11 de março de 2006

As Bodas

25 anos equivalem a 300 meses, são iguais a 9131 dias e somam 219 mil horas e 144 minutos. Segundos a perder de vista.

Fosse em horas de vôo, este tempo asseguraria a perfeição nos céus. Mas aqui na terra, em um casamento feito por gente de carne e osso, e não de lataria e de motor, perfeição é ainda um conceito distante e por se conquistar.

Mas a matemática a que submetemos este tempo, em contato com a carne, é quase perfeita: multiplicamos magicamente. Juntamos uma pessoa que se entrega mais uma outra pessoa que aceita e obtemos uma família de cinco, ao fim. O mais interessante é que isso faz sentido. 1 casamento, 2 pessoas, 3 filhos e vamos aprender a contar com um pai e uma mãe.

De novo na conta do tempo, 25 anos é muito tempo. A maioria das guerras não agüenta tanto, a maior parte das espécies de animais não vive isso tudo, e, aliás, nem eu cheguei lá ainda. Destes 25, peguei carona nos últimos 23. Eu diria que foram os melhores, mas sou suspeito, eu não existia antes disso.

Mas a real questão de um casamento é: por quê?

Podemos elaborar algumas respostas: não somos animais comuns, precisamos de alguém pra andar ao lado, pra dar risadas das nossas piadas, para ser cúmplice em uma gafe (aliás, são tantas), alguém que tope percorrer o Nordeste em um único dia, pode ser medo da solidão, a perpetuação da raça, ou uma conveniência social.

Creio que talvez estas sejam respostas razoáveis, mas não dissolvem dúvidas, não estabelecem verdades. Apenas nos dizem que precisamos de uma aventura e uma causa, mas não falam qual é a causa nem se a aventura vale a pena.

E qual é a causa? Ter filhos? Certamente, se meus pais soubessem o trabalho que eu lhes daria, não teriam nem pensado nisso. E acho que não falo por mim apenas, mas Débora e Tito podem confirmar.

Se não são os filhos, é o quê? Diversão? Sexo? Rock n´ Roll? Medicina? Odontologia? Ciência? Teologia? Igreja? Ter mais parentes para poder entrar em festas sem ser penetra? Acho que não é bem isso.

Mas casar deve ser divertido. Entretanto, penso que ninguém quer morar num parque de diversões ou dormir numa montanha russa. Mesmo assim, o oposto, a segurança excessiva, também não é lá o mais adequado. Qualquer noivo não gostaria que sua noiva usasse um cinto de castidade.

Assim, os excessos parecem ser os vilões e devemos descarta-los da resposta. Andar com temperança é o ideal para o homem. Mas também a temperança parece escapar de nossas mãos. Ainda que juntássemos o homem mais inteligente do mundo e a mulher mais prática, bonita, e que dê jeito em todas as coisas; ainda assim, provavelmente exageraríamos nos elogios.

Eu creio que há algo maior, mais sólido e menos escorregadio do que a temperança. E talvez tenhamos de apelar para o óbvio. Paulo fala de ágape como coisa perfeita. Ele não era casado, mas como boa parte das pessoas é louca o suficiente para deixar que suas cerimônias de casamento sejam realizadas por gente que fez voto de não se casar e se dispõe a não namorar, creio que o apóstolo pode ser ouvido sem problema.

Ele nos diz de amor, sem ser piegas, enjoativo ou tolo. Amor transcendental. É isso que junta e segura as pessoas. É Deus. É o próprio ágape.

Com meus pais eu aprendi que Jesus é esse Deus de amor e sem Ele nada vale muito a pena. Mas em algum momento, eu rasguei estas lições, pra me entregar completamente a elas mais tarde.

E se há algo que possa ser dito do casamento de Ebenezer Soares Ferreira Jr. e Jocelaine Barrozo von Held Soares, conhecidos como meus pais, é que Deus está aqui. “Portanto, o que Deus ajuntou não separe o homem.”

André von Held Soares, 10 de março de 2006.

- Texto feito por mim e lido ontem na festa de comemoração de 25 anos de casamento de meus pais.

4 comentários:

luiz felipe asp disse...

que fofo! rs

Parabéns por eles. Dê graças à Deus por mantê-los juntos e felizes. A sua vida não seria a mesma se não fosse assim.

Filipe Gomes Barreto disse...

Que bom que tu botou o texto no blog rapá! O texto como eu já disse antes, é totalmente excelente!

Mais uma vez, obrigado pela hospedagem de alto nível aí em Fraiburg!
Abraço!

Anônimo disse...

Belo discurso! Clap clap clap
Abração,
Maganha

Tamara disse...

Nossa!!!!!!!!!!!!Que coisa mais linda...faz tempo que não leio nada tão sutil, sincero, amável sobre a construção do amor...Falar de amor as vezes é muito dificil..mas escutar relatos de uma relação de amor duradoura é uma delícia...
Ás vezes me pego a pensar se vou conseguir construir uma família assim, se com o passar dos anos a jangada realmente não vai virar...
Fico muito feliz em ver relações de amor, companherismo, de entrega, em fim de casamento assim...Olho os meus pais:29 anos de casados...Filhos criados...Tempestades já enfrentaram e sobreviveram pq tinham um ao outro e dessa relação as suas filhas...Almejo isso todo dia para a minha vida, para a construção de um lar sólido e feliz....

Vil Homem Simples


"E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai."(João 1,v. 14)
Sempre existiu algo intangível na Palavra. Mas isso já foi quebrado.