4 de agosto de 2007

Infinito presente



Pelo que já ouvi, ainda que pouco, um dos grandes homens do Brasil que via a "verdade guardada nos paradoxos", especialmente na história e na composição social brasileiras, foi o nordestino Gilberto Freyre.
Embora não tenha sua eminência ou intelecto, também vejo grande beleza nos paradoxos que compõem nosso universo.
Vivemos num lugar que é composto basicamente por energia e matéria que se relacionam no espaço-tempo.
Entretanto, embora possamos encontrar
muita facilidade na identificação destes poucos elementos através das palavras que os apontam, o que constitui o universo não é tão simples e os esforços para totalizar o conhecimento deste universo estão longe de acabar, pra dizer o mínimo.
Mesmo assim, nossa experiência de conhecimento é uma jornada cheia de curvas e rodopios, boa parte das vezes prazerosa. E a maior parte do que conhecemos é graças à nossa visão.

Existe um mundo visível dentro do mundo invisível.
Talvez, enunciando assim, esta afirmação seja um pouco escandalosa ou esotérica. Tentemos de novo:
Existem coisas visíveis e existem também coisas invisíveis. Acho que disto ninguém duvida, já que a tela do computador é um representante do primeiro grupo e o ar que separa o leitor da tela não é visível. Ainda bem, pois se o ar fosse visível, talvez não enxergássemos mais nada.
Dedicando um pouco mais de atenção à sua tela de computador e alguns momentos em homenagem bem merecida ao inventor da TV, Philo Farnsworth, perceberemos que, embora a tela esteja parada, é a luz que vem dela que chega até o seu olho e é identificada pelo seu cérebro como uma imagem, que é entendida como alguma coisa por você. Assim, a luz entra na sua cabeça.
Na verdade, nós temos muito mais contato com o mesmo tipo de energia que a luz, que é composta por ondas eletromagnéticas, mas do jeito grosseiro como descrevi acima, somente as ondas que têm um comprimento dentro do espectro do visível é que entram na nossa cabeça, como informação visível do que nos cerca.
Isto me leva a constatar a nossa limitação diante do universo. Não vemos quase nada. Nossos olhos só percebem parte do que nos cerca. Somos bem ceguetas, embora isto me baste para escrever neste blog.

Mesmo assim, há um aspecto que eu acho fantástico na luz.
"A luz não precisa de um meio material para se propagar", quem nunca ouviu esta afirmativa?
Entretanto, é só através da luz que podemos enxergar a matéria. Ela "bate" em algum lugar e este lugar reflete parte desta luz, que fica passeando até encontrar o olho de um observador. E o observador pode até ser desatento, que mesmo assim vai perceber o objeto (nem que o cérebro faça o trabalho de dizer para as suas células: "Tudo bem, você nem precisa prestar atenção ao que está se passando, mas há um objeto logo ali, ouviu?").
Logo, é a luz que realmente é visível. O resto não. O resto é invisível. Voltando a sua tela de computador, nesta altura do texto, acho que as palavras foram se ajeitando de um modo que não há mais tanta certeza em dizer que a tela é visível, uma vez que apenas a luz que dela vem é que é visível.
Neste raciocínio, todas as outras coisas não são vistas, mas sim a luz que vem delas e que estava nelas ou em outro lugar e foi parar ali e foi refletida.
E como a luz é bem rápida, imagine o quanto de informação você recebe só de ficar olhando pra um objeto, numa sala bem iluminada? Quantos zilhões de fótons passam por suas retinas por segundo?
O que torna as coisas mais interessantes ainda (ainda que este texto não consiga torná-las tão interessantes assim) é que, embora o objeto esteja bem paradinho (imagine um livro em cima de uma mesa numa sala com iluminação), a luz que chega nele e posteriormente chega até o seu olho (agora já te transformei em observador, por favor não fique chateado, faz parte da vida) está viajando a 299 792 458 m/s.

Assim, há constante movimento de inúmeras ondas-partículas, na velocidade mais rápida do universo, para informar que um objeto está parado.

Isto acontece a cada segundo, a cada centésimo de segundo, a cada milisegundo, a cada microsegundo, a cada picosegundo...
Enfim, se reduzirmos a nossa escala de tempo a um tempo infinitesimalmente pequeno e junto disso também chegarmos a dimensões minúsculas, como se desacelerássemos um filme em câmera lenta ao mesmo tempo em que chegamos a câmera com toda a velocidade para dentro de um espaço sufocantemente pequeno ao ponto de chegarmos a partes pequeniníssemas do microcosmo, bem pequenininhas mesmo...
Com este paradoxo cinematográfico, conseguiríamos ver os fótons dançando uma valsa, quem sabe, e sendo somente eles tudo o que há de visível no nosso mundo.
Todo o resto são coisas que não se vêem, mas que tem cara de coisas muito visíveis.

E é interessante que o mundo não seja preto e branco, não esteja parado e que haja vida nele.
Dificilmente eu conseguiria supor que o acaso fizesse isto tudo, toda a mágica de existir.
E tudo isso, grosso modo, vem dos citados elementos: matéria, energia e relação entre estas duas no espaço-tempo. As nossas definições não acompanham todo o emaranhado que enunciam. Mas ao mesmo tempo simplificam o entendimento e nos fazem olhar o infinito com algum poder investigativo.

Por isso, não me surpreendo que Deus tenha dito no começo das eras: "Haja luz!"
O que me surpreende é que ainda haja luz imerecida em nossas trevas.

6 comentários:

Karol disse...

Achei massa este post.... Enfim Como é massa um DEUS tão Infinito e tão complexo.. ter uma mensagem tão simples.. Como a da Graça. Isto a cada dia me mostra o quanto precisamos ser simples e assim ter uma vida melhor.... :)

Renner disse...

Achei esse post muito bom e muito grande... minha alma preguiçosa precisou de dois dias para lê-lo. Sim , tenho preguiça de ler em papel internet. Escreva logo um livro e resolva esse meu problema. Saudades tuas e do resto da minha igreja. É sempre bom vir aqui. Quem diria que um cara tão "pecador" escreveria tão bem, hehe. Quinhentos beijos.

Bianca disse...

é...
hum...

sei lá!

B-R-I-L-H-A-N-T-E!!!
brilhantemente brilhante... rs

fico te devendo um comentário a altura... mas precisava registrar o quanto apreciei!

Beijos!

Débora disse...

Realmente nao da para fazer um cometario a altura deste texto! Usarei as palavras do autor : Excelente!!!
So nao compro o livro pq alem de nao ter sido publicado, creio que irei ganhar um ja que lavo suas louças!

beijinhos Sr Xerife!

PS: Olhei os comentarios dos smurfs la atras!

Preto disse...

Entrei, puxei uma cadeira e pedi um café... Enquanto não vinha [o café], deixei meus olhos cansados correrem por essas linhas... Quando o café chegou, nem mais queria apreciá-lo. Seus textos caem como uma boa chícara de café! Acho que dá pra entender o quanto gosto do que você escreve, não é, amigo?!
Um fortíssimo abraço!

Dri Dantas disse...

Eu nem tenho palavras pra expressar o que significa esse texto. Fico admirada pela forma como vc sabe traduzir o que vc observa e conhece em palavras. Tenho que reconhecer o quanto foi brilhante a descrição física que remete a grandiosidade de Deus, o próprio criador de tudo isso. Fiquei pensando na afirmação de Jesus: eu sou a luz do mundo, só através dele o mundo real é visível. Parabéns!

Vil Homem Simples


"E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai."(João 1,v. 14)
Sempre existiu algo intangível na Palavra. Mas isso já foi quebrado.