22 de janeiro de 2006

Cedendo à Transparência

Sócrates, até onde se tem registro na atualidade, não deixou escrito nenhum texto seu. Entretanto, sua frase de grande valor ficou impressa na História humana como uma máxima de humildade: "Só sei que nada sei."
Talvez sua frase fosse parafraseada por Paulo, quando este escreveu aos coríntios: "E, se alguém cuida saber alguma coisa, ainda não sabe como convém saber."(1 Co 8, v. 2)
Julgo não saber muito. Ou, para não ser duramente repreendido pela Palavra de Deus, não julgo nada.
Contudo, especialmente no que diz respeito a relacionamentos, faço apontamentos meramente baseados no que se me apresenta como uma realidade pessoalmente experimental (minha mesmo) ou de outro foro.

Não sou casado, nem noivo, nem namorado. Muito de vez em quando, flertado.
Mas tenho olhos para ver e ouvidos para ouvir e, mais ainda, experiências passadas para analisar.
Vejo casais de tios meus, de primos meus e, por que não dizer, de pais meus que, às vezes, têm suas diferenças postas à mesa.
Nestas horas, a bem da verdade, a transparência é coisa muito necessária.
Mas, contudo, entretanto, todavia, a investida de sinceridade desnecessária (aqueles comentários em que você sente que fez magoar o outro, por causa de uma coisa tola que não deveria ter dito, como, por exemplo, que não gosta daquela calça jeans horrível que ele usa, porque ele está meio gordo; ou de chamar a patroa de peidorreira, num momento de descontração, porque pensou que ela não se incomodaria) pode fazer da transparência uma arma branca feita de vidro.
Em outros termos, é claro que transparência é vital, em qualquer relacionamento. Seja com o porteiro, seja com sua mãe, seja com sua esposa, seja comigo.
Não é necessário que alguém que queira ser amigo ou bom filho faça concessões absurdas a mim ou à sua mãe. Mas é preciso vencer as diferenças que há entre nossas concepções de vida. É preciso dar-se. É preciso, transparentemente, ceder.
Quanto ao porteiro, eu não esperaria fazer nada de muito lisongeiro, em prol de uma boa relação.

De fato, o amor tudo sofre, tudo espera e tudo crê, conforme foi dito em mesma carta de Paulo. Mas também não abusemos destas virtudes divinas.
Ceder não significa ser bucha de canhão ou bode expiatório.
Creio, e talvez isso não tenha ficado muito evidente anteriormente, que tudo deve ser feito de modo saudável.
Não vou lavar as louças, esfregar o chão, tirar o cocô do cachorro (isso é terrível) e receber todos os elefantes brancos desta vida, todos os dias, por conta de simplesmente agradar, ou ceder. Pelo menos, não sem lutar, expondo tudo o que penso com toda a transparência e sinceridade. Como disse, tem que ser coisa saudável, que não ultrapasse os limites do amor próprio e que, uma vez cedendo, eu não esteja na verdade procrastinando os desafios de uma convivência melhor para um futuro que não virá.
Mas (de novo um MAS), a vida, sim, é feita de concessões. Por mais que queiramos ser os majores Quaresma´s desta vida, se não dialogarmos com a realidade usando de empatia e siso, a coisa aperta e desilude.
Por mais ideais que tenhamos dentro da esfera do amor, homens ainda são homens e mulheres ainda são mulheres.

É possível, bem possível, que até aqui eu tenha estabelecido que 2 + 2 = 4. Ou seja, é possível que eu tenha dito o óbvio (como esta frase aqui, explicando a anterior). Mas (mais um) talvez assim eu evite erros de comunicação, pois como alguém já disse: "O óbvio tem de ser dito."


Um comentário:

Patropi disse...

Podes crer. É isso aí... huHU!

Hehehe. Me amarro em vc cara.

Vil Homem Simples


"E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai."(João 1,v. 14)
Sempre existiu algo intangível na Palavra. Mas isso já foi quebrado.