17 de agosto de 2007

Menina Bonita do Laço de Fita



Eu tenho uma irmã.
Seu nome é Débora, que quer dizer abelha.
Nunca ouvi dos meus pais sobre alguma vocação familiar em apicultura, mas o nome da menina acabou sendo este.
Na Bíblia encontraremos terreno mais propício para a escolha deste nome, no livro dos Juízes de Israel.Ali fala de uma mulher chamada Débora, mulher de Lapidote (certa vez começamos a chamar um namorado dela com este nome horrível). Era uma mulher de presença marcante, eu diria, fazendo uma leitura resumida da passagem que conta sobre ela.
Mas eu não conheci a abelha da Bíblia.
A que conheço é a minha irmã.
Esta, certamente, é de uma presença marcante.

Lembro que certa vez ela me derrubou da cama, numa guerra de travesseiros.
Ela era magrinha, osso puro, mas era muito invocada. Eu era bem gordinho, meio lento, mas bem maior do que ela.
Estávamos brincando de alguma coisa em cima da cama dos meus pais, quando eu olhei pro travesseiro e passei a mão de leve na fronha. Com um movimento rápido: "POF!", virei uma travisseirada certeira na magrela!
Ela não se fez de rogada e com uma voz fininha disse: "Ah, é?"
Apanhou o outro travesseiro e começamos o combate.
De vez em quando um dava uma cambaleada pra um lado, o outro não conseguia se equilibrar direito em cima da cama, mas a euforia era geral.
Era uma briga legítima e nem machucaria ninguém, já que era com travesseiro. Eu estava feliz com aquilo, porque ia dar uma coça nela e ela nem ia poder reclamar de dor, já que o instrumento de tortura seria macio daquele jeito. Eu, finalmente, havia arranjado o jeito de bater na minha irmã, sem poder ser chamado de covarde.

De repente, como um relâmpago (eu tenho que dizer que foi "como um relâmpago", senão minha credibilidade vai pro espaço), numa cena que eu diria só ter assistido no cinema quando vi "Matrix"; Débora dá um golpe certeiro na minha cara e eu me espatifo no chão.
Lá estava eu, agora um Golias derrubado, olhando para uma menina que seria um Davi muito assustado, em cima da cama.
Débora arregalou os olhos, meio descrente de seu feito e sem saber que reação esperar de mim, ou dela mesma.
Eu lembro de ter reclamado algo do tipo: "Você não sabe brincar, Débora!", com uma voz resmungona.
E ela chorou. Eu acho que também chorei. Eu sou mesmo um chorão!
Depois nós rimos daquilo.
Mas de uma coisa eu tenho certeza: eu nunca mais brinquei de guera de travesseiros com minha irmã.

Esta é uma homenagem de aniversário a alguém que me é muito querida. Uma inestimável companheira, que sempre teve sensibilidade no trato com o irmão e bom humor pra encarar minhas esquisitices. Alguém a quem muito amo e tenho aprendido a admirar durante esses 23 anos.

4 comentários:

Karol disse...

Agora tb sei que vc tem uma irmã e que apanhou dela.. hehehehe

Muito legal o que vc escreveu e é muto bom mesmo estas brigas de travesseiros com os irmãos na cama dos pais... LEmbrar da infância é uma verdadeira nostalgia... devíamos fazer mais vezes... Muito boM!

coloquei post novo no meu fotolog. Aparece lá....

orlicsf disse...

!!!

Renner disse...

Sou alérgico à déboras, quer dizer, abelhas. Mas me permito correr o risco com essa da família das Von-Heldianas. Não gosto da sua irmã por sua causa não. Ela é autônoma no meu carinho.

Débora Von Held disse...

Tenho que admitir que me lembro deste dia como se ele tivesse ocorrido hoje. Eu derrubei o meu irmão mais velho da cama com um travesseiro, isso foi muita coisa para a minha cabeça.Tanta coisa que chorei por horas até ter coragem de entrar novamente dentro do quarto e pedir desculpas. Mas esse cara aí é o homem do perdão, ele perdoa e pede perdão como ninguém jamais o fez nos últimos dois séculos. Meu irmão mais velho... engenheiro, poeta, historiador e qualquer coisa que não faça sentido pq os vonheldianos são assim mesmo Renner difíceis de compreender, mas compreensíveis!
Te amo VHS e concordo com o Orl;, foi uma boa escolha!

Vil Homem Simples


"E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai."(João 1,v. 14)
Sempre existiu algo intangível na Palavra. Mas isso já foi quebrado.