14 de novembro de 2007

O Corpo de Cristo

Pertenço à comunidade da igreja há, aproximadamete, 3 anos. Sou uma criança analfabeta na fé, a julgar pela idade.
Estes têm sido bons tempos.
Diria que têm sido os melhores da minha vida e, sem dúvida, os mais difíceis.
Tenho aprendido a concordar com gente diferente, a ouvir inúmeros resmungos, a produzir os meus próprios, e sempre me surpreendo que este foi o grupo de pessoas que Jesus Cristo escolheu para ser o seu representante na terra depois de sua ascenção.
A minha experiência é protestante, de confissão batista, trazida pelos moldes das missões norte-americanas. Portanto, falarei de minha própria experiência, sem dogmatizá-la a ponto de percebê-la como a regra (ou mesmo como a excessão) da fé cristã. Vale aqui dizer, para este ou para qualquer outro texto meu que for encontrado por aí, que minha teologia é toda confessional (se é que posso chamar o que penso de "teologia").
Além dos meus desacertos de vida, minha conversão foi influenciada por componentes específicos da igreja e minha caminhada é muito auxiliada e pautada por ela, através de família e amigos.
E é interessante ver que Deus se tenha revelado a mim através de pessoas.
Eu nunca ouvi vozes do além, nunca vi anjos, nunca levitei, nunca vi uma aparição sobrenatural que não deixasse espaço para dúvidas sobre a autenticidade de um milagre e nunca deixei de me ferir quando estive em risco (pelo menos não que eu me lembre). Creio que tudo isso pode acontecer, mas comigo, a revelação do Divino é feita na base da educação morosa. Deve ser por eu ser um tanto lento pra aprender as coisas.
Ouvi falar de Jesus em minha casa e fui ensinado do amor de Deus, através de meus pais, ao longo de anos.
Era um assunto que tinha sua relevância dentro de casa, mas que poderia ser descartado individualmente, como o foi, posteriormente.
Não havia muita tática de evangelhismo, ou mesmo uma sistemática de ensino sobre os patriarcas, a história de Israel, seus reis e profetas, Salmos, etc.
Vinha tudo meio embolado, e com umas "estórias" fantásticas de um peixe que engoliu um cara e de outro que sonhava e penteava leão sem ser mordido. Aliás, muita gente sonhava muito.
Jesus também aparecia nas histórias e sempre falavam que ele morria. Aí o ar era mais solene.
Mas ele ressuscitava depois. E havia alegria nisso.
Lembro que eu não era muito fã de Escola Bíblica Dominical, porque o próprio nome já era pra lá de chato.
Aprendíamos então as nossas historinhas em casa, no quarto dos meus pais, com papai lendo a Bíblia e explicando. Era o "Culto Doméstico". Eu sempre achava os nomes estranhos demais e as atividades nem eram tão legais.
Mas era coisa que unia a família em torno de Deus.
Talvez ouvir que um peixe engoliu e vomitou um homem em 3 dias não seja realmente o que mais crie em uma criança o germén da fé na graça. Mas nos reunirmos para ouvir estórias como esta, sentados e deitados na cama dos pais, sem dúvidas me fez saber da importância daqueles momentos, quando papai lia a Bíblia e a gente cantava e orava. Estávamos ali numa atmosfera de amor familiar.
Mas o tempo passou, eu cresci, supus saber da vida, me meti em dezenas de frias.
Voltei a precisar de Deus. Tinha essa noção, pelo menos.
Nas idas e vindas de fé, quem me trouxe pra perto do Deus perfeito foram pessoas tão próximas de mim, que eu conhecia muitas de suas imperfeições.
Meu pai puxou uma conversa comigo a respeito de meu comportamento, de minhas posturas...
Foi através de palavras duras que refleti sobre minha existência e me entreguei a Cristo.
Mas estas palavras transbordavam amor. Eram constrangedoras...
Mas quando me converti eu já estava grandinho e, por melhor que fossem as estórias, por si só, dificilmente elas seduziriam um jovem de 21 anos, maior de idade, vacinado e solto no mundo.
Eu queria ver gente de perto que pensasse e que vivesse uma fé autêntica em Jesus.
Fui então pra um acampamento de igreja, constrangido pelo meu avô, vendo-me como o pior pecador de todos e na expectativa de ter que encarar um bando de santos crentes evangélicos, que ficariam cantando por 3 dias inteiros.
Eu estava cansado da igreja, mas estava apaixonado pela Bíblia. Portanto, valia o esforço ir ao acampamento.
Pra minha surpresa, foram mesmo 3 dias cantando direto. Mas foi ótimo!
Fiz grandes amigos daquele tempo, que ficam até hoje.
Comecei a crescer ali, vendo gente de verdade, pecadora que nem eu, vivendo a vida eterna no presente, como eu começava a viver.
Tinha em quem me apoiar. Tenho em quem me apoiar.
Dali, a minha vida tomou novos rumos sociais, novas rodas, onde se falava de compromisso com Deus e coisas tão distantes outrora.
Depois vieram outros amigos, de outros grupos, mas do mesmo velho grupo: a igreja de Cristo.
A igreja tem a virtude incrível de agrupar, ajuntar e fazer crescer de um jeito saudável. Faz diferentes interesses convergirem no propósito de agradar a Deus. Promove o crescimento humano integral.
Seus maiores críticos vêm dela mesma, e sempre devem ser bem recebidos.
Sua tolerância é, às vezes, irritante.
É a única instituição do mundo todo que começou desacreditada demais pra dar certo, mas que tem resistido bravamente nas mentes e corações justificados, dos pecadores confessos dos últimos 2000 anos.
Isto, graças ao seu fundador, o cabeça do corpo.
A Cristo sejam glória, domínio e honra, eternamente.

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Vil Homem Simples


"E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai."(João 1,v. 14)
Sempre existiu algo intangível na Palavra. Mas isso já foi quebrado.