24 de fevereiro de 2006

Lógica da lógica

Creio que um hábito saudável que mantenho é o de manter à mão uma caderneta, em que anoto minhas incursões no mundo das idéias. O texto à frente, de minha autoria, foi retirado destas andanças introspectivas e foi escrito em 08/03/05.

"Às vezes, minhas melhores idéias, ou melhor, as melhores idéias vêm quando estou tomando banho. Uma delas foi uma definição poética para a lógica:

"Lógica é o passo seguinte."

Isso porque o pensamento é a tal caminhada, mais do que o caminho. É construir, mais do que a construção.
Cada etapa lógica do pensamento leva a outra posterior, que leva a outra, etc. sendo sempre lógico que a sucessão seja algo lógico. A lógica na própria lógica, como prova de sua lógica.
Lógico? Lógico!"




11 de fevereiro de 2006

The Autobiographer


Tive a oportunidade de ler um dos livros que mais cativou minha atenção durante a adolescência: "The Autobiography", por Benjamin Franklin.
Coloquei o título em inglês pois, além do evidente charme (não gostaria que fosse encarado como pedantismo), foi nessa língua que li a obra, propositalmente, não por evitar erros de tradução (afinal, existe o velho dito latino tradutori traditori est); mas pelo fato de que estava ficando meio enferrujado no meu pobre anglo-saxão.
Creio que funcionou como uma espécie de WD 40, já que eu entendi o livro, que, por sinal, é muito bem escrito, num inglês de parágrafos enormes, sintético e envolvente.
O livro é dividido em 4 partes, mas, a bem da verdade, são só 3, pois a última parte tem apenas 5 páginas e não foi terminada, não havendo ponto final na vida contada até ali.
Por isso, eu diria que são 3 partes e a quarta é meramente um apêndice, ou uma idéia inacabada, pelos diversos afazeres do homem.
Na primeira parte, ele faz um apanhado de sua família, fala desde quando havia registros dos Franklin e começa a se descrever como um fã de leitura e um trabalhador precoce, fazendo velas e sabões no negócio de seu pai. Depois, trabalha com um de seus 14 irmãos em sua casa de impressão. Ali, começa a arriscar as primeiras letras, escrevendo anonimamente, com sucesso. Deixa este emprego em Boston e vai para a Filadélfia. Passa uns bons perrengues até chegar lá, onde constitui, com o tempo, reputação, embora a hora de sua chegada seja das mais risíveis. Conta de sua primeira viagem à Inglaterra e vários nomes de personagens que lhe acompanharam na juventude.
Neste primeiro momento, Franklin se descreve como uma pessoa de sorte, alguém que foi favorecido por circunstâncias e pessoas certas que cruzam o seu caminho; pois a sorte favorece os destemidos.
Entre outras expressões e histórias, aparece o termo Errata, que, no livro, significa algo como coisa que ele, se pudesse reviver de novo sua própria vida, corrigiria.
Um bom pedaço, que não ouso traduzir:

"Revelation had indeed no weight with me as such; but I entertain´d an Opinion, that tho´certain Actions might not be bad because they were forbidden by it, or good because it commanded them; yet probably those Actions might be forbidden because they were bad for us, or commanded because they were beneficial to us, in their own Natures, all the Circumstances of things considered."

Na 2ª parte, encontramos melhor florescimento de idéias que lhe renderam, segundo o próprio Franklin, suas conquistas futuras, para mais do que sua boa sorte inicial.
É aqui que vemos um pouco de sua, eu, modestamente, diria, "filosofia funcional"; algo como os procedimentos para uma vida de excelência.
Como fosse teísta e, quase definitivamente e "recalcitrantemente" (se é que isso de fato pode existir), não cristão, cria no valor da virtude e da elevação moral como alicerces da vida. Grosso modo, cria na punição do vício e recompensa pela virtude.
Neste ponto do livro, ele relata:

"It was about this time that I conceiv´d the bold and arduous Project of arriving at moral Perfection."

Tal projeto o levou por parte de sua vida e foi estendido a amigos de um clube de discussões montado por ele, o Junto, que pasou a adotar, depois de um tempo, como requisito de entrada, a tentativa, por parte do candidato a uma cadeira na membresia do clube, de lidar com as seguintes virtudes durante uma semana para cada:

"These names of virtues with their precepts were
1. Temperance.
Eat not to Dulness.
Drink not to Elevation.
2. Silence.
Speak not but what may benefit others or your self. Avoid trifling Conversation.
3. Order.
Let all your Things have their Places. Let each Part of your Business have its Time.
4. Resolution.
Resolve to perform what you ought. Perform without fail what you resolve.
5.
Frugality.
Make no Expence but to do good to others or yourself: i. e. Waste nothing.
6.
Industry.
Lose no Time. - Be always employed in something useful
. - Cut off all unnecessary Actions. -
7.
Sincerity.
Use no hurtful Deceit.
Think innocently and justly; and, if you speak; speak accordingly.
8.
Justice.
Wr
ong none, by doing Injuries or omitting the Benefits that are your Duty.
9.
Moderation.
Avoid Extreams. Forbear resenting Injuries so much as you think they deserve.

10. Cleanliness.
Tolerate no Uncleanness in Body, Cloaths or Habitation. -

11.
Tranquility.
Be not disturbed at Trifles, or at Accidents common or unavoidable.
12. Chastity.

Rarely use Venery but for Health or Offspring; Never to Dulness, Weakness, or the Injury of your own or another´s Peace or Reputation
13. Humility.

Imitate Jesus and Socrates. - "

Havendo enumerado estes valores e máximas, Franklin ainda se detem na descrição de tais valores, e admite que a 13ª virtude, a humildade, não havia sido incluída originalmente como algo realmente pertinente ao seu esforço frente à "perfeição moral". Entretanto, advertido por um amigo Quaker seu (aliás, as demoninações e seitas diferentes são apresentadas, ao longo do relato, como algo feito com o intuito de semear mais a discórdia do que o oposto), Franklin não subestima os perigos do orgulho:

"In Reality there is perhaps no one of our natural Passions so hard to subdue as Pride.[...]You will see it perhaps often in this History. For even if I could conceive that I had compleatly overcome it, I should be proud of my Humility. - "

E, com isso, passamos à terceira parte.
Aqui, já sabendo de seu ímpeto moral, vemos o cidadão Benjamin que reivindica para si a alegação de conquistar os postos de sua vida por esforço moral, mais do que favorecido pela antiga sorte.
Neste ponto do livro conhecemos: "Honest Ben", o cientista, o político unanimamente eleito sempre, o inventor, o doutor em lei, o Master of Arts por Harvard e Oxford (sem manter grandes correspondências com tais instituições e mesmo assim sendo prestigiado por estas e muitas outras), o líder civil, o escritor e o filósofo. Todos são parte integrante do carácter de quem Edmund Burke chamaria de "the friend of mankind".
É interessante que, embora alguém possa considerar que, uma vez que suas ocupações foram muitas, Benjamim Franklin teria sido relapso ou pouco merecedor de grandes méritos nos variados pleitos, ele foi, de fato, grande, em conteúdo e substância, em todas as áreas de sua contribuição.
No livro vemos que existe quase uma fusão em seus diferentes interesses. Por exemplo, ele conta de um grande pregador (Mr. Whitefield) que aparece em Filadélfia e reune multidões. Ele observa não somente as técnicas de oratória, o conteúdo dogmático e o impacto social de sua chegada; mas estima ainda qual é a área geométrica que compreende a semi-circunferência em que pode ser ouvida a sua voz em uma de suas pregações, a fim de projetar um prédio que comporte o mesmo número de pessoas.
Outro exemplo relatado é a observação da iluminação pública em Londres, que era mal feita, pela maneira como o vidro, dentro do qual ficava a vela para a iluminação, se enchia da fumaça muito rapidamente e acabava impedindo a luz, gerando mais gastos públicos com cera, por conta disso. E por aí vai...
Conta da relação entre ele, seus arregimentados e os índios norte-americanos e da relação destes com o rum. Ele transcreve de um orador nativo que vinha se desculpar por uma algazarra da noite anterior ao seu encontro:

"The great spirit who made all things made every thing for some Use, and whatever Use he design´d any thing for, that Use it should always be put to; Now, when he made Rum, he said, LET THIS BE FOR INDIANS TO GET DRUNK WITH. And it must be so."

Quanto aos detalhes técnicos e históricos, o livro foi escrito até 1757, quando Franklin ainda não tratara de seus maiores assuntos políticos, ainda não tinha uma relação com George Washington e nem exercera suas mais pronunciadas qualidades de diplomata. Outra coisa que o livro não fala é de sua relação e influência na maçonaria, em que teve, na França, a oportunidade de assistir à cerimônia de iniciação de Voltaire.
Mesmo assim, ainda que ele narre o famoso eposódio da pipa, que estabeleceu definitivamente a relação entre os relâmpagos e suas propriedades eletromagnéticas, do modo mais sucinto possível (1 linha), o livro se firmou como uma das maiores peças literárias da época, mais pelo autor do que pelas memórias do escritor de "Poor Richard´s Almanac".
Há quem diga, inclusive, que esse trabalho, Autobiography, pode ser visto como uma alegoria de Pilgrim´s Progress (O Peregrino), do grande autor John Bunyan, em que Franklin se expõe mais como um personagem do que como "ele, por ele mesmo", como poderia querer a Marília Gabriela.
Creio que, dentre os iluministas de época, Benjamin Franklin fez mais do que marcar o seu tempo: marcou o destino de sua nação, como mais do que um pensador, um realizador.
E talvez fosse isso fruto de sua ambição, pois:
"Nothing humbler than Ambition, when it is about to climb"



10 de fevereiro de 2006

Definição

Ciência é saber a distinção entre lágrimas e pranto.

Vil Homem Simples


"E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai."(João 1,v. 14)
Sempre existiu algo intangível na Palavra. Mas isso já foi quebrado.