27 de outubro de 2007

Para Priscila

Uma apresentação formal, com balançar de mãos e um certo jeito impenetrável de personalidade, num vestidinho lindo, dia de sol, numa pequena morena assentada escrevendo.
Um janeiro de tentativas de conversa, de me acotovelar por entre uns e outros numa expectativa meio vã de conquista. Ao mesmo tempo, tudo colorido, festivo, divino: a partilha da verdade, num mar de idéias, com mergulhos musicais. A própria busca pela profundidade, num ambiente de amor cristão.
Frases atrapalhadas, mas bem intencionadas, sobre a qualidade de filmes, sobre homem e mulher e os vestidos cada vez mais belos. A expectativa é minorada. Bicho bobo é o homem apaixonado... Mas passa. Ou não?
Um intervalo bem grande, cheio de coisas. Boas e ruins. Coisas "da vida"...
Coincidências milagrosas, um congresso, "Um grande abismo", uma disputa velada, da qual eu não sabia (mas sabia) e participava.
Investidas ousadas. O tempo, há de haver tempo, uma espera. "Por favor, alguém que espere, Senhor", o eco de orações passadas.
Mais frases atrapalhadas, boas risadas, boa companhia, bons lugares; tudo bom!
Carvão pros sonhos...
Mas o tempo, "timing é tudo", ela disse.
A hora, a música, o meu jeitão das frases despejadas.
Finalmente, mãos dadas.
Um beijo, o infinito presente, passado e futuro.
Uma alegria muito grande, querida.
Muito obrigado por tudo, meu Deus.

7 de outubro de 2007

Uma experiência (em Engenharia Química)


Na minha infância e adolescência, eu acho que, diferentemente de amigos meus que já tinham seus futuros e sonhos praticamente traçados, eu não tinha nem idéia do que queria ser. Aliás, muito pouco mudou, mas estou às portas da formatura de um curso que tenho muita alegria de ter feito parte da minha vida: Engenharia Química.



O curso é puxado. É que nem café forte tomado às talagadas: dá dor de cabeça e te deixa esperto. Na UFF são 68 cadeiras a serem feitas em 10 semestres. Números muito pouco amáveis em suas relações algébricas, quando levados em conta no tempo da vida cotidiana e em suas dificuldades, que vão crescendo conforme o curso avança.



Nos períodos básicos (1º ao 4º), o aluno se encontra com as idéias clássicas da física, da matemática e da química, que se encontram, se esbarram, se complementam e pretendem formar um arcabouço teórico que crie terrenos propícios pra fazer nascer o que se plantará mais adiante. Aprende-se (por "aprende-se", realmente quero dizer que o estudante tem que sentar e se entender - e apanhar - com a matéria, ou não consegue se desenvolver ao longo do curso) cálculo diferencial e integral, álgebra linear, vestígios de programação, física clássica newtoniana, introduções de eletromagnetismo, termodinâmica, e vai-se muito aos laboratórios e aulas de química geral e analítica.


Talvez eu não fale só por mim, mas eu acho que o sujeito não faz nem idéia de onde ele está se metendo. Não há vislumbre ainda do que é Engenharia Química. Ela é uma linha distante ainda a ser cruzada.

Recebidas estas informações, que poderiam ser vistas como ferramentas muito incipientes, mas, mesmo assim, rebuscadas e sem as quais não se vai a muito lugar, o estudante passa por um segundo ciclo, onde ele estuda objetos mais próximos da realidade do engenheiro.

Pensemos nisso tudo como um processo.


Na etapa anterior, ele recebeu os ajustes de pressão que tiraram um menino do ensino médio e o levaram a condições operacionais mais severas, havendo sido bombeado (ou comprimido, dependendo da flexibilidade da mente) com força à realidade da formação intelectual que ele escolheu. Passou pelos funis das derivadas, filtros das integrais e destilações de seus componentes múltiplos de perseverança que o deixam mais apto a entrar no ambiente reacional da Escola de Engenharia.


Nesta etapa (do 5º ao 8º período), o nível fica mais pesado, com matérias como Termodinâmica, Transferência de Calor e de Massa, Mecânica dos Fluidos, Química Orgânica, Reatores e mais o que ele tiver deixado pra trás no básico (maldito sistema de créditos!).


O aluno tem que reagir bem em provas que duram de 4 a 5 horas ininterruptas de cálculos sem fim, usando tudo o que deveria ter aprendido (agora ele viu que realmente deveria ter apanhado ainda mais das equações diferenciais no básico) e mais o que ele conseguir inventar de artimanhas, em calculadoras das mais potentes em que puder colocar suas mãos.


De repente, fica-se íntimo de nomes como Newton (aliás, o que foi que ele não fez, hein?), Fourier, Fick, Darcy, Stokes, Raoult, Kelvin, Faraday, Arrhenius, Reynolds, Prandlt, Schmidt, Sherwood, Enskog, Nusselt, etc. e se vê um sem fim de relações estranhas e exponenciais que alguns destes caras tiveram uns com os outros, sem nem saber que seriam vistos assim, tão íntimos, apesar até das diferenças de idades e de tempos de vida. Estes poucos, pra não mencionar os autores dos livros didáticos (Bird, Incropera, Kern - onde é que se acha o livro desse cara? - Faust, Stephanopoulos, e uma menção honrosa e muito amável ao Perry e aos nossos tupiniquins Massarani e Cremasco), são os nomes clássicos de gente que fez andar boa parte do conhecimento prático da sociedade.

Feita a etapa de reação, passa-se ao refino e purificação do aluno, que tem ainda pela frente, nos últimos períodos que lhe restam, uma visão holística da indústria em que ele vai se inserir como profissional. Vêm aqui as cadeiras referentes a processos e projetos (e mesmo Projetos de Processos) na Indústria Química, que incluem uma percepção nova na utilização do ferramental adiquirido até esta altura da vida acadêmica. Em tese, era pra ser aqui também o lugar dos estágios, mas a vida no terceiro mundo é um pouco difícil e dinheiro se faz necessário pra viver, e o aluno acaba arranjando um estágio (que quase sempre paga mal pra um quase engenheiro, mas relativamente bem pra alguém que saiu do segundo grau) muito antes de estar aqui, onde tirar xerox e imprimir papéis, mais do que ocupações centrais da carreira, ou aprendizado efetivo dela, são o foco do trabalho.

A partir destes acertos finais do produto obtido, que passa pelos rodopios de ciclones, pelas trocas de calor de esquentar e esfriar a cabeça nos inícios e fins de períodos, em que há flash e alguma cavitação no coração na hora de receber notas, vemos aqui um quase-profissional com tudo por se aprender ainda, mas com algumas noções básicas.


Por aqui, vê-se se há viabilidade econômica e técnica em algum projeto; podem-se criar novos estilos e paradigmas de processos químicos; tem-se a responsabilidade de lidar com o meio ambiente adequada e eticamente, havendo de ser feita uma escolha clara, criteriosa e bem dosada entre técnica e negócios.


Ao fim disso tudo, espera-se algo ainda inacabado, mas pronto pra começar a aprender mais e, quem sabe, resolver algum problema como diversão natural de seu ofício: um engenheiro químico formado.

Vil Homem Simples


"E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai."(João 1,v. 14)
Sempre existiu algo intangível na Palavra. Mas isso já foi quebrado.