhor depois de um tempo em que a sopa já foi esfriando. No extremo calor ninguém sente o gosto, mas só sabe que está tomando alimento.
Assim são as experiências da minha vida: eu as percebo depois de um tempo.
Mas vamos tentar resumir.
Eu cheguei aqui na excitação normal de todos os que saem de casa pra novas jornadas. Não sabia ao certo o que me esperava. Só sabia que haveria um projeto que eu faria e que deveria aprender o alemão.
O projeto, eu diria que foi bom e na verdade menos complicado que eu esperava. O alemão, eu diria que é uma língua bem mais complicada que o meu projeto.
Mas aqui eu percebi algumas coisas da linguagem, de como nos comunicamos, de suas funções no dia-a-dia.
Nem tudo que a gente fala faz sentido pra todo mundo. A gente tem que encontrar meios de se expressar que sejam práticos a princípio. A poesia e a arte só vêm bem depois.
Mas, mesmo assim, fui a museus aqui em Mannheim. Lembro que logo no incício, houve um evento chamado "Lange Nacht der Museen", em que os museus ficaram abertos à noite para a visitação. Foi neste dia em que conheci melhor alguns brasileiros aqui, os quais ficaram muito meus amigos. Diria com muita alegria de companheiros de Döner, de viagens, felicidades e dificuldades.
Aliás, logo no começo fizemos uma viagem muito legal para a Itália. Diria que de um jeito muito pouco provável. Viajamos uns 3500 km pela Itália, conhecendo um bocado de lugares, num carraço, numa Mercedes Benz Classe C, para o seguro da qual nós não teríamos nem um ceitil, caso ocorresse algo. E, em se tratando de Nápoles, Roma e Florença, isso seria de se esperar.
Aqui eu descobri um podrão de qualidade inigualável: o Döner.
É um sanduíche feito pelos turcos e vendido em tudo quanto é canto aqui na Alemanha.
Bem, caso alguém venha a Mannheim, eu recomendaria fortemente ir ao City Döner, em frente à estação de trem. Um delícia e preços baratos. Neste tempo aqui eu fui um cliente assíduo.
Falando em comida, sempre um bom assunto, em Munique eu comi uma salsicha muito boa, a "Weiße Wurst" típica da Baviera. Com uma mostarda agridoce de mel, aquilo é uma delícia.
Mas, cá entre nós, comida, definitivamente, não é um ponto alto na Europa, eu diria. Não para um brasileiro, ou pra quem já comeu na casa da minhã avó.
Em Munique visitamos o Olympia Park, onde foi o atentado terrorista de 1972; a Hofbräuhaus, onde tomei 1 litro de cerveja num daqueles canecões (Maß) e ouvimos musiquinhas típicas da cultura da cerveja.
Ah, foi antes de encher o caneco que nós fomos a Dachau. Conto isto mais ou menos num outro texto aqui. Chocante.
Nesta mesma viagem, fomos ao castelo Neuschwanstein do rei Luís II. Muito bonito, mas o cara era muito afetado. Pra quem sonha com castelos e contos de fadas, este é o lugar ideal. Aliás, por si só, o lugar já vale a visita, graças à beleza dos Alpes. Fomos também rapidamente a Salzburgo, Áustria, cidade do grande Mozart.
Nestas viagens, geralmente íamos em grupo. Um bom grupo de brasileiros que se juntava pra desbravar outra terra, fosse qual fosse.
Quase me esqueço de dizer, mas a primeira viagem que fizemos foi a Estrasburgo, na França, com um grupo misturado de sulamericanos: uma chilena, uma venezuelana, um colombiano e 4 brazucas.
Vimos uma catedral muito linda lá, a Notre Dame e foi uma loucura pra pedir a comida no restaurante, já que ninguém se entendia.
Quanto a viagens, eu diria que aprendi algumas coisas.
A primeira é que o grupo com quem você viaja é muitíssimo importante. Por sorte, meus companheiros foram muito bons, sempre, não tenho de que reclamar. Tivemos boas conversas, bons comentários sobre as coisas que víamos, e diria que não havia arrogância diante do que conhecíamos juntos. Todos queríamos experimentar as boas oportunidades de viajar.
Dito isto, diria que a melhor viagem foi à Grécia e Inglaterra. Um grupo muito legal e os lugares muitíssimo bons.
Bem, era a Grécia, né...
No primeiro dia desta viagem fomos a Milão, de onde sairíamos para Atenas, e visitamos a cidade. À noite, por sorte pegamos um show da Rihanna numa das ruas principais lá, em frente à estação de trem.
Foi ótimo! Um show de graça, da MTV, em Milão... Uma superprodução.
Nós dormimos em hotéis separados e, por isso, eu fiquei sozinho.
Fui sozinho pro meu hotel e, com medo de perder o avião que partiria muito cedo no dia seguinte pra Atenas, arrumei tudo e já fui pra estação de trem logo de madrugada.
Como demorou para que os outros chegassem e eu estava com sono, coloquei minha mochila no chão, numa escadinha em frente a uma vitrine e deitei ali minha cabeça.
Depois de um tempinho eu acordei. Ainda não tinha dado o tempo. Voltei a dormir.
Sim, eu dormi na rua.
Aliás, pelo olhar das pessoas que passavam, acho que eu não era algo bonito de se olhar em meu sono matinal.
Bem, por sorte, o tempo passou, meus companheiros de viagem chegaram e fomos ao aeroporto.
Chegamos em Atenas e passeamos bastante e vimos a troca de guarda mais engraçada em frente ao Parlamento.
Bem, na Grécia se fala grego mesmo. Eu bem que tentei aprender alguma coisinha. Tentei saber de uma menina se a palavra "água" era "hidro" e pra minha decepção, não era. É "neró". Bem, este evento rendeu algumas risadas, pois pensaram que eu estava passando uma cantada na menina, mas quando viram que eu perguntava sobre "hydrogen", "hydro", fizeram questão de me tirar dali, pois estava queimando meu filme com a greginha.
Fomos à ilha de Santorini.
Olha, eu já tinha visto coisas belas na minha vida, mas este lugar entra como um dos mais bonitos do mundo com facilidade.
Fomos para lá em grande estilo, num navio. Chegando lá, arranjamos carro e rodamos a ilha.
Tudo bom demais. Demais mesmo. Demais demais demais. Olha, se puder, vá à Grécia, especialmente pois lá as coisas estavam mais baratas que no resto dos lugares que visitamos.
Me ensinaram a utilizar o banheiro de modo apropriado ("Piazão, dica quente: vou te ensinar a cagar!") e passamos um calor impressionante. Eu até tentei dizer "omorfo koritsi" pra algumas passantes em frente à Acrópole, que deram umas risadinhas.
Depois do calor grego, fomos à Inglaterra, diretamente a Londres.
Excelente. Cidade belíssima, charmosíssima e caríssima, mas certamente encantadora.
Nos perdemos algumas vezes e comemos em McDonald's, pra variar.
E tive a oportunidade ímpar de assistir ao "Monty Pithon and the Holy Grail" ao vivo em espetáculo. Muito bom e engraçado.
Bem, quem leu até agora deve estar falando: mas este moleque é um filhinho de papai mesmo, né? Viajou a Europa toda e com que dinheiro?
Em minha defesa, eu agradeceria ao governo alemão e ao instituto Albert und Anneliese Konanz pelas bolsas que me deram pra estudar, que também entraram na conta das viagens, com muito gosto.
Mas é claro que família ajuda nisso também.
Aliás, meu avô veio à Europa pra um congresso de teologia e depois foi visitar um amigo na Espanha.
E eu, naturalmente, não pude deixar de aproveitar a oportunidade.
Parti de um dia pro outro pra Sevilha. De lá viajei com meu avô e seu amigo para Lisboa.
A experiência de falar o Português com um português é pra mim um pouco emocionante. Ainda mais na terrinha.
Fiz um tour relâmpago por Sintra, Caiscais e pelo centro de Lisboa, muito bem acompanhado por uma família local amiga de meu avô.
Depois fomos a Madrid, onde entrei no Museo del Prado e vi outras pérolas da arquitetura espanhola.
Voltei a Sevilha e visitei seu centro e a inesquecível Plaza de España. E, é claro, sempre que dava eu tentava meu Portunhol.
Conheci gente muito especial na Espanha e em Portugal. Gente muito amiga, cristã e engraçada.
Não só lá conheci gente boa.
Em Berlim também, fiquei na casa de uma brasileira casada com um alemão. Foi ótimo.
Aliás, devo mencionar algo que esqueci de dizer: os free-tours.
Se você vier à Europa procure um free-tour, pois eles são a melhor pedida para uma visita interessante na cidade.
Os de Munique, Berlim e Londres eu garanto que têm uma qualidade fenomenal. Creio que há também em Paris e Amsterdã. São mesmo de graça, mais eu recomendaria seriamente a dar uma gorjeta ao fim do tour, pois o pessoal trabalha nisso. Ousada a idéia, eu achei.
Mais uma viagem que fiz foi para Luxemburgo, mas nem tenho o que dizer de lá. Bem, eu diria no máximo que o idioma local é uma bagunça.
Tirando as viagens, eu diria que foi uma experiência bem diversa, em todas as dimensões do meu ser: alma espírito e corpo.
Eu emagreci, depois engordei e agora não sei exatemente como estou. Vejo que tem uma barriga aqui em baixo que não me é estranha.
Houve dias de muita melancolia, tristeza e saudade. Na verdade, houve dias quase intoleráveis.
Mas isso é meio normal na minha vida.
Houve dias fantásticos, de trabalho, vida, amizade e diversão.
Conheci gente especial e gente nem tão especial. A gente percebe os primeiros por causa dos outros.
Eu servi num casamento e ganhei 50,- € ao fim da noite.
Cantei numa festinha de uma turma de faculdade com uma amiga latina umas musiquinhas.
Cantei até "É o Amoooooooooooorrrrr!" do Zezé di Camargo e Luciano.
Eu comprei aqui um TV escangalhada no mercado das pulgas e tentei voltar lá pra reclamar, mas a mulher não estava mais.
Comprei uma bicicleta por 4,50 € numa cidade aqui perto, Weinheim, e me perdi lá, deibaixo de uma chuvada danada.
Pena que a bicicleta tinha um prazo de validade muito curto e só consegui andar nelas uns 3 meses.
Ia quase toda semana a Heidelberg, uma cidade muito próxima de Mannheim.
Lá eu me reuni com uns irmãos latino-americanos e acabei até pregando na igreja num domingo.
Bem, tem mais muita coisa pra contar, mas acho que isto terá de ser feito com um copo de café na mão e ouvindo minha voz.
Resumindo: foi ex-ce-len-te!
Muito obrigado por tudo o que vivi contigo aqui, meu Deus.


22 de agosto de 2008

O homem macho heterossexual

Fui bem avisado e estou certo de que estou possivelmente mexendo em casa de marimbondos em escrever o que se desenrolará nas linhas a seguir. Entretanto, eu diria que, no desafio por uma aproximação realista do que penso e por valorizar coisas como família, educação e saúde mental, faz-se imperativo lançar algumas palavras sobre sexismo, machismo e feminismo aqui.
Uma das coisas que sempre me incomodou muito na vida é o fato de que o homem moderno seja um homem acuado e meio sem graça, às vezes.
Não digo aqui do ser humano como espécie, mas mais especificamente do ser humano do sexo masculino heterossexual. O homem macho heterossexual.
Na verdade, a própria expressão "homem macho heterossexual" parece trazer uma carga de maldade ou de intolerância no que diz respeito ao conceito de ser humano moderno, sem haver uma razão muito clara pra isso, pois ela já afirma em si uma opção sexual bem definida, além de constatar uma condição e atribuição naturais.
"Homem" é alguém que pertence à espécie humana, "macho" é alguém que é do sexo masculino e "heterossexual" é alguém que tem atração ou comportamento sexual em relação a um indivíduo de sexo diferente.
Mas nem é bem a palavra "heterossexual" que assusta.
A palavra "macho" é que causa frenesi.
Acho que esta palavra hoje, quando enunciada, já traz uma carga histórica desproporcional.
A palavra "macho" evoca as imagens de um grosso, um troglodita mal educado, cheio de cabelos no peito e dotado de um intelecto talvez só invejado por uma ameba, que, quando acaba de arrotar depois de ter bebido umas cervejas, dá um tapa na bunda da mulher em casa e diz: "Mulher, traz aí outra gelada!"
Eu acho muito interessante que o pensamento ocidental acerca do homem macho heterossexual não seja como o cavalheiro, como o pai de família, como um santo, ou mesmo como Jesus, mas sim como um ser cujas qualidades são um pouco desprezíveis.
Certamente há quem vá dizer que trazer Jesus pra dentro da história pode provocar algum tipo de incômodo, mas veremos isso mais adiante.
Na verdade, há 3 movimentos no mundo que, meio sem querer e com outros objetivos em mente, acabaram sabotando o nosso personagem: o movimento feminista, o movimento homossexual e a figura do galã hollywoodiano.
O primeiro, muito justamente, surgiu como a participação da mulher ativamente na sociedade, com os papéis que lhe cabiam, na igualdade de direitos com o homem, dizendo que ninguém é melhor que ninguém. Posição muitíssimo acertada.
Só um tolo não concordaria com o movimento feminista, no que diz respeito ao voto, às condições de salário em igualdade para um cargo ocupado por pessoas de sexos diferentes, à licença maternidade, à participação da mulher na política, enfim, nos aspectos da vida que interferem com a vida da própria mulher como ser humano.
Que a justiça seja sempre feita e que a mulher usufrua de direitos humanos iguais os quais sempre deveriam lhe ser dados, em que a sociedade tem uma grande parcela de dívida com muitas de nossas mães, avós, bisavós e toda sorte de mulheres que nos geraram, tenham elas sido boas ou não.
Entretanto, concordar com a queima de sutiãs em praça pública, com a abdicação de que a mulher tenha de cuidar dos filhos que gerou em seu ventre com o devido cuidado materno, com a opção pelo aborto por vontade própria ou com qualquer postura que a coloque acima de seus deveres como mulher e mãe, é algo pouco inteligente. Ninguém deve ser submetido a uma tripla jornada de trabalho (filhos, trabalhos domésticos e carreira), mas ninguém deve se esquivar das responsabilidades das escolhas na vida, ou mesmo de aspectos naturais que nos constituem.
E olha que disso, eu mesmo tento correr muito.
Ninguém deve sustentar a postura de que a mulher seja inferior ao homem, pois isso é anti-humano e anti-cristão. Mas tão burro quanto isso é afirmar qualquer superioridade da mulher, como alguns grupos feministas fazem, em especial do feminismo radical, do feminismo cultural, do feminismo essencialista, do feminismo lesbiano, ou do feminismo desconstrutivista. Sim, existem muitas correntes, que se perdem e que nem sempre asseveram ou reivindicam direitos iguais, como a luta tão bela por educação igualitária que reivindicava Mary Wollstonecraft, embora ela fosse muito extrema pro meu gosto em falar de casamento.
Eu diria que olharmo-nos como iguais é uma via, mas olharmo-nos como completamente iguais é, na verdade, não olhar nada.
Devemos ver nossas diferenças, nossas aptidões naturais e nossas diferentes capacidades como coisas a serem unidas, em vez de postas à prova da igualdade. A prova da igualdade entre homem e mulher, macho e fêmea, graças a Deus, nunca haverá. Um homem nunca será igual a uma mulher, por mais que tente se parecer com uma e o contrário também nunca ocorrerá. Basta ver as olimpíadas e ver quem é mais forte e rápido, se é homem ou mulher. Ou basta ver quem é que entende mais de dar conta de diferentes coisas ao mesmo tempo: o homem perde nisso disparado.
Enfim, eu nunca gostaria de ver meu pai de saias e me dizendo o quanto ele não simpatiza com uma personagem de sua novela favorita, enquanto minha mãe urina em pé e me diz como devo evitar a masturbação.
Somos diferentes, e glória a Deus por isso!
Faz parte da natureza em que estamos inseridos, da natureza em que fomos gerados. Não é algo socialmente construído, penso eu.
As diferenças nos nossos corpos, pênis e vagina, são meros lembretes de quem somos em nossa identidade mais interior; do lugar que devemos ocupar na natureza e, portanto, na sociedade. Não há nada de melhor em um ou outro e os 2 só são bons mesmo quando são os 2 unidos. É a coisa de se completar, de partilhar, de unir e ver mais coisa boa se instalar na vida. Deus criou Adão e Eva. Ele não criou 2 "Adões", nem duas "Evas". E tampouco 1 Adão e 2 Evas.
Enfim, não é muito uma questão de matemática, mas acho que o ponto óbvio que quero dizer fica claro: homem e mulher só se completam porque são diferentes e só são diferentes, pois assim podem se completar em algo maior que eles mesmos.

Eu sou um leigo neste assunto, e não sei nada de psicologia.
Mas eu andei conversando com gente mais instruída e parece que existe um consenso de que o homossexualismo é uma perversão sexual.
Não quero vociferar palavras loucas, nem xingamentos, nem ofender ninguém com isso. Creio que muita gente está sempre pronta a afastar homossexuais de perto de si por falta de amor e por pensar na pessoa em algo que seja inferior a uma pessoa. Acho que muitos homossexuais sofrem todo dia por arrogância e falta de amor e não gostaria de ser parte disso.
Minha intenção não é esta, em absoluto. É só o que eu ouvi dizer e cheguei a ler pouca coisa do assunto.
Uma perversão quer dizer que é um uso desviado do normal, uma alteração de uma função normal.
Bem, agora nos resta definir o que é normal. Normal é algo que serve de regra, de modelo.
Eu não sei qual é o sentido exato dado ao homossexualismo na psicologia, mas a mim, me parece que este comportamento envolve problemas grandes na transformação do indivíduo ao longo de sua vida.
Problemas maiores que eu mesmo compreendo.
Pelas definições acima, eu diria que é algo que não deve ser tomado como regra, nem como modelo.
O ponto que quero trazer com o homossexualismo para dentro da discussão, é que existe um movimento que ultrapassa as barreiras das escolhas pessoais do sexo e transporta um comportamento de exceção, anormal, para dentro da vida de todas as pessoas, quer elas queiram, quer não, como algo a ser aceito como normal e um modelo.
Além das passeatas e paradas gays (que cumprem um objetivo muito difuso e pouco positivo de um modo geral), da liberdade sexual que pode levar a uma libertinagem deliberada e da geração de um mercado e filosofia de vida que giram em torno deste tipo de comportamento, as conseqüências chegaram à já sensível estrutura familiar e ao próprio conceito de homem.
O homem moderno deve ser alguém que não tem direito a discordar do homossexualismo, pra que seja alguém politicamente correto e, portanto, aceito como alguém de relevância para diálogos que falem sobre sexo.
Diria que, individualmente, cada um deve mesmo ter a liberdade de fazer o que quiser com a vida, mesmo que outra pessoa (como eu, por exemplo) discorde de seus comportamentos e não os entenda.
Creio, entretanto, que nenhum grupo deve ter poder sobre outro na imposição de idéias e numa reorganização de estruturas basilares da sociedade tal como a família representa. Projetos de Lei como o PL 122, reivindicações de que casais homossexuais detenham guarda de crianças e pedir que as pessoas se calem diante daquilo que pensam, ao meu ver, recendem mais à tirania que à liberdade de escolha.
Um grupo escolhe e cala todos os outros. Este é um tipo de postura que nunca esteve certa, mas que vem crescendo muito e perigosamente.

Por fim, como homem que sou, devo deixar de lado o complexo de Adão e parar de apontar o dedo e enxergar a minha parcela de culpa nesta imagem, talvez como o pior e mais sutil dos elementos: os próprios homens.
Tirando os idiotas que dizem frases como "bicha tem que morrer", "lugar de mulher é na cozinha", que não valem nem como objeto de crítica, ficamos, na outra ponta da mesa, com a imagem do galã moderno.
Ele não tem compromisso com ninguém, quer viver incessantes paixões durante toda a sua vida, vai pra cama com todas as mulheres interessantes que encontrar no seu caminho, e, embora seja muito educado com elas, não as leva a sério e as despede quando não lhe interessam mais. É um adolescente grande, no pior sentido disto, um plaboy inconseqüente com ele mesmo e, pior ainda, com os outros.
A imagem do galã, eu diria ser uma imagem terrível, por extremamente sedutora e sutil que ela é.
Ela atrai tanto mulheres quanto homens.
As mulheres se vêem atraídas pela possibilidade da valorização eterna, pois têm certeza de que vão fisgá-lo de uma vez por todas. Ledo engano. Basta ver qualquer um dos filmes do James Bond, ou ver os ideais construídos num Elvis, num James Dean, ou "tipões" (pra usar uma palavra do mesmo tempo destes 2 últimos) do mesmo gênero.
E vale dizer que guitarras, carraços, armas, espionagem e missões secretas tendo como objetivo o bem da humanidade são um pano de fundo que torna nosso galã irresistível.
Até pra mim! Até eu que sou mais bobo queria ser assim! O cara tem o que quiser.
É um canalha e ainda por cima é aplaudido, mesmo na canalhice!
Perto desse cara, o homem de família não passa de um babaca bem intencionado.
O pai de família que paga as contas, troca fraldas do filho, trabalha regularmente, ensina o dever de casa, trata a esposa como uma mulher de respeito e, pior, é fiel a ela, enfim, este cara, simplesmente não tem glamour nenhum. O mesmo de uma dona de casa, de uma mãe de família, enfim, o mesmo para a mulher.
Este homem não tem o vento no cabelo, nem o cigarrinho no canto da boca, nem aparece nas propagandas da TV.
Na verdade, eu acho que se alguém viu qualquer um dos BBB não ficaria surpreso em encontrar algum camarada de fala macia, bons músculos e querendo desesperadamente fazer sexo com uma mulher extremamente atraente da mesma casa. Bem, não sou telespectador regular deste programa, mas imagino que seja isso o que se passe, numa base diária de sobrecarga de hormônios.
Nós torcemos por este cara. Pra que ele pegue mesmo a mulher. Pegue-a e mais a amiga.
E, se der, de preferência juntas. E que pegue todo mundo!
Pois assim, ele também não faz juízo nenhum sobre o homossexualismo, embora seja bem verdade que ele não saia com homens homossexuais e não esteja nem um pouco interessado neles.
Os próprios homens construíram uma imagem meio nojenta do homem macho heterossexual.
E se esconderam atrás de desculpas do que trouxeram os outros 2 movimentos que citei acima.
O homem moderno, como o antigo, gosta da sacanagem.
O homem moderno gosta de ver duas mulheres se insinuando sexualmente para que o estimulem, gosta de se excitar com qualquer pedaço de publicidade que exiba as formas de mulher. Ele é um lambão, que se guia pelo pênis e que está em pleno acordo com o seu corpo, mesmo no topo de sua irresponsabilidade.
Ele malha, toma bomba, cuida do corpo excessivamente, lê livros espiritualóides de terceira linha, não pensa em casamento quase nunca, mas na carreira, de um modo também excessivo, como se ela lhe fosse trazer um sentido de realização fora e além de sua própria existência, como se fosse um sacerdócio, mas para que a usufrua no tempo presente, tendo dinheiro e gastando com o que quiser, sem que ninguém lhe torre a paciência com bobagens sobre valores ou caráter, afinal ele não rouba e anda dentro da linha do que a sociedade lhe exige.
Ele está em todo lugar: igreja e bordel convivem com este mesmo sujeito.

Então, temos aqui 3 movimentos, que fazem, ao meu ver, do homem macho heterossexual um estorvo hoje na sociedade. As pessoas exageradas dos 3 grupos (e é delas que este texto naturalmente trata), que têm uma relevância muito grande para os impactos de movimentos comportamentais na sociedade, estas pessoas colocam o homem macho heterossexual como um indesejado até para si mesmo.

Nisso, eu penso em Jesus.
Jesus era homem por espécie, um macho por gênero, e, embora a Bíblia não me dê margem nenhuma para a especulação de um relacionamento sexual que ele tenha desenvolvido, vemos que ele aprovava por completo a opção heterossexual como a via correta de relacionamento amoroso, romântico e sexual.
Ele vai a um casamento, discorre sobre o divórcio e fala o que é o melhor pra nós neste assunto, como em todos os outros.
Bíblia o apresenta como um homem temperado, prudente, corajoso e justo, não dado aos pensamentos frívolos e picantes, alguém que conversava com as mulheres e com os homens, contava estórias de como um pai perfeito deve tratar um filho pródigo, e esteve até na defesa de uma igualdade de condições entre prostitutas e religiosos, dizendo que estes 2 na verdade são "farinha do mesmo saco" humano.
Diante dele, é impossível manter uma postura sexista, machista, feminista, homossexual ou de qualquer partidarismo mesquinho que inventemos.
Mas eu vejo em Cristo a afirmação de que o homem macho heterossexual deve ser mais firme e de um papel relevante numa sociedade louca, que esquece papéis e atropela coisas boas e naturais.
Sobretudo, em Cristo, eu vejo um homem terno. Um homem de ternura incomparável.
Nele, eu vejo o comportamento de caráter a ser imitado, seguido e passado de gerações em gerações.
Eu realmente creio que o discípulo homem de Cristo deve ser um homem macho heterossexual e que deve usufruir da bênção de um papel indispensável na sustentação de muita coisa que há na sociedade, mas que deve extirpar de si a parte torpe do seu ser e querer.
Deve liderar sua casa, amar sua mulher, cuidar de seus filhos, não sobrecarregar ninguém, ajudar e promover o crescimento do reino de Deus, como alguém que serve, que ama os seus.

14 de agosto de 2008

Neologismo

Eu estou reapaixonado.
Ela é uma menina linda, e que sempre me teve: já, ainda e até.
Teve-me mesmo na confusão, na negação, na divisão e vazio.
Tem o meu coração, mais que eu queria, menos que eu quero, quanto mais desejo!
Menina linda ela, já disse?
Pois é, mesmo longe a sinto doce e admirável, mais que imaginava e que mereço.
Estou reapaixonado. Estou feliz!

12 de agosto de 2008

Homenagem a Deus

Acho que depois de alguma reflexão, além de alguns conhecimentos técnico-científicos eu poderia citar 3 coisas que aprendi com o curso de engenharia química.
A primeira é que descobrir, modelar e investigar a natureza não é uma tarefa nada fácil. Cada porta que abrimos no conhecimento revela umas outras 5 portas adiante, numa atividade que nunca se acaba. Basta ver que nosso olhar para o universo compreende ao mesmo tempo quarks e estrelas gigantes, ondas e partículas que são a mesma coisa, a velocidade da luz e o lento movimento das placas tectônicas, enfim, coisas em diferentes dimensões de percepção. Tudo estudado ao longo de anos e anos, na evolução do pensamento científico pelos melhores cérebros. E as portas que abrimos no passado, depois de um tempo, nem temos certeza se de fato as abrimos. Com isso, eu diria que podemos extrair, no mínimo, uma lição de humildade diante de nossa impotência da compreensão de tudo.
Bem, eu digo isso, pois eu não entendo nem a minha própria cabeça bagunçada, que dizer então do cosmo tão bem ordenado, das árvores, dos céus, da terra, dos animais e dos próprios homens?
A segunda coisa que aprendi é que, mesmo na dificuldade de descobrir a natureza, as respostas são reveladas à luz da razão, e podemos, com nossos instrumentos, lançar mão de teorias que aproximam bem a realidade e a nossa maneira de compreendê-la. Fazemos as mais variadas hipóteses e teorias! E as teorias são as chaves das portas.
Uma boa chave consegue abrir uma porta. Uma chave ruim funciona no máximo como abridor de garrafas, em que bebemos nossas ilusões e fingimos que sabemos de alguma coisa. Por algum tempo, é claro. Pois a razão é uma manifestação sempre persistente e não tolera aproximações delirantes para sempre.
A terceira coisa que eu aprendi é que, por mais que abramos as portas com nossas chaves, nós não somos o carpinteiro que fez as portas, nem o construtor do prédio que as colocou lá.
As portas estiveram lá desde sempre. E antes delas, alguém com muita razão as fez para serem realmente abertas.
O que eu vejo na abertura de nossas portas, de nossas mentes, no descobrir da beleza do cosmo é um convite.
Um convite maravilhoso, que muitíssimo nos atrai, mesmo que nem entendamos ainda sua atração. Um convite, que, como todo bom convite, não é uma disputa intelectual, pois certamente perderíamos; mas é um convite a que homem e mulher pensantes participem na descoberta do Deus que criou todas as coisas que há no mundo e sem o qual nada haveria.
A esse Deus pessoal, eu agradeço por esta cerimônia que encerra uma etapa e abre outras muitas portas, pelos anos de aprendizado, companheirismo e sustento, pela própria vida e pelo grande convite de conhecê-lO.
Senhor Deus, seremos sempre gratos.


- Texto escrito por ocasião da e lido na cerimônia de formatura da turma de Engenharia Química do primeiro semestre de 2008 da UFF.

5 de julho de 2008

O Fóssil de Deus

Tem coisas na ciência e na vida para as quais não se tem resposta pronta, ou fácil.

Algumas delas são perguntas sobre parte do conteúdo da Bíblia, sobre as matanças feitas em nome de Deus, sobre a dificuldade que se cria com a leitura literal das Escrituras, sobre criacionismo, etc.

Enfim, tem coisa que ninguém vai conseguir responder com a clareza científica necessária, pois a vida apresenta coisas de competências diferentes, de campos distintos, que ultrapassam a ciência e a religião.

Ambas são fracas e, quando dão as mãos, andam melhor um pouco. Mas quando se separam, fazem experimentos catastróficos, infringem seus próprios princípios de busca pela verdade e colocam motivos de ambição política e social acima de seus valores. Poderíamos citar os experimentos médicos conduzidos em humanos à época da Segunda Guerra Mundial e a Inquisição, como dois exemplos fáceis de sua debilidade, quando na busca cega por serem fins em si mesmas.

Um exemplo clássico da dificuldade nas respostas prontas e rápidas é a rivalidade entre fundamentalistas extremistas religiosos que parecem querer enfiar Deus goela a baixo do mundo acadêmico, quando afirmam a teoria da terra jovem; e evolucionistas, tão religiosos quanto os primeiros, que, em geral, querem expulsar Deus pra fora do universo.

Pelo que a gente acompanha, a maioria dos dados disponíveis atualmente no que diz respeito à história natural parece ser mais favorável a um raciocínio evolucionista, especialmente graças às questões que são elucidadas a partir da investigação do código genético humano e suas relações com códigos genéticos de animais que estão relacionados ao homem de alguma maneira morfológica, como nossos amigos chimpanzés. Além disso, fala-se sempre da relação de semelhança entre os códigos genéticos das espécies, como fonte do compromisso de haver a necessidade do tal ancestral comum entre homens e macacos. Fala-se com maestria de mutações genéticas, de como é possível que tenhamos um número de cromossomos diferente de outros animais, mas, mesmo assim, venhamos do mesmo ancestral comum, de como estes genes foram se modificando e se encaixando dentro do nosso DNA. A evolução tem seu lugar como teoria mais aceitável, mais cabível e que tem em si um desenvolvimento histórico, filosófico concentrado mais na razão e no que é palpável pela investigação dos dados que se tem à mão, do que pela fé no que não se vê. Enfim, a argumentação evolucionista é, sem dúvida, bastante coerente, bem embasada e inteligente, especialmente dentro de uma perspectiva humanista, que sustente o homem como um deus evoluído.

O maior trunfo na mão da evolução é a aparente necessidade de relação entre semelhança genética e origem comum para esta semelhança genética. Entretanto, não me parece razoavelmente matemático que somente o fato de que algo se pareça com outro deva ser uma condição inequívoca da origem deste algo. Um lago se parece com um mar, mas não quer dizer que tenha vindo dele. Um avião se parece com um carro e presta-se ao mesmo fim que este, transporte; mas se olharmos a história dos 2, veremos uma quase concomitância em seus desenvolvimentos, no final do século 19, início do século 20, não havendo uma etapa estabelecida: primeiro vamos aprender a fazer as coisas rodarem na terra e depois vamos nos projetar aos céus. Isto, sem mencionar bicicletas e tantas outras coisas que se parecem a princípio, guardam um mesmo código de uso e funcional, mas que coexistem, sem haverem se transformado umas nas outras.
Outra coisa que sempre achei muito fácil para os evolucionistas é jogar as coisas em cima de bilhões de anos. Mas creio que há quase um correspondente na variante religiosa, que é apresentado quando as pessoas não sabem de alguma coisa e jogam pra cima de Deus responsabilidades humanas.

Entretanto, creio que nem todos os dados que estão à mão estão disponíveis da mesma forma.

Por exemplo, existem registros fósseis verdadeiros (o que deve ser frisado, uma vez que todos os "lados" da disputa já fraudaram evidências) encontrados no Texas, que levam a acreditar que o homem talvez tenha vivido ao mesmo tempo em que alguns dinossauros, no Cretáceo, graças a pegadas humanas deixadas nos mesmos estratos que pegadas notadamente de dinossauros. Isto seria um contrasenso completo entre evolução e realidade, pois exigiria que tais répteis tivessem vivido pouco tempo atrás, em vez de milhões de milhões de anos. Caso estudos mais detalhados sejam levados a cabo, pode-se dizer que a evolução perde o seu rumo, pois suas estruturas estão baseadas numa linha de tempo precisa, em que algumas espécies devem ter um papel especial em cada período de tempo específico, pra que as previsões feitas se encaixem. Há também gravuras rupestres encontradas diferentes partes do globo com desenhos do que hoje vemos nitidamente como dinossauros.
Entretanto, este tipo de informação não parece ser muito do agrado da comunidade científica de modo geral, pois traz discordância com o paradigma já estabelecido da evolução.
Na minha humilde opinião, ninguém tem o argumento definitivo, no que diz respeito à ciência.

A começar por dizer que "os cientistas" pensam isso e "os religiosos" aquilo. Esta separação é tão fraca, pois parece não dar opção a nenhum dos dois grupos sobre suas preferências pessoais e individuais e os coloca em blocos de pessoas rotuladas e imutáveis nas suas concepções de mundo. Especialmente no que diz respeito aos religiosos, pois estes acabam gozando de uma reputação pejorativa e risível, tendo que ficar sempre de posse de uma perspectiva necessariamente inferior, se forem vistos como pessoas que não estão ao lado da ciência, mas que querem argumentar contra ela. Uma vez que a ciência detém os métodos de avaliação acurados para algumas medidas, que simplesmente não interessam à religião, é impossível que um religioso, assim descrito comumente, seja de alguma relevância na discussão.

Assim, me parece que quando entra em pauta o assunto "Religião e Ciência", as cartas do assunto já estão mais ou menos marcadas... Na verdade, em geral, um grupo não quer ouvir o outro, mas converter o adversário à sua visão de mundo e os debates passam a ser cabo-de-guerra. E ninguém ganha e a corda quase sempre se rompe.

Creio que não existe a dita ciência, como a entidade organizadora de tais polêmicas, mas existem sim tomadas claras de partido em relação a dados extraídos de investigações que se desenrolam por métodos científicos.

Como já disse Gilberto Freyre, a verdadeira ciência apenas sugere. A afirmação é coisa para a 'meia-ciência".

O que existem são métodos científicos, instrumentos de medidas e os dados.

O resto são as conclusões que brotam da capacidade imaginativa, das propostas iniciais que motivaram a pesquisa, das perspectivas particulares das pessoas que conduzem os experimentos e que projetam os dados, enfim, do potencial criativo humano.

Afinal, ciência é coisa humana e este é o elemento de maior interesse para ela e, como somos os maiores desenvolvedores dela, ela está cheia de coisas que nós mesmos não entendemos. Engana-se quem pensa que é um privilégio da religião seguir regras sem saber o porquê. Tome-se por exemplo a Termodinâmica, como um ramo tão usado da ciência e ali se verá que tem coisa que não se explica, mas se aceita com clareza, pois as coisas simplesmente são assim. Sem dizer do fato de que a Teoria da Relatividade e a Mecânica Quântica não se encontram por completo, assim como micro e macroeconomia. Pra ser rasteiro, embora todos os nossos esforços científicos sejam exuberantes, eles não são lá o melhor que temos a oferecer diante das explicações de todo o universo. Pensar que descreveríamos o universo com um punhado de equações seria, não só triste, mas completamente impróprio. Seria sacrificar nossas emoções e lançar-se numa postura de arrogância incoerente com a própria ciência.
Além do mais seria impossível, uma vez que a entropia não está do lado desta empreitada.

Na verdade, as leis da natureza, na maneira como são enunciadas, cercam-nos de dogmas, dos quais não temos pra onde correr. Elas afirmam categoricamente algo que é assim, pois a experiência afirma assim. Contente-se com isso. E melhor, viva com isso, ou não viva.

Assim também é a religião: humana. Parafraseando Freyre, eu diria que a verdadeira religião apenas sugere. A afirmação categórica e inequívoca é coisa para a 'meia-religião'.
Na verdade, me parece que em disputas sobre quem tem a razão última acerca de assuntos inverificáveis do início da vida, tanto a má religião quanto a má ciência buscam o fóssil de Deus, quando se espremem tanto quanto o possível. E diria que as duas esperam que de fato o encontrem bem enterrado. Nenhuma delas quer ver por fim o triunfo da verdade, ou a exuberância da criação. Por se mostrarem como opostos, ambos os lados perdem a verdadeira beleza da descoberta de Deus e de Sua verdade.
Uma coisa é certa: nunca encontrarão um fóssil do meu Deus.

4 de julho de 2008

Como eu não tenho muito o que dizer...

Bem, como eu não tenho encontrado muito o que escrever de minha autoria mesmo, gostaria de apontar um excelente diálogo sobre 2 posturas completamente distintas no mundo acadêmico-religioso ocidental, com o melhor de 2 pensadores de uma força impressionante: Richard Dawkins e Alister McGrath.
A primeira parte pode ser ouvida no youtube em: http://www.youtube.com/watch?v=J4crCoBj2tA&feature=related.
São 7 partes impressionantes de um diálogo num nível intelectual e espiritual fantástico.

26 de maio de 2008

Infalibilidade babal

É uma experiência incrível ver as imúmeras igrejas na Itália. E mesmo ver que um panteão de deuses pagãos acabou se tornando uma igreja católica em Roma.
A Basílica de São Pedro, lugar onde o Papa faz suas pregações, não tinha muitas coisas que lembrassem Jesus, pelo que me recordo. Eu contei uns 2 crucifixos e a imagem de Jesus na Pietà de Michelangelo. Entretanto, há lá muitas referências aos papas, aos santos, etc.
Tudo lindo: o Renascimento, as obras de mestres das artes, coisa de primeira mesmo.

Mas me ficou um sentimento terrível de vazio.
Pra mim, a evidência da falência da religião está marcada no cristianismo institucional.
É sempre um fracasso quando as pessoas começam a pensar ser possível misturar Deus com qualquer coisa, enfiar santos no Panteão, trocar Atenas por Maria, Vênus por Madalena, o diabo por Jesus...
A Basílica de São Pedro é um grande monumento aos papas, basta ir lá e ver.
E me espanta o poder do Vaticano! Quanta grandeza, quanta riqueza e quanta falta de proximidade com Jesus!
Naturalmente, eu nunca poderia dizer sobre da vida pessoal e a intimidade com Deus de bispos, padres, papas... Mas a Igreja Católica Apostólica Romana, da maneira como ela se apresenta a nós com o papismo, é o maior descrédito à idéia de que Deus nos ama, tem um plano pra nós e quer viver conosco.
Que Deus? O mesmo que tem por representante o infalível pontífice que carrega um cetro de ouro e é eleito por homens? O deus que é menos importante que sua mãe, Maria? Ou talvez o deus que fez selar os acordos políticos interessantes a governos terrenos em Roma, na Idade Média, no Sacro Império, por mão de seus abnegados servos? Ou o deus da Inquisição, das Cruzadas, do Catequismo indígena? Ou seria o deus que apertou as mãos de Mussolini, legitimando o fascismo?
Um deus muito distante da vida das pessoas comuns que passam seus apertos diários, que têm contas a pagar, problemas de relacionamentos (minha mão levantada, pertenço a este grupo), os que choram, os que não têm onde cair mortos, os mansos, os tolos, os desajeitados, os burros, os pobres, os mais pobres, os miseráveis de vida e espírito.

A versão deste deus que temos hoje é de alguém que está com os ricos e com os governantes, que faz o mundo girar em torno de seus interesses temporais, afinal, não é eterno, nem tem compaixão, mas faz balançar um cajado de ouro, por mão de um velhinho cujos domínios ultrapassam fronteiras e cuja mão está encolhida.
A igreja católica papista (faço questão de dizer "papista", para diferenciar alguém que creia na verdade de Cristo, mas seja católico, o que não é impossibilidade; de alguém que veja no papa o vigário de Deus) excede o sistema religioso doente contra o qual Jesus era.
Ao lado do império norte-americano, o papado tem uma influência muito grande sobre a vida das pessoas, pois é e representação da religião de Jesus para os "leigos" (como se alguém em sã consciência pudesse se dizer um não leigo no Reino). A diferença deste último é que ele corrói o sentimento religioso mais sincero e profundo, ao mesmo tempo em que oculta a verdade da graça salvadora de Jesus, pelas meias-verdades que enuncia.
Na verdade a religião institucional, seja qual for, aprisiona o Deus vivo como se fosse um objeto de pouco valor, de importância muito subjetiva e vaga pra vida diária, algo menos valioso que comida, bebida e, naturalmente, ouro e prata.
Volta-se ao tempo em que se dizia: "Quem jurar pelo altar, isso é nada; mas quem jurar pelo ouro do altar, fica obrigado pelo que jurou." Jesus condenava este tipo de conduta.
Impressiona ver que a igreja atual esteja tão presa à irrealidade de suas doutrinas, mais que à realidade do evangelho. E isso não é privilégio dos católicos...
De um modo geral, a igreja institucional transforma a realidade do Deus vivo nas formas de homens vazios.
A real igreja, triunfante, vitoriosa, bela e noiva de Cristo, sem a pedantaria do egocentrismo neo-evangélico, ou da arrogância papal, há sempre que se manifestar, ainda mais urgentemente hoje.
Trazendo as palavras de Paulo pros dias atuais: "A criação aguarda ardentemente a manifestação dos filhos de Deus."(Romanos 8,v. 19)

25 de maio de 2008

Conhecendo a Italia


Consta dos clássicos que Júlio César, ao atravessar o rio Rubicão, numa decisão delicadíssima, disse as imortais palavras: "Alea jacta est!" e rumou à Itália fazendo o proibido curso, com suas legiões vindas da Gália Cisalpina, voltando à Roma.
Eu e outros 3 amigos lançamos a sorte no dia 09 de maio passado, para a empreitada de percorrer boa parte da Itália em 9 dias, saindo de Mannheim, na Alemanha.
Primeiro fomos a Nápoles, como o destino primeiro de nossa viagem e, depois de termos andado bastantes quilômetros e pagado o devido pedágio, vimos os efeitos da greve na coleta de lixo, que rendeu algumas manchetes de jornal. Lá, nos arredores, vimos as ruínas de Pompéia, lidamos com uma Máfia dos estacionamentos e não vimos grandes belezas Napolitanas dignas de nota. Mas comemos uma boa pizza.
Depois migramos para Roma.
Linda cidade! Muito que ver: o Panteão, o Coliseu, a fonte de Trevi, Piazza Navona, o Vaticano e suas obras de arte de inestimável valor, os Quartos de Raphael, a Capela Sistina, a Basílica de São Pedro... Enfim, muito.
Só lamento muito não ter visto as catacumbas.
Seguimos viagem e conhecemos Lucca, uma cidadezinha linda, com muros ao redor de si e vimos o que há para se ver em Pisa, a torre.
Em Florença nos demos mal, não encontramos o lugar onde ficaríamos, não se achava lugar bom pra comer barato e ainda compramos um sorvete que vai ficar gravado na minha memória, como o sorvete mais caro do mundo (9,- euros). Mesmo assim, a contra-gosto, devo admitir que a cidade tem o seu charme.
Depois de Florença fomos à tão famosa cidade de Veneza, a cidade de incontáveis pontes e delicadezas. Bonita, sim, mas não mais charmosa que Verona, a cidade da inspiração de Shakespeare para a criação dos amantes que imortalizaram sua obra, "Romeu e Julieta".
Lugares lindos, um povo "mais ou menos" simpático (na verdade, eu hesitaria muito em chamar um italiano de simpático e fico com "menos" no geral, pontuando marcantes excessões em Roma, Lucca, Veneza e Verona).
Um lugar belíssimo, sim, com uma riqueza histórica muito imponente.
Mas não posso de fato me esquivar de dizer que o que me foi impressionante de verdade, o que ficará para um próximo texto, uma vez que o teor deve ser digerido de modo diferente dos enunciados de uma viagem de turismo.
Por ora, fica o comentário básico: a Itália é bem bonita e vale a visita!


5 de maio de 2008

Ah, Senhor! Onde estávamos?



Na quinta-feira passada, Dia do Trabalho, estive no campo de concentração de Dachau, próximo de Munique.
Fiquei realmente bastante reflexivo com esta visita.
Logo na entrada está escrita a frase: "Arbeit macht frei", que eu traduziria como "O trabalho liberta". Certamente, a frase mais sádica que um Estado já pôde escrever em seus portões.
Homens que em sua maioria nunca mais viram não só a liberdade, mas quaisquer condições de dignidade humana, entraram por estes portões e morreram por conta das arbitrariedades de um regime louco.
Alguém já disse que a História do homem é a História de suas guerras e não há como duvidar disso.
E quando olhamos para a Segunda Guerra Mundial, vemos a história hedionda de nossos homens do século passado.

Mas, honestamente, esta me parece a mesma história humana de sempre.
É só escolher o nome do ditador ou do império pra encontrar o abuso da maldade.
Mas a Segunda Guerra Mundial excerce maior fascínio em nós pois o homem do século XX já achava ter superado a si mesmo e seus "instintos" primitivos.
É incrível mesmo que o homem seja a mesma coisa de sempre.
A mesma composição.
Certa vez vi um filme em que dois dos protagonistas apreciavam e analisavam a molécula de DNA humano, e um deles, maravilhado, falava da diferença entre o homem e o chimpanzé e dizia: "Menos de 1% de diferença entre o homem e o macaco, e o que isto nos dá? Mozart, Einstein, Shakespeare..."
E o outro acompanhava o raciocínio, mas numa outra ordem: "Sim, sim... Jack, "o estripador", Hitler..."

Hitler é o nome que causa o maior arrepio na espinha do mundo ocidental. Mais que o próprio diabo.
Sua saudação foi proibida na Alemanha, seu nome não é falado com nenhum orgulho, mas, pelo contrário, ele é a grande vergonha da Europa e da alma humana.
O que acho interessante é que um país inteiro apoiou uma pessoa maluca na corrida por promoção econômica através dos meios mais terríveis.
Fico considerando o que os cristãos estavam fazendo quando começaram a apoiar a guerra e seu Führer.
Meu Deus, o que aconteceu?
Obviamente, o regime nazista tem seus méritos em ter erguido o país da situação de miséria da Primeira Guerra Mundial e na crise de 29, mas acho que ninguém seria louco de concordar com o que se desevolveu na guerra. Enretanto o povo foi fundo. Que juramento pode ser maior que uma confissão de fé?
Ao exército? À pátria? A uma guerra? À falta de dignidade?
Católicos e protestantes unidos novamente para a chacina de judeus.
Acho que não é essa a idéia de igreja unida que Deus tinha em mente.
Claro que pra mim, hoje, depois de todos estes anos passados da guerra e sendo brasileiro, só me cabe a reflexão e nunca, repito, nunca o julgamento.
Penso que podemos e devemos encontrar os vestígios da resistência, sempre que possível: Bonhoeffer, Rosa Branca, etc. nos movimentos que se fizeram como linha de frente na história.

Mas o que realmente me choca é ver que os cristãos não dão muito o braço àquilo que acreditam.
Senhor, nos ajuda, por favor!
Eu não sou diferente dos cristãos do século passado que apoiaram Hitler, nem dos que fizeram as Cruzadas, nem dos que escravizaram negros na África e os mataram aos montes, nem dos que mataram os índios...
Uma história de guerras dentro do Cristianismo.
Isso ofende a própria natureza de Deus e do Seu evangelho.
Evidencia Sua graça, mas ofende muitíssimo o caráter de quem Ele é e da transformação que Ele quer fazer em nós. Mostra que tem gente que nunca se abriu de verdade ao Cristo vivo, que nunca experimentou a vida abundante do amor de Deus, mas que insiste na guerra.
Realmente, impressiona a apatia cristã. Minha, sua, nossa.
Senhor, perdoa-nos, por favor! Faz-nos outros! Faz-nos mais próximos de quem o Senhor é, de quem o Senhor deseja que sejamos, revestidos em amor.
Amor! Ah, se houvesse mais amor no cristianismo pós-moderno...
É impressionante, mas se medirmos um cristão pelo amor que ele tem pelos outros encontraremos quase ninguém no rol dos filhos de Deus.
Senhor, faz-nos outros!





23 de abril de 2008

Esqueletos no armário

Há muito sonhava em vir estudar na Alemanha, nem tanto graças aos diversos aspectos interessantes da refinada técnica alemã, mas, na verdade, por conta de grandes nomes do pensamento ocidental de diferentes épocas como Leibnitz, Einstein, Heisenberg, Schrödinger, Goethe, Schiller, Schopenhauer, Nietzsche, Lutero...
Obviamente, a Europa tem suas seduções, especialmente ao intelecto.
Mas quando penso no mundo todo, é bastante interessante ver que cada cultura tenha seus atrativos e beleza, ao mesmo tempo em que tem seus defeitos quase "irreparáveis", sobre os quais é sempre difícil falar.
Desde o mais remoto pedaço do oriente até qualquer vila na América, pessoas vestem-se da constituição de sua cultura e história e, localmente, entendem bem quem são e o que pensam a partir de um prisma social, naturalmente aliado à intimidade de sua personalidade, no nível mais introspectivo e individual. Isso faz de um monte de pessoas, árvores e terra, um país.
Por exemplo, o Brasil, como escrevi no texto abaixo (talvez um pouco exaltado), tem lá suas mazelas, mas em compensação, tem a beleza do Rio de Janeiro, da Bahia, do Ceará, do Pantanal, da Amazônia... tem um povo inquestionavelmente hospitaleiro e trabalhador, mulheres belíssimas, questões raciais razoavelmente bem resolvidas, boa comida, ótima música, muitos recursos naturais e tudo mais que dá alegria em ser brasileiro.
Se quisermos os outros exemplos de paradoxos, mesmo em países desenvolvidos basta escolher, ou mesmo apontar qualquer lugar do mapa, pra encontrar suas vergonhas.
No mesmo contimente que o Brasil, temos os EUA, que são um país admirável em seu poderio econômico, educacional, e o que mais se puder pensar que envolva dinheiro, mas que tem questões internas mal resolvidas nas relações mais básicas com seus imigrantes, com as cores de pele diferentes. Sem mencionar o fato de que os americanos são ao mesmo tempo o sonho e o desafeto de metade do mundo; boa parte da população tem problemas alimentares, emocionais e sociais, havendo quase anualmente catástrofes em escolas e universidades com alguém que tem intenção de matar, sabe-se lá por que motivo, enquanto a vida de playboy americano, com direito a um Mustang e hip hop, é a concretização dos desejos mais libidinosos do mundo.
A Europa não fica isenta também: basta abrir o livro de história geral e ler sobre Hitler, Mussolini, Salazar, Franco...
A Alemanha, em especial, teve muito que aconteceu no século passado: "provocou" a Guerra Mundial I, foi reerguida com o nazismo, provocou a Guerra Mundial II, foi arrasada e destruída, dividida, foi o símbolo da Guerra Fria e por conta disso teve investimentos de todo lado para, por fim, ser reunificada. Uma montanha russa de emoções sócio-culturais.
E quero ver alguém conseguir arrancar dos alemães 2 ou 3 horas de assunto sobre o nazismo. Assunto bem delicado...
Entretanto, aqui está uma das culturas mais sofisticadas do globo, cheia de lógica, originalidade, razão e eficiência.
Os árabes tem uma belíssima história, com muita poesia, ciência e arte, mas carregam as armas da Jihad e são sempre regulados nos aeroportos, por culpa de pequenos grupos fundamentalistas suicidas. Ainda assim professam a fé sincera em quem crêem que seja o real e mais importante profeta de Alá. "Islam" quer dizer resignação, mas todo o resto do mundo é feito de infiéis.
Os chineses são multimilenares ao mesmo tempo em que são atuais, têm uma complexa língua de sinais exóticos e sofisticados, ao mesmo tempo em que maltratam e excluem meninas pequenas de sua sociedade simplesmente por terem o "defeito" de não serem meninos.
E por aí vai a vida social no planeta Terra, sem se encontrar perfeita em parte alguma do globo.
Pra mim, isso é evidência inescapável da insuficiência humana em gerir a própria vida em sociedade (não há outro tipo de vida pro homem, senão assim, já disseram), tanto dentro de culturas isoladas, como misturando tudo e colocando para girar em alta velocidade.
Parece-me que, quando tomamos o homem e o vemos tal qual ele é, com os desenvolvimentos distintos de cada cultura e comunidade, o ser humano, ou mesmo o fator humano carece sempre de um norte sobre-humano, de algo que lhe forneça a idéia de equilíbrio ou da possibilidade deste equilíbrio.
Parece-me ainda que esta questão do que se mostra e o que se esconde em cada cultura é algo que tem sua origem no individual e que, por amplificação, passa a ser social.
Se tomarmos algo como um homem "original", intocado pelas transgressões de uma cultura específica, ele será alguém que tem dificuldades em se mostrar por completo e suas falhas serão evidentes a um observador neutro.
As nossas neuroses coletivas, na verdade, são as muitas neuroses individuais juntas, postas pra viver lado a lado e se expressar como um único evento em escala social.
Quando deflagrado o evento nesta escala, as coisas tomam proporções gigantescas e, naturalmente, parecem pouco com aquilo que afligia inicialmente o nosso homem original, mesmo um "bon savage".
Se despirmos o homem completamente de sua indumentária social, ainda teremos algo que esconder de alguém, ou algo que subjetivamente é um estorvo estranhamente familiar, mas que nunca deveria habitar nossa vida normal.
A não ser que este alguém tire o estorvo fora, se envolva conosco, e nos aceite, ainda que temporariamente haja as imperfeições tão claras à vista.

22 de abril de 2008

Na Alemanha...

"Denn also hat Gott die Welt geliebt, dass er seinen eingeborenen Sohn gab, damit alle, die an ihn glauben, nicht verloren werden, sondern das ewige Leben haben" (Johannes 3.16, Lutherbibel)
Para todo o mundo!

21 de abril de 2008

Um pequeno lamento

Como é impossível realizar a tarefa de escrever sobre todas as idéias que me vieram desde a última vez em que escrevi algo digno de leitura aqui, devo selecionar o que dizer, e pelo menos falar que mais me vem à mente, como coisa óbvia e necessária, a relação entre as diferenças entre Brasil e Alemanha e certo lamento que posso levantar, graças à má gestão de muito no Brasil.
Por onde começar é algo sempre difícil de escolher...
Mas uma das coisas que me marca profundamente é a diferença entre nosso dinheiro e o daqui: o nosso não vale muito, embora o Plano Real tenha sido uma boa na época, ninguém discorda muito.
Há coisas aqui que, caso se pense em ganhar em Euros, são muitíssimo baratas, em especial coisas eletrônicas e utilidades de casa.
E comida também, na Alemanha, não é tão caro como eu esperava. Especialmente comida industrializada é muito barata.
Por exemplo, o chocolate aqui (onde não há nem um pé de cacau sequer plantado) é constrangedoramente barato.
A estrutura do transporte público alemão é algo que deixa qualquer um impressionado. Pontualidade e serviço de altíssimo padrão. Quando penso nos ônibus no Rio ou na linha do trem, vejo porque ainda não chegamos lá.
Outra coisa que naturalmente ressalto é a língua.
O Alemão é bem difícil. Bem, digamos que é bem mais difícil que o inglês. Tem uma gramática sofisticada ao mesmo tempo em que usa coisas de séculos atrás.
Isso me faz pensar na maravilha que é uma língua.
Ela traz consigo história, sociologia e educação em si mesma.
Mas não está encerrada em si mesma, pois se presta ao objetivo da comunicação.
Nunca estive tão convencido de que a língua é a expressão maior de uma cultura.
E é impressionante que o alemão seja falado por tão pouca gente (se compararmos ao Português ou ao Espanhol) e mesmo assim, a cultura que o domina seja tão forte.
A Alemanha é um país pouco menor que o Mato Grosso, com bem menos recursos naturais, mas mesmo assim é bem mais rica. É tão triste contrapor os dois países assim que acho melhor até parar.
Mas aqui fica muito evidente que existe muita coisa errada na administração pública no Brasil, uma vez que o povo trabalha bastante lá. Aliás, eu diria que o povo brasileiro trabalha mais do que o povo alemão, em geral.
E ganha muitíssimo menos também.
Como pode isso, é uma questão interessante.
Talvez pelo fato de que quem faz mais dinheiro no Brasil sejam os bancos, que acabam não produzindo nenhuma riqueza efetivamente?
Há também uma corrupção que não só é o maior problema moral brasileiro, como também um problema econômico, que atrapalha tudo.
Não usei da justiça daqui, e nem quero ter que mexer com ela (eu sou o imigrante da história e sempre sobra pra ele), mas é muito duro ver os processos só andarem pra frente se há interesses comerciais envolvidos, quando não há nenhuma proteção ao cidadão por parte do Estado.
É terrível ver que o Estado não protege, não educa, não cura... simplesmente não liga pra população brasileira, pras pessoas.
Na verdade o que impressiona o viajante terceiro-mundista, como eu, quando encontra a Alemanha é o seguinte: o governo governa.
O que era pra ser a realidade do governo, quando ele existe, acaba sendo o incrível num país tão acostumado a ser mal servido por seus dirigentes.

Vil Homem Simples


"E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai."(João 1,v. 14)
Sempre existiu algo intangível na Palavra. Mas isso já foi quebrado.