29 de março de 2007

Confissão

O Brasil é um país atropelado pelo sistema capitalista, onde todos nós estamos entregues (nenhum comunista xiita escapa dessa, nem adianta tentar, basta lembrar das muitas Coca-Cola´s bebidas e, se você não bebe este terrível líquido, pense na internet, no provedor, no Windows, na sua roupa, na tela do computador, enfim, no que você quiser) a ele e não fazemos muito para mudar qualquer situação. Porque achamos que não há muito como ou para quê mudar.
Na verdade, há sim. Nós é que somos levianos e preguiçosos. Preferimos pensar que nosso discurso é mais profundo e consistente do que a realidade global que nos cerca e, por isso mesmo, não devemos nos preocupar com as moléculas exteriores a nós que serão afetadas por nossas ações, somente com as moléculas de nossa barriga, ou de nosso bolso.
E nosso discurso muitas vezes não é tão consistente.
Dói dizer isso.
Arranjou-se um sistema de organização e, enquanto ele não nos fere tanto os valores e não nos mancha por completo a honra, permitimos que ele nos esmague as migalhas de percepção moral que nós temos que ainda nos vinculam aos problemas sociais que tanto nos preocupam e nos tiram o sono (aqui estou tentando ser irônico e sádico), como, por exemplo, o fato de ter um ser na portaria do seu e do meu prédio, ou bem perto destas duas, jogado no chão, com algumas pessoas de menor idade que lhe acercam, talvez na procura de aprendizado pra viver na rua ou talvez para fazer algum ato miccional, publicamente, que há de atingir, não só a honra, mas o rosto do pobre mendigo.
Você liga? Eu ligo? Quem liga pra alguma coisa?
Quem liga pro fato de que a água vai acabar, graças à poluição dos nossos recursos hídricos fluviais?
Quem realmente liga pra esses problemas? Eu não. E nem você. Vamos, confesse...
Somos todos uns covardes metidos a idealistas que, ora ou depois, conseguimos colocar nossas frases bem elaboradas em alguma conversa e, pelas palmas anunciadas em risos, gracejos e elogios, tecemos toda a complexa gama de assuntos que compõe os "assuntos de mesa" de que tanto gostamos.
A divindade, a internet, a organização do universo, o fogo, o homem, a mulher, sistemas abertos e fechados, musicoterapia, vinhos, oscilações de mercado, casos mal resolvidos da polícia, o Lula, o Lula, sempre o Lula, desde 1989, ou quando ele representava ainda perigo pro capital.
Voltamos ao capital.
Este é o mundo.
É... até que a Bíblia esteja errada, "o mundo jaz no maligno". Jazer é deitar, sinônimo para morrer, em bom e vivo português.
Jazeremos em berço, ainda que esplêndido, eternamente? "Ah, não... isso o hino fala da pátria. Não das pessoas."
E tem gente que acha que pode se salvar por seus próprios meios.
Maior confissão não há: com fé ou sem fé, o homem precisa de salvação de si mesmo.
Esta temática é velha, mas não sai da moda.
Faz 2000 anos que falam nisso e pouca gente dá a mínima.

Um comentário:

orlicsf disse...

bom, cara.

que seja esse texto um grito heróico ouvido às margens dos ipirangas e noutros cantos onde brilha [ou deveria] o sol da liberdade.
liberdade que há alguns milênios está disposta a deixar-se brilhar...

até.

Vil Homem Simples


"E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai."(João 1,v. 14)
Sempre existiu algo intangível na Palavra. Mas isso já foi quebrado.